Saúde Bucal e Doenças Cardiovasculares

A relação entre saúde bucal e doenças cardiovasculares é estudada principalmente por meio da periodontite, uma doença inflamatória que compromete os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes.

Pessoas com periodontite, especialmente em formas mais graves, apresentam maior frequência de doenças cardiovasculares em estudos populacionais. Essa associação inclui condições como doença arterial coronariana, infarto, acidente vascular cerebral e outros problemas relacionados à circulação.

Entretanto, associação não significa que a periodontite seja a causa direta dessas doenças. Tabagismo, diabetes, hipertensão, idade, alimentação, excesso de peso e condições socioeconômicas podem aumentar simultaneamente o risco de problemas gengivais e cardiovasculares.

A recomendação mais responsável é cuidar da boca para controlar a inflamação, preservar os dentes e melhorar a qualidade de vida, sem prometer que uma limpeza dental ou um tratamento periodontal evitará um infarto.

Resposta rápida

A periodontite está associada a um risco cardiovascular mais elevado, mas ainda não se pode afirmar que ela cause diretamente infarto ou AVC. Inflamação sistêmica, passagem transitória de microrganismos para a circulação e fatores de risco compartilhados ajudam a explicar essa relação. O tratamento periodontal melhora a saúde da gengiva e pode beneficiar alguns marcadores cardiovasculares, mas ainda não há comprovação de que ele previna eventos cardiovasculares.

Uma declaração científica publicada pela American Heart Association em 2025 reforçou que existem evidências crescentes de associação entre doença periodontal e aterosclerose, eventos cardiovasculares e condições cardiometabólicas. Ao mesmo tempo, a entidade ressaltou a necessidade de estudos mais robustos para determinar causalidade e os efeitos do tratamento periodontal sobre infartos e AVCs.

Sua última consulta preventiva foi há quanto tempo?

A prevenção é uma das formas mais simples e eficientes de manter dentes e gengivas saudáveis. Mesmo sem dor, alterações como cáries iniciais, gengivite e acúmulo de tártaro podem evoluir silenciosamente.

Uma avaliação preventiva ajuda a identificar essas alterações precocemente, orientar os cuidados mais adequados e preservar seu sorriso ao longo do tempo.

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Atendimentos em Campinas e Valinhos. O intervalo entre as consultas deve ser definido individualmente, conforme as necessidades de cada paciente.

O que são doenças cardiovasculares?

Doenças cardiovasculares são condições que afetam o coração e os vasos sanguíneos.

Entre elas estão:

  • doença arterial coronariana;
  • infarto do miocárdio;
  • acidente vascular cerebral;
  • insuficiência cardíaca;
  • arritmias;
  • doença arterial periférica;
  • hipertensão;
  • doenças das válvulas cardíacas;
  • alterações congênitas do coração.

Essas doenças não apresentam uma única causa. O risco é influenciado pela interação entre genética, idade, pressão arterial, colesterol, diabetes, tabagismo, alimentação, atividade física, peso corporal e outras condições.

A saúde da gengiva deve ser entendida como uma parte do cuidado integral, não como substituta da avaliação cardiológica.

O que é periodontite?

A periodontite é uma doença inflamatória provocada pela interação entre o biofilme bacteriano e a resposta do organismo.

Ela pode causar:

  • sangramento gengival;
  • bolsas entre o dente e a gengiva;
  • perda de inserção periodontal;
  • destruição do osso de sustentação;
  • retração;
  • mau hálito;
  • mudança na posição dos dentes;
  • mobilidade dentária;
  • perda dos dentes em casos avançados.

A periodontite é diferente da gengivite. Na gengivite, a inflamação permanece limitada à gengiva e não existe perda do suporte ósseo causada pela doença.

O diagnóstico periodontal depende de exame clínico, sondagem e, quando necessário, exames de imagem.

A periodontite causa doenças cardiovasculares?

Não se deve afirmar que a periodontite seja uma causa direta de infarto, AVC ou insuficiência cardíaca.

Estudos observacionais encontram uma associação consistente entre periodontite e doenças cardiovasculares. Uma revisão ampla publicada em 2024 concluiu que revisões sistemáticas de maior confiança sustentam essa associação, mas também destacou limitações metodológicas e a necessidade de interpretar os resultados com cautela.

Isso significa que pessoas com periodontite grave aparecem com maior frequência entre pacientes com doenças cardiovasculares, mesmo após alguns ajustes estatísticos.

Contudo, ainda existem dificuldades para separar completamente os efeitos de fatores como:

  • tabagismo;
  • diabetes;
  • pressão alta;
  • colesterol alterado;
  • excesso de peso;
  • sedentarismo;
  • alimentação inadequada;
  • idade;
  • acesso limitado aos cuidados de saúde.

Portanto, a relação é relevante, mas não deve ser transformada em uma afirmação simplista de causa e efeito.

Por que a gengiva poderia estar relacionada ao coração?

Existem três caminhos principais estudados.

Inflamação sistêmica

A periodontite mantém uma resposta inflamatória crônica ao redor dos dentes.

Mediadores inflamatórios produzidos localmente podem alcançar a circulação e contribuir para um ambiente sistêmico de inflamação. Esse processo é investigado porque a inflamação também participa do desenvolvimento e da instabilidade das placas de aterosclerose.

O consenso da European Federation of Periodontology relaciona a associação entre periodontite e doenças cardiovasculares a mecanismos como inflamação sistêmica, estresse oxidativo e bacteremia.

Passagem transitória de bactérias

Quando a gengiva está inflamada, atividades cotidianas como mastigar, escovar ou limpar entre os dentes podem permitir que microrganismos ou seus componentes entrem temporariamente na circulação.

Na maioria das pessoas, o organismo controla rapidamente essa exposição. O fenômeno não significa que toda escovação provoque uma infecção cardíaca.

A manutenção de uma gengiva saudável tende a reduzir a quantidade de tecido inflamado e a frequência dessa exposição bacteriana.

Fatores de risco compartilhados

A periodontite e as doenças cardiovasculares apresentam vários fatores em comum.

O tabagismo é um exemplo importante: aumenta o risco cardiovascular e também favorece formas mais graves de doença periodontal.

O mesmo ocorre com diabetes, alimentação inadequada, envelhecimento, dificuldades de acesso à saúde e baixa adesão aos cuidados preventivos.

Essa sobreposição explica parte da associação encontrada nos estudos e reforça a importância de uma abordagem integrada.

Qual é a relação entre periodontite e aterosclerose?

A aterosclerose ocorre quando placas se desenvolvem na parede das artérias, reduzindo ou alterando o fluxo de sangue.

Esse processo envolve:

  • acúmulo de lipídios;
  • inflamação;
  • alterações das células vasculares;
  • fatores metabólicos;
  • resposta imunológica.

A periodontite é estudada como um possível fator que pode aumentar a carga inflamatória do organismo. A American Heart Association reconhece evidências crescentes de associação entre doença periodontal, formação de placas nas artérias e eventos cardiovasculares, mas não considera demonstrado que a periodontite seja uma causa isolada de aterosclerose.

Gengivite também está relacionada ao coração?

A associação mais relevante e estudada ocorre com a periodontite, principalmente quando é extensa ou grave.

A gengivite provoca inflamação superficial, mas não apresenta a mesma destruição dos tecidos de sustentação.

Isso não significa que o sangramento gengival deva ser ignorado.

A gengiva sangrando pode ser o primeiro sinal de acúmulo de placa e inflamação. Quando o problema é identificado e controlado nessa fase, reduz-se o risco de progressão para uma doença periodontal mais profunda.

Tratar a periodontite reduz o risco de infarto?

Ainda não existe comprovação suficiente de que o tratamento periodontal reduza diretamente a ocorrência de infarto, AVC ou morte cardiovascular.

Alguns estudos demonstram melhora de marcadores intermediários relacionados ao risco cardiovascular depois do tratamento periodontal, como determinados indicadores inflamatórios ou da função dos vasos sanguíneos.

Entretanto, melhorar um marcador laboratorial não é o mesmo que demonstrar redução de eventos clínicos.

Uma revisão de 2024 concluiu que pessoas com periodontite apresentam risco cardiovascular mais elevado, mas que a relação causal permanece incerta. O tratamento não cirúrgico pode modificar alguns marcadores de risco, porém isso ainda não comprova prevenção de eventos cardiovasculares.

O tratamento deve ser indicado para:

  • controlar a inflamação gengival;
  • reduzir bolsas periodontais;
  • preservar o suporte dos dentes;
  • controlar sangramento;
  • facilitar a higiene;
  • diminuir o risco de progressão da periodontite.

Como é feito o tratamento periodontal?

O tratamento depende da extensão e da gravidade da doença.

Pode incluir:

  • orientação individualizada de higiene;
  • controle da placa bacteriana;
  • remoção de tártaro nos dentes;
  • limpeza das superfícies radiculares;
  • controle do tabagismo;
  • avaliação do diabetes;
  • reavaliação periodontal;
  • manutenção periódica.

Quando existem bolsas e depósitos abaixo da gengiva, pode ser indicado o tratamento periodontal não cirúrgico.

A resposta depende da gravidade inicial, da anatomia das raízes, da higiene diária, do tabagismo, do controle metabólico e da adesão às consultas de manutenção.

Limpeza dental previne infarto?

Não existe evidência de que uma limpeza dental isolada previna infarto ou AVC.

A limpeza profissional tem objetivos bucais importantes:

  • remover tártaro;
  • controlar fatores que mantêm a gengivite;
  • eliminar determinadas manchas;
  • facilitar a higiene;
  • avaliar dentes e gengivas;
  • identificar precocemente alterações.

Ela contribui para uma boca mais saudável, mas não substitui o controle de pressão arterial, colesterol, glicose, tabagismo, alimentação e atividade física.

Também é importante distinguir limpeza preventiva de tratamento periodontal. Quando existem bolsas profundas e perda de suporte, apenas uma limpeza superficial pode não ser suficiente.

Quais bactérias gengivais são estudadas nessa relação?

A periodontite não é causada por uma única bactéria. Ela resulta da alteração do biofilme e de uma resposta inflamatória inadequada ou desregulada em uma pessoa suscetível.

Entre os microrganismos frequentemente estudados estão:

  • Porphyromonas gingivalis;
  • Aggregatibacter actinomycetemcomitans;
  • Tannerella forsythia;
  • Treponema denticola;
  • Fusobacterium nucleatum.

Componentes e material genético de microrganismos bucais foram investigados em tecidos vasculares e placas ateroscleróticas. Entretanto, sua presença não comprova que essas bactérias sejam as responsáveis diretas pelo desenvolvimento da doença cardiovascular.

O mecanismo provável é complexo e pode envolver atividade bacteriana, inflamação, resposta imunológica e fatores metabólicos.

Porphyromonas gingivalis causa infarto?

Não existe comprovação de que a Porphyromonas gingivalis cause diretamente um infarto.

Essa bactéria é estudada por sua participação na alteração do biofilme periodontal e por sua capacidade de interferir na resposta inflamatória.

Experimentos laboratoriais e estudos observacionais ajudam a compreender mecanismos possíveis, mas não permitem afirmar que a presença dessa bactéria na boca determine um evento cardiovascular.

O tratamento clínico da periodontite também não deve ser direcionado apenas a uma espécie bacteriana. O objetivo é controlar o biofilme, a inflamação e os fatores de risco.

Pessoas com doença cardíaca precisam cuidar mais da gengiva?

Sim, especialmente quando já existem sinais de inflamação ou dificuldade de higiene.

Pacientes com doença cardiovascular podem utilizar medicamentos, apresentar limitações físicas ou ter outras condições associadas, como diabetes.

O cuidado pode incluir:

  • escovação regular;
  • limpeza entre os dentes;
  • controle do tabagismo;
  • avaliação do sangramento gengival;
  • remoção profissional do tártaro;
  • tratamento da periodontite;
  • manutenção preventiva individualizada.

A European Federation of Periodontology recomenda maior integração entre profissionais de saúde bucal e médicos no acompanhamento de pacientes que apresentam simultaneamente periodontite e doenças crônicas.

O dentista precisa saber que o paciente tem doença cardiovascular?

Sim.

Informe ao dentista:

  • diagnóstico cardíaco;
  • histórico de infarto ou AVC;
  • cirurgias cardíacas;
  • presença de prótese valvar;
  • histórico de endocardite;
  • marcapasso ou outros dispositivos;
  • medicamentos utilizados;
  • uso de anticoagulantes ou antiagregantes;
  • pressão arterial;
  • orientação recente do cardiologista.

Essas informações ajudam a planejar o atendimento, avaliar possíveis interações medicamentosas e decidir se é necessária comunicação com o médico.

Nenhum medicamento cardiovascular deve ser interrompido por conta própria antes de um procedimento odontológico.

Quem usa anticoagulante pode fazer tratamento odontológico?

Frequentemente, sim.

O uso de anticoagulantes ou antiagregantes não impede automaticamente a realização de limpeza, raspagem, restaurações ou outros procedimentos.

Entretanto, o planejamento depende de:

  • medicamento utilizado;
  • dose;
  • motivo da prescrição;
  • tipo de procedimento;
  • risco individual de sangramento;
  • outras doenças;
  • orientação do médico quando necessária.

Suspender o medicamento sem autorização pode aumentar o risco de trombose, infarto ou AVC.

O dentista deve avaliar o procedimento e, quando necessário, conversar com o cardiologista ou médico responsável.

Todo paciente cardíaco precisa tomar antibiótico antes do dentista?

Não.

A profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos é reservada a um grupo pequeno de pacientes com maior risco de consequências graves caso desenvolvam endocardite infecciosa.

Segundo a American Heart Association, ela pode ser considerada para determinados procedimentos que manipulam a gengiva, a região ao redor das raízes ou perfuram a mucosa em pacientes com condições como:

  • prótese valvar cardíaca;
  • materiais protéticos utilizados em reparos de válvulas;
  • histórico anterior de endocardite infecciosa;
  • algumas cardiopatias congênitas;
  • transplante cardíaco acompanhado de doença valvar.

Ela não é recomendada rotineiramente para todas as pessoas com hipertensão, arritmia, sopro, marcapasso, stent ou doença coronariana. A decisão deve seguir o diagnóstico cardíaco e a orientação dos profissionais responsáveis.

O que é endocardite infecciosa?

A endocardite infecciosa é uma infecção que atinge o revestimento interno do coração ou determinadas estruturas, como válvulas cardíacas.

É uma condição diferente da aterosclerose e não deve ser confundida com a associação entre periodontite e infarto.

Algumas pessoas com condições cardíacas específicas apresentam maior risco de complicações graves. Nesses casos, o cardiologista e o dentista avaliam a necessidade de profilaxia antibiótica antes de determinados procedimentos.

A American Heart Association destaca que manter boa saúde bucal e realizar acompanhamento odontológico regular são medidas importantes na redução da exposição frequente a bactérias provenientes de tecidos inflamados.

Hipertensão influencia o atendimento odontológico?

A hipertensão não causa diretamente gengivite ou periodontite, mas é um fator cardiovascular importante e deve ser informado.

Durante o atendimento, podem ser considerados:

  • valores recentes da pressão;
  • medicamentos utilizados;
  • ansiedade;
  • duração do procedimento;
  • presença de outras doenças;
  • necessidade de controle médico.

Alguns medicamentos para pressão podem estar associados a boca seca ou aumento do volume da gengiva em determinadas pessoas.

O medicamento não deve ser suspenso sem orientação médica. Quando existe aumento gengival, o dentista pode avaliar a higiene, o acúmulo de placa e a necessidade de comunicação com o médico.

Diabetes aumenta simultaneamente os riscos periodontal e cardiovascular?

Sim.

O diabetes é um fator importante tanto para periodontite quanto para doenças cardiovasculares.

Quando o controle glicêmico está inadequado, pode haver:

  • maior resposta inflamatória;
  • periodontite mais grave;
  • cicatrização mais lenta;
  • boca seca;
  • maior risco cardiovascular.

A relação entre saúde bucal e diabetes também é bidirecional: o diabetes aumenta o risco periodontal, e a inflamação periodontal pode dificultar o controle glicêmico em algumas pessoas.

Por isso, pacientes com diabetes e doença cardiovascular merecem atenção especial à gengiva.

Tabagismo prejudica a gengiva e o coração?

Sim.

O tabagismo aumenta o risco de:

  • periodontite;
  • perda dentária;
  • doenças cardiovasculares;
  • AVC;
  • doenças respiratórias;
  • câncer.

Na gengiva, o cigarro ainda pode reduzir o sangramento aparente. Isso pode esconder sinais de inflamação e dar uma falsa impressão de saúde.

O cigarro eletrônico e seus efeitos na saúde bucal também merecem atenção. A ausência da fumaça convencional não significa ausência de exposição a substâncias que podem afetar o organismo.

O abandono do tabagismo é uma das medidas mais importantes para reduzir simultaneamente os riscos periodontal e cardiovascular.

Quais sinais da gengiva merecem atenção?

Procure avaliação quando houver:

  • sangramento frequente;
  • gengiva avermelhada;
  • gengiva inflamada;
  • retração;
  • tártaro visível;
  • mau hálito persistente;
  • secreção;
  • gosto ruim;
  • dentes parecendo mais longos;
  • mobilidade;
  • mudança na posição dos dentes;
  • espaços novos entre os dentes;
  • dificuldade para mastigar.

A periodontite pode avançar sem dor significativa. Por isso, esperar sentir dor não é uma estratégia segura.

Como cuidar da boca pensando também na saúde cardiovascular?

Escove os dentes regularmente

A escovação dos dentes deve ser realizada pelo menos duas vezes ao dia com creme dental fluoretado.

As cerdas devem alcançar a margem gengival sem movimentos agressivos.

Limpe entre os dentes

O fio dental pode ser adequado para contatos fechados.

Quando existem espaços maiores, retração ou histórico periodontal, a escova interdental pode oferecer melhor adaptação.

Cuide da língua

A limpeza da língua ajuda a controlar o excesso de saburra e pode contribuir para reduzir o mau hálito.

Ela deve ser feita suavemente, sem provocar ferimentos.

Use enxaguante somente quando indicado

O enxaguante bucal pode complementar a higiene, mas não substitui a remoção mecânica da placa.

Não fume

Abandonar o tabagismo beneficia dentes, gengivas, vasos sanguíneos, coração e pulmões.

Controle os fatores cardiovasculares

Mantenha acompanhamento médico para:

  • pressão arterial;
  • diabetes;
  • colesterol;
  • peso corporal;
  • atividade física;
  • alimentação;
  • medicamentos prescritos.

A prevenção cardiovascular não pode depender apenas da saúde bucal.

Realize acompanhamento preventivo

O Acompanhamento Preventivo da Saúde Bucal permite identificar sangramento, tártaro, perda de suporte e dificuldades de higiene.

O intervalo entre as consultas deve ser individualizado conforme a condição periodontal e os fatores de risco.

Pessoas com doença cardiovascular precisam de limpeza mais frequente?

Não existe um intervalo universal.

A frequência depende de:

  • presença de gengivite ou periodontite;
  • quantidade de placa e tártaro;
  • higiene diária;
  • tabagismo;
  • diabetes;
  • uso de próteses ou implantes;
  • limitações motoras;
  • resposta ao tratamento;
  • histórico de perda óssea.

Ter uma doença cardiovascular não significa automaticamente precisar de limpeza a cada três ou seis meses.

Pacientes com periodontite podem necessitar de manutenção periodontal em intervalos mais próximos, enquanto pessoas com gengivas saudáveis podem apresentar necessidades diferentes.

Como é feita a avaliação periodontal?

A avaliação pode incluir:

  • análise da placa e do tártaro;
  • observação do sangramento;
  • medição das bolsas gengivais;
  • avaliação da retração;
  • mobilidade dos dentes;
  • presença de secreção;
  • análise das próteses e restaurações;
  • exames radiográficos quando indicados;
  • histórico médico e medicamentoso.

A sondagem periodontal é importante porque uma gengiva pode parecer pouco alterada externamente e ainda apresentar bolsas e perda de suporte.

Quando o dentista deve conversar com o cardiologista?

A comunicação pode ser necessária quando existe:

  • dúvida sobre o diagnóstico cardíaco;
  • possível indicação de profilaxia antibiótica;
  • uso de anticoagulantes;
  • cirurgia odontológica planejada;
  • pressão arterial sem controle;
  • infarto ou AVC recente;
  • insuficiência cardíaca descompensada;
  • alteração recente dos medicamentos;
  • sintomas cardiovasculares;
  • necessidade de sedação;
  • condição clínica complexa.

A integração não significa que todo atendimento simples precise de autorização médica. A necessidade depende da condição do paciente e do procedimento planejado.

Atendimento em Campinas e Valinhos

A avaliação preventiva considera dentes, gengivas, língua, saliva, próteses, medicamentos e histórico geral de saúde.

O atendimento para Limpeza Dental em Campinas é realizado na unidade do Cambuí, na Rua Antônio Lapa, 1020.

Também realizamos Limpeza Dental em Valinhos, na Avenida Joaquim Alves Corrêa, 4480, sala 1.

Quando existem bolsas periodontais, perda óssea ou depósitos abaixo da gengiva, o atendimento deve ser direcionado ao diagnóstico e ao tratamento periodontal, e não apenas à limpeza superficial.

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A relação entre periodontite e doenças cardiovasculares faz parte do cluster de Saúde Bucal e Saúde Geral.

Outras condições relacionadas ao cuidado integral incluem:

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Uma rotina completa de Higiene Bucal ajuda a controlar a placa diariamente, enquanto a Limpeza Dental remove depósitos que não podem mais ser eliminados em casa.

O acompanhamento da Saúde da Gengiva permite diferenciar gengivite, periodontite, retração e outras alterações.

Perguntas frequentes sobre saúde bucal e doenças cardiovasculares

Gengivite causa infarto?

Não há comprovação de que a gengivite cause diretamente um infarto. A associação mais estudada ocorre entre periodontite e doenças cardiovasculares.

Periodontite aumenta o risco cardiovascular?

Estudos observacionais encontram maior frequência de doenças cardiovasculares em pessoas com periodontite, especialmente nas formas graves. A relação é influenciada por inflamação e fatores de risco compartilhados.

Fazer limpeza dental previne infarto?

Não. A limpeza controla placa e tártaro e beneficia a saúde bucal, mas não foi comprovada como forma isolada de prevenção de infarto.

Tratar a periodontite protege o coração?

O tratamento melhora a gengiva e pode beneficiar alguns marcadores cardiovasculares, mas ainda não foi demonstrado que previna diretamente infarto ou AVC.

Bactérias da boca podem chegar à circulação?

Podem entrar temporariamente na circulação, especialmente quando existem tecidos inflamados. Na maioria das pessoas, o organismo controla essa exposição.

Todo paciente cardíaco precisa tomar antibiótico antes do dentista?

Não. A profilaxia é reservada a pessoas com determinadas condições cardíacas de alto risco e apenas antes de alguns procedimentos.

Quem tem stent precisa de antibiótico antes da limpeza?

A presença de stent, isoladamente, não costuma estar entre as indicações de profilaxia para endocardite. O histórico completo deve ser informado ao dentista.

Quem usa anticoagulante pode fazer raspagem periodontal?

Frequentemente pode, mas o planejamento deve considerar o medicamento, o procedimento e o risco individual. O anticoagulante não deve ser suspenso sem orientação médica.

Gengiva sangrando é perigosa para o coração?

O sangramento geralmente indica inflamação local e merece avaliação. Ele não significa que um evento cardíaco esteja acontecendo.

Quem tem hipertensão pode fazer limpeza dental?

Em geral, sim. A pressão, os medicamentos e a condição clínica devem ser considerados no planejamento.

Diabetes aumenta a relação entre gengiva e coração?

O diabetes aumenta tanto o risco periodontal quanto o cardiovascular, principalmente quando o controle glicêmico está inadequado.

O cigarro pode esconder a doença periodontal?

Pode reduzir o sangramento aparente, mesmo quando existe inflamação e destruição periodontal.

Mau hálito pode indicar risco cardíaco?

O mau hálito não é um marcador confiável de doença cardiovascular. Geralmente está relacionado à língua, gengiva, boca seca ou outros fatores bucais.

Perder dentes aumenta o risco cardiovascular?

Perda dentária e doença cardiovascular aparecem associadas em estudos populacionais, mas ambas podem refletir fatores compartilhados, como tabagismo, diabetes, idade e acesso aos cuidados.

O dentista pode identificar fatores de risco cardiovascular?

Durante a consulta, pode reconhecer informações relevantes, como pressão alterada, tabagismo, diabetes conhecido ou histórico médico, e recomendar avaliação médica. O diagnóstico cardiovascular é realizado pela equipe médica.

Conclusão

Saúde bucal e doenças cardiovasculares estão relacionadas, mas essa relação deve ser explicada sem exageros.

A periodontite está associada a maior risco cardiovascular em estudos populacionais. Inflamação sistêmica, bacteremia transitória e fatores de risco compartilhados são os principais mecanismos investigados.

Entretanto, ainda não existe comprovação suficiente de que a periodontite seja uma causa direta de infarto ou AVC. Também não se pode prometer que uma limpeza dental ou um tratamento periodontal previna eventos cardiovasculares.

O tratamento da gengiva continua sendo importante porque reduz inflamação local, sangramento, bolsas periodontais e risco de perda dentária. Em pessoas com doenças cardiovasculares, diabetes ou tabagismo, esse acompanhamento se torna ainda mais relevante.

O cuidado completo combina higiene bucal, acompanhamento odontológico, controle da pressão, glicose e colesterol, alimentação equilibrada, atividade física, abandono do tabagismo e uso correto dos medicamentos prescritos.

Leia também

Referências científicas

  • American Heart Association. Declaração científica sobre doença periodontal e doença cardiovascular aterosclerótica, atualizada em 2025.
  • Sanz M et al. Periodontitis and cardiovascular diseases: Consensus report.
  • European Federation of Periodontology. Consenso sobre periodontite e doenças cardiovasculares.
  • Arbildo-Vega HI et al. Periodontal disease and cardiovascular disease: umbrella review.
  • Meng R et al. Effect of non-surgical periodontal therapy on cardiovascular risk markers.
  • Kim JY et al. Periodontitis and atherosclerotic cardiovascular disease.
  • American Heart Association. Orientações sobre prevenção de endocardite infecciosa.