O ronco pode piorar com o passar dos anos

O ronco pode piorar com o passar dos anos?

Sim. O ronco pode se tornar mais frequente ou mudar de característica com o passar dos anos, mas isso não acontece da mesma maneira com todas as pessoas.

O envelhecimento pode modificar a anatomia e o funcionamento das vias respiratórias durante o sono. Além disso, fatores que se acumulam ao longo da vida — como ganho de peso, alterações nasais, medicamentos, mudanças hormonais e redução da estabilidade das vias aéreas — podem contribuir para uma piora.

Por isso, quando alguém percebe que começou a roncar mais com a idade, vale entender o que causa o ronco e verificar se surgiram outros sinais durante o sono.

Resposta rápida

O ronco pode piorar com o passar dos anos porque a via respiratória também muda com o envelhecimento. Alterações na estabilidade da garganta, ganho de peso e outros fatores podem favorecer seu estreitamento durante o sono. Porém, envelhecer não significa obrigatoriamente roncar mais. Uma mudança persistente, especialmente com pausas respiratórias, merece avaliação.

Entenda as diferenças

CPAP ou aparelho intraoral: qual é o melhor?

Neste vídeo, o Dr. Paulo Coelho explica as diferenças entre o CPAP e o aparelho intraoral individualizado no tratamento do ronco e da apneia do sono, incluindo indicações, adaptação e acompanhamento.

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A escolha entre o CPAP e o aparelho intraoral depende do diagnóstico, da gravidade da apneia, das características das vias aéreas e da adaptação de cada paciente.

O que muda nas vias respiratórias quando envelhecemos?

Durante o sono, existe uma redução natural da atividade dos músculos que ajudam a manter a garganta aberta.

Com o envelhecimento, também podem ocorrer mudanças na função dos músculos das vias respiratórias e na capacidade da garganta de resistir ao estreitamento durante o sono. Estudos fisiológicos mostram diferenças relacionadas à idade na função da musculatura das vias aéreas superiores.

Isso não significa simplesmente que “a garganta fica flácida”.

O funcionamento da via aérea depende da combinação entre anatomia, atividade muscular, controle da respiração, posição corporal e outros fatores.

A garganta pode ficar mais fácil de fechar com a idade?

Em algumas pessoas, sim.

Pesquisas comparando pacientes mais jovens e mais velhos com apneia encontraram maior participação da anatomia e da colapsabilidade da via aérea nos adultos mais velhos.

Colapsabilidade significa, de maneira simples, a tendência que a passagem de ar apresenta de se estreitar ou fechar durante o sono.

Quanto mais estreita essa passagem, maior pode ser a turbulência do ar e a vibração dos tecidos que produz o ronco.

Ganhar peso ao longo dos anos também pode piorar o problema

Nem toda piora relacionada à idade é provocada diretamente pelo envelhecimento.

O ganho de peso ao longo dos anos pode ter uma participação importante.

Em um estudo longitudinal, mudanças no peso estiveram fortemente associadas a mudanças na gravidade dos distúrbios respiratórios do sono. Um aumento de 10% no peso foi associado a aproximadamente 32% de aumento no índice de apneia e hipopneia naquele estudo.

Isso não quer dizer que pessoas magras não ronquem. Anatomia da mandíbula, língua, palato, nariz e garganta também podem favorecer o problema.

O ronco pode evoluir ao longo de vários anos?

Pode.

Um estudo que acompanhou homens com ronco primário e diferentes graus de apneia encontrou progressão dos eventos respiratórios ao longo de aproximadamente cinco anos em parte dos participantes. O ganho de peso teve papel importante nessa progressão, e o próprio tempo também apresentou associação.

Isso é importante porque alguém pode começar apenas com ronco e, anos depois, apresentar um padrão respiratório diferente.

Mas esse resultado não significa que todo ronco inevitavelmente se transforme em apneia.

A evolução varia bastante entre indivíduos.

Nas mulheres, a menopausa pode participar dessa mudança?

Pode.

Nas mulheres, o risco de distúrbios respiratórios do sono também se modifica com o envelhecimento e com a transição para a menopausa. Estudos apontam aumento da prevalência de apneia em mulheres mais velhas, relacionado, entre outros fatores, a maior tendência de colapso das vias aéreas.

Por isso, uma mulher que nunca roncou ou roncava pouco pode perceber o surgimento ou intensificação do problema nessa fase.

Isso não significa que a menopausa seja, sozinha, a causa do ronco. Peso, anatomia, respiração nasal e outros fatores precisam ser considerados.

Envelhecer significa que todo mundo vai roncar?

Não.

Esse ponto é importante para não transformar envelhecimento em diagnóstico.

Estudos populacionais mostram que ronco é frequente entre adultos e idosos, mas o padrão não aumenta necessariamente de forma linear em todas as idades. Em uma grande população de adultos mais velhos, por exemplo, o ronco alto chegou a ser menos frequente nos participantes acima de 75 anos.

Portanto, idade aumenta a relevância de determinados fatores respiratórios, mas não torna o ronco inevitável.

Quando uma piora com a idade merece mais atenção?

Preste atenção quando um ronco que antes era ocasional passa a acontecer praticamente todas as noites.

Também merecem investigação:

  • pausas na respiração observadas pelo parceiro;
  • períodos de silêncio seguidos de engasgos;
  • despertares com sensação de sufocamento;
  • sono pouco reparador;
  • cansaço pela manhã;
  • sonolência durante o dia;
  • dificuldade de concentração.

Nessas situações, a questão deixa de ser apenas “estou roncando mais porque envelheci?” e passa a ser “existe algum distúrbio respiratório durante meu sono?”.

Veja também o que fazer quando o ronco começa a piorar.

Preciso aceitar o ronco porque estou ficando mais velho?

Não.

Mesmo quando o envelhecimento participa do problema, existem fatores que podem ser avaliados e tratados.

O tratamento para ronco depende da causa. Pode envolver mudanças de hábitos, controle de peso quando indicado, tratamento da obstrução nasal, terapia posicional e tratamentos específicos quando existe estreitamento das vias aéreas ou apneia.

Em casos selecionados, um aparelho para ronco também pode ser considerado após avaliação adequada.

Quando procurar avaliação odontológica?

Uma avaliação em Odontologia do Sono pode ser útil quando o ronco se torna mais frequente com os anos ou começa a afetar a qualidade do sono.

Podem ser avaliadas características da mandíbula, mordida, língua, dentes, gengivas e condições necessárias para o uso seguro de um aparelho intraoral.

Quando existem sinais de apneia, entretanto, é importante investigar também a respiração durante o sono, e um exame específico pode ser indicado.

Onde realizar uma avaliação do ronco?

O Prof. Dr. Paulo Coelho realiza avaliação odontológica das estruturas bucais, da mordida e das condições necessárias para o uso de aparelho intraoral individualizado em casos selecionados de ronco e apneia obstrutiva do sono.

Os atendimentos são realizados em São Paulo, Campinas e Valinhos.

Tratamento do ronco e da apneia em Campinas

Tratamento do ronco e da apneia em Valinhos

Tratamento do ronco e da apneia em Hortolândia

Tratamento do ronco e da apneia no Brooklin

Tratamento do ronco e da apneia no Tatuapé

Perguntas frequentes

A idade sozinha causa ronco?

Não. O envelhecimento pode favorecer mudanças nas vias respiratórias, mas geralmente o ronco resulta da combinação de vários fatores.

Por que comecei a roncar depois dos 50 anos?

Alterações relacionadas à idade podem participar, mas também é importante observar mudanças de peso, obstrução nasal, álcool, medicamentos e, nas mulheres, a transição para a menopausa.

Meu ronco ficou mais alto com a idade. Isso significa apneia?

Não necessariamente. O volume do ronco não confirma apneia. Pausas respiratórias, engasgos e sintomas durante o dia aumentam a necessidade de investigação.

Emagrecer pode ajudar se meu ronco piorou com os anos?

Pode ajudar quando o peso está contribuindo para o estreitamento das vias respiratórias, mas não resolve todas as causas.

Uma pessoa que sempre roncou precisa ser reavaliada com o passar dos anos?

Pode ser importante quando o padrão muda, o ronco aumenta ou surgem novos sintomas. As condições respiratórias e os fatores de risco podem mudar ao longo do tempo.

Conclusão

O ronco pode mudar e até piorar com o passar dos anos, mas isso não deve ser encarado simplesmente como uma consequência inevitável da idade.

Mudanças nas vias respiratórias, ganho de peso e outros fatores podem alterar a respiração durante o sono.

Se o ronco está ficando mais frequente, principalmente quando surgem pausas respiratórias, engasgos ou sonolência, vale investigar em vez de apenas aceitar a mudança.

Conheça as possibilidades de avaliação e tratamento para ronco.

Referências científicas

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PubMed – Progression of snoring and obstructive sleep apnoea

Edwards BA et al. Obstructive sleep apnea in older adults is a distinctly different physiological phenotype. Sleep. 2014.
PubMed – Obstructive sleep apnea in older adults

Oliven A et al. Age-related changes in upper airway muscles morphological and oxidative properties. Experimental Gerontology. 2001.
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Peppard PE et al. Longitudinal study of moderate weight change and sleep-disordered breathing. JAMA. 2000.
PubMed – Weight change and sleep-disordered breathing

Noal RB et al. Habitual snoring and obstructive sleep apnea in adults: population-based study in Southern Brazil. Revista de Saúde Pública. 2008.
PubMed – Habitual snoring and obstructive sleep apnea

Dr Paulo Coelho

Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com ênfase em Distúrbios do Sono, integrando conhecimentos da saúde bucal e emocional para uma abordagem mais completa do paciente.

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