Algumas pessoas percebem um padrão curioso: depois de um dia muito cansativo ou de várias noites dormindo pouco, o ronco parece ficar mais intenso.
Isso pode acontecer, mas é importante fazer uma distinção. O que possui melhor explicação científica não é simplesmente “estar cansado”, mas estar com privação de sono. Dormir menos do que o organismo necessita pode alterar mecanismos neuromusculares envolvidos na manutenção da abertura das vias respiratórias durante o sono.
Se o ronco está se tornando frequente, vale também conhecer as diferentes possibilidades de tratamento para ronco.
Resposta rápida
Dormir pouco pode favorecer uma piora da respiração durante o sono em algumas pessoas. Estudos fisiológicos mostram que a privação de sono pode reduzir a capacidade de resposta dos músculos que ajudam a manter a garganta aberta. Porém, sentir-se cansado não significa automaticamente que você roncará mais, e um aumento persistente do ronco merece investigação de outras causas.
Entenda as diferenças
Neste vídeo, o Dr. Paulo Coelho explica as diferenças entre o CPAP e o aparelho intraoral individualizado no tratamento do ronco e da apneia do sono, incluindo indicações, adaptação e acompanhamento.
Está em dúvida sobre qual tratamento pode ser mais adequado para o seu caso? Agende uma avaliação individualizada.
Agende sua avaliação pelo WhatsApp →A escolha entre o CPAP e o aparelho intraoral depende do diagnóstico, da gravidade da apneia, das características das vias aéreas e da adaptação de cada paciente.
Por que dormir pouco pode interferir no ronco?
Durante o sono ocorre uma redução natural da atividade de alguns músculos responsáveis por ajudar a manter as vias respiratórias superiores abertas.
Um deles é o genioglosso, importante músculo da língua que participa da estabilização da passagem do ar.
Estudos fisiológicos mostram que, na transição da vigília para o sono, existe redução da atividade de músculos dilatadores das vias aéreas.
Quando existe privação de sono, a capacidade desses músculos de responder a estímulos que tentam fechar a via aérea também pode ficar reduzida. Essa alteração foi demonstrada em estudos experimentais, embora isso não permita concluir que toda pessoa privada de sono necessariamente roncará mais.
Então o cansaço relaxa mais a garganta?
Não é exatamente assim
A explicação popular de que “quando estou exausto, minha garganta relaxa demais” é simplificada demais.
O sistema respiratório durante o sono é controlado por uma interação entre anatomia, atividade muscular, controle da ventilação, posição corporal e diferentes estágios do sono.
A privação de sono pode interferir nesses mecanismos, mas a intensidade do ronco continua dependendo de vários outros fatores.
Por isso, é possível estar muito cansado e não roncar mais — assim como é possível roncar intensamente em uma noite em que você não se sente particularmente cansado.
Para entender essas outras influências, veja por que o ronco pode variar de uma noite para outra.
Dormir profundamente depois de uma noite mal dormida pode piorar?
Depois de privação de sono, pode ocorrer uma mudança na organização do sono e uma recuperação de determinadas fases.
Estudos experimentais em pacientes com apneia observaram que a privação prévia de sono pode aumentar sonolência e modificar parâmetros respiratórios na noite seguinte.
Isso não significa que “sono profundo causa ronco”. A relação é mais complexa, porque a atividade dos músculos das vias respiratórias e sua estabilidade variam conforme a fase do sono.
Outros fatores podem estar acontecendo justamente nos dias de maior cansaço
Às vezes atribuímos a piora ao cansaço quando outras mudanças aconteceram na mesma noite.
Por exemplo:
- você passou mais tempo dormindo de barriga para cima;
- consumiu bebida alcoólica;
- estava com o nariz congestionado;
- dormiu menos nas noites anteriores;
- utilizou algum medicamento sedativo;
- houve mudança importante da rotina.
Todos esses fatores podem interferir na passagem do ar durante o sono. Por isso, vale analisar o contexto completo em vez de atribuir automaticamente o ronco ao cansaço.
Veja também o que causa o ronco.
Existe também o caminho contrário: o ronco pode estar causando o cansaço
Esse ponto é especialmente importante.
Às vezes a pessoa pensa:
“Eu ronco porque estou cansado.”
Mas a sequência pode estar acontecendo ao contrário.
Ronco associado a um distúrbio respiratório do sono pode fragmentar o descanso e contribuir para fadiga e sonolência durante o dia. Estudos encontram associação entre ronco, privação de sono, fadiga e sonolência.
Na apneia obstrutiva do sono, episódios repetidos de obstrução das vias aéreas podem provocar despertares e tornar o sono pouco restaurador.
Forma-se, então, uma situação que merece investigação:
sono ruim → cansaço durante o dia → nova noite de sono ruim.
Como saber se é apenas uma noite de cansaço?
Observe o padrão durante alguns dias.
Se o ronco aparece principalmente após períodos em que você dormiu pouco e melhora quando recupera uma rotina regular de sono, isso pode fornecer uma pista.
Mas fique atento se:
- o ronco acontece quase todas as noites;
- está progressivamente mais intenso;
- seu parceiro observa pausas respiratórias;
- você acorda engasgando;
- acorda cansado apesar de dormir várias horas;
- apresenta sonolência importante durante o dia;
- sente dificuldade de concentração.
Nesse cenário, o objetivo não deve ser simplesmente “dormir mais para parar de roncar”. É importante descobrir se existe outro distúrbio respiratório associado.
Dormir mais pode fazer o ronco desaparecer?
Pode ajudar quando a privação de sono é um fator agravante, mas não é um tratamento universal para ronco.
Se houver estreitamento anatômico da via respiratória, alterações mandibulares, obstrução nasal, excesso de peso ou apneia do sono, corrigir apenas a duração do sono pode não ser suficiente.
O tratamento para ronco deve ser escolhido de acordo com a causa e com as características individuais.
Quando procurar avaliação odontológica?
Se o ronco é frequente ou continua intenso mesmo depois de regularizar o sono e corrigir fatores simples, uma avaliação pode ajudar a investigar sua origem.
Na Odontologia do Sono podem ser avaliados mandíbula, mordida, espaço para a língua, dentes, gengivas e outras características relevantes.
Em pacientes corretamente selecionados, um aparelho para ronco pode fazer parte do tratamento. Isso depende, porém, do diagnóstico e da investigação de eventual apneia.
Onde realizar uma avaliação do ronco?
O Prof. Dr. Paulo Coelho realiza avaliação odontológica das estruturas bucais, da mordida e das condições necessárias para o uso de aparelho intraoral individualizado em casos selecionados de ronco e apneia obstrutiva do sono.
Os atendimentos são realizados em São Paulo, Campinas e Valinhos.
Tratamento do ronco e da apneia em Campinas
Tratamento do ronco e da apneia em Valinhos
Tratamento do ronco e da apneia em Hortolândia
Tratamento do ronco e da apneia no Brooklin
Tratamento do ronco e da apneia no Tatuapé
Perguntas frequentes
Não necessariamente. Existe evidência de que a privação de sono interfere em mecanismos relacionados à abertura das vias respiratórias, mas o ronco é multifatorial.
Pode contribuir em algumas pessoas, especialmente naquelas que já apresentam tendência ao estreitamento das vias respiratórias durante o sono.
Recuperar uma rotina adequada de sono é importante, mas não corrige todas as causas do ronco.
Pode existir associação, principalmente quando o ronco acompanha apneia ou outro distúrbio respiratório que fragmenta o sono.
Não confirmam o diagnóstico, mas a combinação merece mais atenção quando também existem pausas respiratórias, engasgos ou sono pouco restaurador.
Conclusão
A percepção de que o ronco piora quando você está muito cansado pode ter fundamento, principalmente quando esse cansaço é consequência de noites de sono insuficiente.
Mas não é correto considerar o cansaço uma causa isolada do ronco.
Se dormir melhor reduz o problema, essa informação é útil. Se o ronco continua frequente, piora progressivamente ou vem acompanhado de pausas respiratórias e sonolência, é melhor investigar a causa.
Conheça as diferentes possibilidades de avaliação e tratamento para ronco.
Referências científicas
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PubMed Central – Sleep deprivation and upper airway muscle responsiveness
O’Donnell CP et al. Effect of sleep deprivation on responses to airway obstruction in the sleeping dog. Journal of Applied Physiology. 1994.
PubMed – Effect of sleep deprivation on airway obstruction
Fogel RB et al. The effect of sleep onset on upper airway muscle activity in patients with sleep apnoea versus controls. Journal of Physiology. 2005.
PubMed Central – Sleep onset and upper airway muscle activity
Cori JM et al. Sleeping tongue: current perspectives of genioglossus control in healthy individuals and patients with obstructive sleep apnea. Nature and Science of Sleep. 2018.
PubMed Central – Genioglossus control during sleep
Stuck BA, Hofauer B. The Diagnosis and Treatment of Snoring in Adults. Deutsches Ärzteblatt International. 2019.
PubMed Central – Diagnosis and Treatment of Snoring in Adults
