É comum o ronco não permanecer igual durante toda a noite. Uma pessoa pode passar alguns períodos quase sem fazer barulho e, pouco depois, começar a roncar intensamente.
Isso acontece porque o sono não é um estado constante. Ao longo da noite, mudamos de posição, passamos por diferentes fases do sono e apresentamos alterações naturais no tônus dos músculos e na passagem do ar pelas vias respiratórias.
Estudos que analisaram o ronco durante a polissonografia mostram que tanto a posição corporal quanto as fases do sono podem modificar sua frequência e intensidade.
Quando essas mudanças são muito marcantes ou aparecem acompanhadas de pausas respiratórias, vale conhecer as possibilidades de tratamento para ronco e investigar se existe algum distúrbio respiratório associado.
Resposta rápida
O ronco pode aumentar e diminuir durante a mesma noite porque a passagem do ar muda conforme a posição de dormir, as fases do sono e o grau de estreitamento das vias respiratórias. Dormir de barriga para cima costuma favorecer ronco mais frequente ou intenso em muitas pessoas. Essas variações são comuns, mas pausas respiratórias, engasgos e períodos prolongados de silêncio merecem investigação.
Assista à explicação
O aparelho para ronco funciona mesmo?
Neste vídeo, o Dr. Paulo Coelho explica como o aparelho intraoral para ronco atua durante o sono e por que o tratamento deve ser planejado de acordo com as características de cada paciente.
Quer saber se o aparelho intraoral para ronco e apneia do sono sob medida pode ser uma opção para o seu caso? Agende uma avaliação individualizada.
Agende sua avaliação pelo WhatsApp →A posição de dormir pode mudar o ronco em poucos minutos
Uma das explicações mais importantes é a posição corporal.
Quando a pessoa está deitada de barriga para cima, a gravidade pode favorecer o deslocamento posterior da língua e de outros tecidos da garganta.
Isso pode reduzir o espaço para a passagem do ar e aumentar a vibração responsável pelo ronco.
Em um estudo com pessoas que roncavam com e sem apneia, a frequência e a intensidade média do ronco foram maiores na posição de barriga para cima do que na posição lateral.
Isso explica uma situação muito comum:
a pessoa está dormindo de lado e quase não ronca; vira de barriga para cima e, poucos minutos depois, o parceiro percebe que o ronco ficou muito mais forte.
Veja também por que dormir de lado pode diminuir o ronco.
As fases do sono também interferem no ronco
Não dormimos da mesma maneira a noite inteira
Durante uma noite normal, passamos repetidamente por diferentes estágios do sono.
A atividade cerebral, o tônus muscular e o controle respiratório mudam entre essas fases.
Por isso, o ronco também pode apresentar diferentes padrões.
Estudos encontraram diferenças na frequência do ronco conforme o estágio do sono. Em alguns grupos, ele foi mais frequente durante o sono de ondas lentas do que em outras fases.
Isso significa que o ronco não precisa permanecer com o mesmo volume, ritmo ou frequência do momento em que a pessoa adormece até o momento em que acorda.
Por que às vezes existe um período de silêncio e depois um ronco muito forte?
Essa situação precisa ser interpretada com cuidado.
Uma possibilidade simples é que a pessoa tenha mudado de posição ou passado por uma mudança na fase do sono.
Mas existe outra situação importante: em pessoas com apneia obstrutiva do sono, podem ocorrer períodos de redução ou interrupção da passagem do ar seguidos de retomada da respiração.
Nesses casos, o parceiro pode perceber:
- ronco;
- alguns segundos de silêncio;
- esforço respiratório;
- engasgo;
- retomada da respiração com ronco mais intenso.
Esse padrão não permite diagnosticar apneia apenas pela observação, mas merece avaliação.
Para entender melhor, veja o que diferencia o ronco da apneia do sono.
Roncar mais forte em determinado momento significa que a apneia ficou pior?
Não necessariamente.
O volume do ronco e a gravidade da apneia não caminham sempre juntos.
Uma análise de mais de 290 mil eventos respiratórios e de ronco mostrou que características do ronco mudam ao longo do sono e que a intensidade sonora, isoladamente, não apresentou correlação suficiente com o índice de apneia-hipopneia para servir como medida de gravidade.
Portanto:
ronco mais alto não significa automaticamente apneia mais grave.
Da mesma forma, um período de ronco mais baixo não comprova que a respiração esteja normal.
O ronco pode diminuir sozinho ao longo da noite?
Pode.
Um estudo que analisou sons respiratórios durante uma noite inteira encontrou redução progressiva da frequência de eventos de ronco ao longo do tempo de sono no grupo estudado.
Isso mostra como é inadequado avaliar uma pessoa apenas ouvindo alguns minutos do início da noite.
O ronco é dinâmico.
Por isso, uma gravação curta pode não representar o padrão respiratório de várias horas de sono.
E se o ronco muda todas as noites também?
Essa é uma questão diferente.
Dentro da mesma noite, posição e estágios do sono ajudam a explicar por que o som varia.
Entre uma noite e outra, outros fatores podem entrar em jogo, como congestão nasal, álcool, privação de sono e quanto tempo a pessoa passou em determinada posição.
Para essa situação, consulte por que você pode roncar mais em algumas noites do que em outras.
O que o parceiro pode observar?
Quem dorme ao lado pode fornecer informações importantes.
Vale observar se o ronco:
- piora quando a pessoa vira de barriga para cima;
- diminui quando ela volta a dormir de lado;
- apresenta períodos longos de silêncio;
- é seguido por engasgos;
- vem acompanhado de movimentos bruscos;
- parece associado a dificuldade para respirar.
Não é necessário passar a noite fiscalizando o sono do parceiro.
O objetivo é apenas reconhecer padrões que possam ser relatados durante uma avaliação.
Aplicativo de celular consegue explicar essa variação?
Aplicativos e gravadores podem registrar diferenças no som durante a noite e ajudar a mostrar que o ronco não é constante.
Mas existe uma limitação importante.
O telefone registra principalmente som. Ele não mede adequadamente, por si só, todos os parâmetros necessários para diagnosticar apneia do sono.
Quando existe suspeita de distúrbio respiratório, a avaliação adequada pode incluir polissonografia ou teste domiciliar indicado para o caso. A polissonografia continua sendo uma ferramenta central para avaliar distúrbios respiratórios relacionados ao sono.
Quando procurar avaliação odontológica?
A avaliação em Odontologia do Sono pode ser útil quando o ronco é frequente ou apresenta mudanças importantes durante a noite.
Podem ser avaliadas características da mandíbula, língua, mordida, dentes, gengivas e outras estruturas que influenciam a passagem do ar.
Em pacientes selecionados, um aparelho para ronco pode fazer parte do tratamento.
Quando existem pausas respiratórias, engasgos ou outros sinais sugestivos de apneia, porém, o objetivo não deve ser simplesmente reduzir o volume do ronco. É importante investigar a respiração durante o sono.
Onde realizar uma avaliação do ronco?
O Prof. Dr. Paulo Coelho realiza avaliação odontológica das estruturas bucais, da mordida e das condições necessárias para o uso de aparelho intraoral individualizado em casos selecionados de ronco e apneia obstrutiva do sono.
Os atendimentos são realizados em São Paulo, Campinas e Valinhos.
Tratamento do ronco e da apneia em Campinas
Tratamento do ronco e da apneia em Valinhos
Tratamento do ronco e da apneia em Hortolândia
Tratamento do ronco e da apneia no Brooklin
Tratamento do ronco e da apneia no Tatuapé
Perguntas frequentes
Sim. A intensidade e a frequência podem mudar conforme posição corporal e estágio do sono. Isso não significa, sozinho, que exista uma doença.
Essa posição pode favorecer o deslocamento posterior da língua e de tecidos da garganta, estreitando a passagem do ar. Estudos mostram maior frequência e intensidade de ronco nessa posição em muitas pessoas.
Não necessariamente. Porém, períodos de silêncio associados a esforço respiratório, pausas observadas ou engasgos merecem avaliação.
Sim. Pesquisas mostram diferenças na frequência do ronco entre diferentes estágios do sono.
Pode ajudar a mostrar padrões e fornecer informações para o profissional, mas uma gravação não substitui um exame do sono quando existe suspeita de apneia.
Conclusão
O ronco pode mudar bastante de intensidade durante a mesma noite, principalmente porque mudamos de posição e passamos por diferentes fases do sono.
Isso explica por que alguém pode ficar alguns períodos quase em silêncio e depois começar a roncar novamente.
O mais importante é observar como essa variação acontece.
Se existirem pausas respiratórias, engasgos, despertares com falta de ar, sono não reparador ou sonolência durante o dia, vale investigar além do barulho.
Para conhecer as principais formas de avaliação e tratamento para ronco, consulte a página central do nosso cluster.
Referências científicas
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PubMed – Clinical and polysomnographic determinants of snoring
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PubMed – Polysomnography
