Não me adaptei ao CPAP

Não me adaptei ao CPAP: o que fazer?

Receber o diagnóstico de apneia do sono e descobrir que precisa usar CPAP já pode gerar muitas dúvidas. Para algumas pessoas, surge ainda outro problema: o tratamento funciona, mas elas simplesmente não conseguem se adaptar ao aparelho.

Máscara incomodando, sensação de sufocamento, vazamento de ar, boca seca, dificuldade com a pressão ou claustrofobia estão entre as queixas que podem dificultar o uso.

Se você pensa “não me adaptei ao CPAP”, isso não significa que deva simplesmente abandonar o tratamento.

O primeiro passo é descobrir por que o CPAP está sendo difícil de usar. Em alguns casos, ajustes podem melhorar bastante a adaptação. Em outros, pode ser necessário avaliar diferentes possibilidades de tratamento.

Entenda as diferenças

CPAP ou aparelho intraoral: qual é o melhor?

Neste vídeo, o Dr. Paulo Coelho explica as diferenças entre o CPAP e o aparelho intraoral individualizado no tratamento do ronco e da apneia do sono, incluindo indicações, adaptação e acompanhamento.

Está em dúvida sobre qual tratamento pode ser mais adequado para o seu caso? Agende uma avaliação individualizada.

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A escolha entre o CPAP e o aparelho intraoral depende do diagnóstico, da gravidade da apneia, das características das vias aéreas e da adaptação de cada paciente.

É comum ter dificuldade para se adaptar ao CPAP?

Sim. A adesão ao CPAP é uma questão importante no tratamento da apneia obstrutiva do sono.

Embora o equipamento seja muito eficaz para manter as vias respiratórias abertas durante o sono, sua eficácia na vida real depende também de o paciente conseguir utilizá-lo de maneira regular.

A adaptação é influenciada por vários fatores, incluindo máscara, pressão, efeitos colaterais, características individuais e aspectos comportamentais. Estudos também mostram que acompanhamento e intervenções direcionadas podem aumentar o uso do CPAP.

Portanto, encontrar dificuldade no início não significa necessariamente que o tratamento fracassou.

Por que algumas pessoas não conseguem usar o CPAP?

Existem diferentes motivos.

Algumas pessoas apresentam apenas um problema relativamente simples de resolver, enquanto outras enfrentam várias dificuldades ao mesmo tempo.

Entre as queixas mais frequentes estão:

  • máscara desconfortável ou que deixa marcas;
  • vazamento de ar;
  • ressecamento do nariz ou da boca;
  • sensação de pressão excessiva;
  • dificuldade para expirar;
  • congestão nasal;
  • sensação de claustrofobia;
  • dificuldade para dormir usando a máscara;
  • retirada involuntária do equipamento durante a madrugada.

O tipo de máscara também pode influenciar conforto, eficácia e adesão. Estudos mostram que diferentes interfaces podem produzir experiências distintas para o paciente.

Por isso, antes de concluir que você “não consegue usar CPAP”, é importante identificar qual é exatamente a dificuldade.

Devo abandonar o CPAP se não estou conseguindo me adaptar?

Não é recomendável simplesmente interromper o tratamento por conta própria, especialmente quando existe diagnóstico de apneia obstrutiva do sono.

O CPAP atua evitando o colapso das vias respiratórias enquanto você dorme. Quando seu uso é interrompido, esse efeito protetor deixa de acontecer.

A melhor conduta é conversar com o profissional responsável pelo tratamento e explicar exatamente o que está dificultando a utilização.

Muitas vezes é possível tentar resolver o problema antes de procurar outra modalidade terapêutica.

Trocar a máscara pode ajudar?

Em alguns pacientes, sim.

A máscara precisa apresentar boa vedação sem exigir aperto excessivo. Seu formato também deve ser compatível com a anatomia, a respiração e os hábitos do paciente.

Uma pessoa que apresenta vazamentos constantes, desconforto ou claustrofobia pode precisar testar outra interface.

Isso significa que não se adaptar a determinada máscara não é necessariamente a mesma coisa que não se adaptar ao tratamento com pressão positiva.

Por isso, vale investigar essa possibilidade antes de desistir.

Ressecamento e nariz entupido podem ser tratados?

Dependendo da causa, algumas medidas podem melhorar esses sintomas.

A humidificação aquecida, avaliação de problemas nasais e outros ajustes são utilizados em alguns pacientes. Entretanto, a evidência mostra que nem toda modificação do equipamento produz grandes melhorias de adesão para todas as pessoas.

O tratamento precisa ser individualizado.

Se houver obstrução nasal persistente, por exemplo, pode ser necessária avaliação específica das vias respiratórias.

CPAP ou aparelho intraoral

Está em dúvida sobre qual tratamento pode ser mais adequado?

A escolha entre CPAP e aparelho intraoral não deve ser feita apenas com base no conforto ou na preferência pessoal.

A gravidade da apneia, a oxigenação durante o sono, os resultados dos exames, a adaptação ao CPAP e as características da boca e da mandíbula precisam ser consideradas antes de definir o tratamento.

Se você já tentou utilizar o CPAP e não conseguiu se adaptar, uma avaliação individualizada pode ajudar a entender quais outras possibilidades podem ser consideradas para o seu caso.

O objetivo não é simplesmente escolher entre dois aparelhos, mas encontrar uma opção que seja adequada ao diagnóstico, segura e viável para ser utilizada durante o sono.

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E se o problema for a pressão do CPAP?

A sensação de pressão elevada é outra queixa possível.

Equipamentos e configurações de pressão podem funcionar de maneiras diferentes. Existem CPAP de pressão fixa, equipamentos automáticos e modalidades de pressão positiva com características distintas.

Isso não significa que mudar automaticamente para outro aparelho resolverá o problema.

A pressão deve estar adequada ao tratamento da apneia e quaisquer ajustes precisam considerar os dados clínicos e, quando disponíveis, as informações registradas pelo próprio equipamento.

Em pacientes anteriormente não aderentes, intervenções que incluíram otimização da máscara, humidificação, tratamento nasal e educação conseguiram melhorar a utilização em uma parcela dos pacientes estudados.

E se eu realmente não conseguir me adaptar ao CPAP?

É justamente nesse momento que devemos separar duas perguntas:

“O CPAP não está bem ajustado para mim?”

e

“Mesmo adequadamente ajustado, eu não consigo utilizá-lo?”

Se diferentes tentativas de adaptação foram realizadas e o CPAP continua inviável, vale discutir com o profissional responsável quais alternativas ao CPAP podem ser consideradas.

Existem diferentes possibilidades, mas nenhuma delas serve automaticamente para todos os pacientes.

A escolha depende principalmente do diagnóstico, da gravidade da apneia, da oxigenação durante o sono, das características das vias respiratórias e de fatores individuais.

Aparelho intraoral pode ser uma alternativa ao CPAP?

Em pacientes selecionados, sim.

Os aparelhos intraorais utilizados no tratamento da apneia geralmente procuram manter a mandíbula em uma posição mais anterior durante o sono. Isso pode favorecer a abertura das vias respiratórias em determinados pacientes.

As diretrizes conjuntas da American Academy of Sleep Medicine e da American Academy of Dental Sleep Medicine recomendam que a terapia com aparelho intraoral seja considerada para adultos com apneia obstrutiva do sono que não toleram CPAP ou preferem uma terapia alternativa. Quando indicada, é recomendada a utilização de um dispositivo individualizado e ajustável, acompanhado por profissional qualificado.

Isso não significa que qualquer aparelho comprado pela internet possa substituir o CPAP.

Também não significa que todo paciente intolerante ao CPAP tenha indicação para aparelho intraoral.

CPAP ou aparelho intraoral: qual é melhor?

Depende do caso.

O CPAP geralmente apresenta maior capacidade de reduzir o índice de apneia-hipopneia e melhorar parâmetros de oxigenação. Por isso, continua sendo uma terapia extremamente importante para a apneia do sono.

Por outro lado, um tratamento somente funciona na prática quando o paciente consegue utilizá-lo.

Quando existe intolerância ao CPAP, o aparelho intraoral pode ser considerado em pacientes selecionados, desde que sua indicação, adaptação e eficácia sejam devidamente acompanhadas.

Veja também: CPAP ou aparelho intraoral: qual é a melhor opção?

Como saber qual alternativa é adequada para mim?

Não basta saber que você não se adaptou ao CPAP.

Precisamos saber por que não houve adaptação e qual é a situação da sua apneia.

Se você já possui polissonografia, os resultados ajudam a entender a gravidade do problema, índice de eventos respiratórios e alterações de oxigenação.

Também é importante conhecer seu histórico com o CPAP: máscara utilizada, pressão, tempo de tentativa, desconfortos apresentados e eventuais ajustes já realizados.

Quando o aparelho intraoral está sendo considerado, dentes, gengivas, mordida, mandíbula e articulações também precisam ser avaliados.

O tratamento deve ser escolhido a partir desse conjunto de informações.

Não me adaptei ao CPAP: qual deve ser meu próximo passo?

Não transforme a dificuldade com o CPAP em abandono do tratamento.

Primeiro, procure identificar e corrigir os fatores que estão dificultando a utilização. Se mesmo assim a adaptação continuar inadequada, converse sobre outras possibilidades.

O objetivo não é simplesmente encontrar um aparelho mais confortável.

É encontrar uma alternativa que seja clinicamente adequada, eficaz e que você consiga utilizar de maneira consistente.

Se você já tentou CPAP e continua encontrando dificuldades, uma avaliação pode ajudar a entender quais opções podem ser consideradas para o seu caso.

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Perguntas frequentes

Posso tratar apneia sem CPAP?

Em alguns pacientes existem outras modalidades terapêuticas. A indicação depende principalmente do diagnóstico e da gravidade da apneia. Não existe uma alternativa única adequada para todos.

Quem não se adapta ao CPAP pode usar aparelho intraoral?

Pode ser uma opção para pacientes selecionados. As diretrizes da AASM/AADSM incluem pacientes com apneia que apresentam intolerância ao CPAP entre aqueles nos quais a terapia com aparelho intraoral pode ser considerada.

Posso simplesmente comprar um aparelho anti-ronco?

Não é equivalente. Para o tratamento da apneia, as diretrizes favorecem aparelhos individualizados e ajustáveis quando a terapia oral é prescrita. Também recomendam acompanhamento profissional e avaliação objetiva da eficácia.

Preciso levar minha polissonografia para a avaliação?

Se você já possui o exame, leve-o. Ele fornece informações importantes para compreender a presença e a gravidade da apneia e ajuda na discussão das opções terapêuticas.

Referências científicas

Ramar K, Dort LC, Katz SG, et al. Clinical Practice Guideline for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea and Snoring with Oral Appliance Therapy: An Update for 2015. Journal of Clinical Sleep Medicine. 2015;11(7):773-827.
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Kennedy B, Lasserson TJ, Wozniak DR, Smith I. Pressure modification or humidification for improving usage of continuous positive airway pressure machines in adults with obstructive sleep apnoea. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2019.
PubMed — pressão e humidificação no uso do CPAP

Dr Paulo Coelho

Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com ênfase em Distúrbios do Sono, integrando conhecimentos da saúde bucal e emocional para uma abordagem mais completa do paciente.

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