Tratamento Periodontal Não Cirúrgico

O tratamento periodontal não cirúrgico é utilizado para controlar a inflamação e a infecção relacionadas à periodontite sem a necessidade inicial de cirurgia na gengiva.

Seu objetivo é remover o biofilme bacteriano e o tártaro acumulados acima e abaixo da margem gengival, inclusive nas superfícies das raízes. O tratamento também envolve orientações de higiene, controle de fatores de risco e reavaliações periódicas.

Popularmente conhecido como raspagem periodontal ou raspagem e alisamento radicular, o procedimento é chamado atualmente de instrumentação subgengival nas principais diretrizes clínicas.

Ele não deve ser confundido com uma limpeza preventiva comum. A indicação depende de um diagnóstico periodontal completo, considerando profundidade das bolsas, sangramento, perda de inserção, perda óssea e fatores individuais de risco.

Resposta rápida

O tratamento periodontal não cirúrgico combina orientação de higiene, controle de fatores de risco e instrumentação das superfícies dentárias localizadas abaixo da gengiva. Ele é normalmente a primeira abordagem para controlar a periodontite, reduzir a inflamação e diminuir a profundidade das bolsas periodontais. Após a cicatrização, a gengiva deve ser reavaliada para determinar se será suficiente manter o acompanhamento ou se algumas regiões ainda precisarão de outro tratamento.

As diretrizes da Federação Europeia de Periodontologia recomendam a instrumentação subgengival como parte fundamental do tratamento da periodontite nos estágios I a III. O procedimento pode ser realizado com instrumentos manuais, sônicos ou ultrassônicos.

O que é o tratamento periodontal não cirúrgico?

É um conjunto de procedimentos destinados a controlar a doença que afeta a gengiva, o ligamento periodontal e o osso que sustenta os dentes.

O tratamento pode incluir:

  • explicação sobre o diagnóstico periodontal;
  • orientação individualizada de higiene bucal;
  • controle da placa bacteriana;
  • remoção de tártaro acima da gengiva;
  • instrumentação das superfícies radiculares abaixo da gengiva;
  • controle de fatores como tabagismo e diabetes;
  • eliminação ou correção de áreas que favorecem retenção de placa;
  • reavaliação da resposta da gengiva;
  • manutenção periodontal em longo prazo.

O plano precisa ser personalizado conforme a extensão e a gravidade da doença, as condições gerais de saúde, os fatores de risco e a resposta obtida durante o tratamento.

Quando esse tratamento é indicado?

O tratamento periodontal não cirúrgico é indicado principalmente quando existe diagnóstico de periodontite.

Alguns sinais que podem levar à investigação periodontal incluem:

  • sangramento gengival frequente;
  • gengiva inchada ou avermelhada;
  • mau hálito persistente;
  • retração gengival;
  • tártaro abaixo da gengiva;
  • mobilidade dentária;
  • mudança na posição dos dentes;
  • presença de bolsas periodontais;
  • perda óssea observada em exames;
  • dificuldade para higienizar determinadas regiões.

Esses sinais não são suficientes para estabelecer o diagnóstico sozinhos. A avaliação precisa incluir exame clínico, sondagem periodontal e, quando indicados, exames radiográficos.

A periodontite pode comprometer os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes. O objetivo do tratamento é controlar a infecção e a inflamação, reduzir o risco de progressão e preservar os dentes sempre que isso for clinicamente possível.

Como a periodontite é avaliada antes do tratamento?

Antes de iniciar a instrumentação, é necessário conhecer a condição de cada dente e dos tecidos ao seu redor.

Histórico de saúde

São investigadas condições e fatores que podem influenciar a doença ou a cicatrização, como:

  • diabetes;
  • tabagismo;
  • medicamentos;
  • doenças sistêmicas;
  • histórico familiar;
  • tratamentos periodontais anteriores;
  • rotina de higiene;
  • frequência das consultas odontológicas.

O tabagismo está relacionado a maior risco periodontal e pode prejudicar a resposta ao tratamento. O controle do diabetes também faz parte da abordagem recomendada para pacientes com periodontite.

Sondagem periodontal

Uma sonda milimetrada é utilizada para medir o espaço entre a gengiva e o dente.

Também são avaliados:

  • sangramento à sondagem;
  • perda de inserção;
  • recessões gengivais;
  • mobilidade dentária;
  • envolvimento das furcas dos molares;
  • presença de secreção;
  • quantidade de placa e tártaro.

Esses registros formam o periodontograma, que ajuda a planejar o tratamento e permite comparar a condição inicial com a resposta obtida após a instrumentação.

Exames de imagem

Radiografias podem ser indicadas para avaliar:

  • altura do osso ao redor dos dentes;
  • padrão da perda óssea;
  • anatomia das raízes;
  • presença de tártaro detectável radiograficamente;
  • lesões entre as raízes;
  • condições que podem dificultar o tratamento.

A seleção dos exames depende dos achados clínicos e da extensão da doença.

Tratamento periodontal é a mesma coisa que limpeza dental?

Não. Embora ambos possam envolver remoção de placa e tártaro, possuem finalidades e profundidades diferentes.

ProcedimentoPrincipal finalidade
Limpeza DentalPrevenir doenças e remover depósitos localizados principalmente acima da gengiva
Tratamento periodontal não cirúrgicoTratar a periodontite e instrumentar superfícies radiculares dentro das bolsas
Manutenção periodontalControlar a doença após o tratamento ativo e reduzir o risco de recorrência
Cirurgia periodontalTratar áreas profundas ou complexas que não responderam adequadamente à abordagem não cirúrgica

Uma limpeza preventiva não substitui a instrumentação subgengival quando existem bolsas periodontais, perda de inserção e depósitos abaixo da gengiva.

Da mesma forma, nem toda pessoa que apresenta tártaro precisa de tratamento periodontal. A indicação depende da condição dos tecidos de sustentação dos dentes.

Como funciona o tratamento periodontal não cirúrgico?

O tratamento costuma ser organizado em etapas.

Primeira etapa: orientação e controle dos fatores de risco

Antes ou durante a raspagem, o paciente recebe orientações para melhorar o controle da placa em casa.

Isso pode envolver:

  • adaptação da técnica de escovação;
  • escolha da escova;
  • utilização de escovas interdentais;
  • uso do fio dental quando indicado;
  • limpeza ao redor de próteses e implantes;
  • identificação de regiões com maior acúmulo;
  • controle do tabagismo;
  • acompanhamento do diabetes.

Uma rotina eficiente de Higiene Bucal é essencial durante todas as fases do tratamento. A instrumentação profissional apresenta resultados mais previsíveis quando o paciente consegue controlar diariamente a placa acima da gengiva.

Em pacientes com espaços interdentais maiores, as escovas interdentais podem facilitar o acesso às regiões entre os dentes.

Segunda etapa: remoção da placa e do tártaro visíveis

Os depósitos localizados acima da margem gengival são removidos para reduzir a inflamação e facilitar o acesso às regiões mais profundas.

Também podem ser avaliadas restaurações, próteses ou características dentárias que estejam favorecendo a retenção de placa.

O controle profissional do biofilme supragengival e dos fatores locais de retenção é considerado parte fundamental da primeira etapa do tratamento periodontal.

Terceira etapa: instrumentação subgengival

A instrumentação subgengival é realizada dentro das bolsas periodontais para remover ou desorganizar:

  • placa bacteriana;
  • tártaro;
  • biofilme aderido às raízes;
  • depósitos que mantêm a inflamação;
  • irregularidades contaminadas da superfície radicular, quando necessário.

Podem ser utilizados:

  • instrumentos manuais;
  • aparelhos ultrassônicos;
  • instrumentos sônicos;
  • combinação de diferentes recursos.

O objetivo não é desgastar excessivamente a raiz, mas criar condições para redução da inflamação e cicatrização dos tecidos.

As diretrizes atuais consideram aceitável realizar o tratamento por regiões ou quadrantes, em diferentes consultas, ou concentrar a instrumentação da boca em um período curto. A escolha depende da extensão da doença, da tolerância do paciente, do tempo clínico e do planejamento profissional.

Quarta etapa: reavaliação periodontal

Depois de um período adequado de cicatrização, é realizada uma nova avaliação.

São comparados:

  • profundidade das bolsas;
  • sangramento à sondagem;
  • controle de placa;
  • mobilidade;
  • inflamação;
  • capacidade de higienização;
  • desconfortos relatados pelo paciente;
  • presença de regiões que não responderam como esperado.

A reavaliação não é apenas uma consulta de limpeza. Ela é uma etapa decisiva para determinar se a doença foi controlada ou se ainda existem áreas que precisam de nova instrumentação, tratamento cirúrgico ou outro cuidado complementar.

O tratamento periodontal não cirúrgico dói?

A sensibilidade varia conforme:

  • profundidade das bolsas;
  • intensidade da inflamação;
  • quantidade de tártaro;
  • sensibilidade individual;
  • presença de raízes expostas;
  • extensão da região tratada.

Quando necessário, o procedimento pode ser realizado com anestesia local.

Durante os primeiros dias, algumas pessoas podem apresentar:

  • sensibilidade ao frio;
  • desconforto ao mastigar;
  • leve sangramento;
  • sensação de dentes mais expostos;
  • espaços mais aparentes entre os dentes.

A redução da inflamação pode fazer a gengiva diminuir de volume e se adaptar mais próxima às raízes. Como resultado, os dentes podem parecer mais longos e pequenos espaços escuros entre eles podem se tornar visíveis.

Essas mudanças nem sempre representam uma piora. Muitas vezes, estavam sendo encobertas pela gengiva inflamada. A sensibilidade radicular tende a diminuir com o tempo, mas deve ser acompanhada quando persistente.

Quantas sessões são necessárias?

Não existe um número fixo de consultas.

O tratamento pode ser realizado em uma ou várias sessões, dependendo de fatores como:

  • quantidade de dentes afetados;
  • profundidade das bolsas;
  • extensão do tártaro;
  • presença de sensibilidade;
  • necessidade de anestesia;
  • estágio da periodontite;
  • condição geral do paciente;
  • resposta obtida durante o tratamento.

Pessoas com doença mais extensa podem necessitar de várias consultas para que todas as superfícies sejam instrumentadas adequadamente.

Quais resultados podem ser esperados?

O tratamento periodontal não cirúrgico pode proporcionar:

  • redução do sangramento;
  • diminuição da inflamação;
  • redução da profundidade das bolsas;
  • melhora do acesso para higiene;
  • controle da progressão da doença;
  • diminuição do número de áreas periodontalmente ativas;
  • maior estabilidade dos tecidos;
  • redução de alguns episódios de mau hálito relacionados à doença gengival.

A instrumentação subgengival é recomendada porque reduz a profundidade das bolsas, a inflamação gengival e o número de regiões afetadas.

O resultado depende da gravidade inicial, da anatomia das raízes, do controle da placa, da presença de tabagismo ou diabetes e da adesão às consultas de manutenção.

O tratamento recupera o osso perdido?

A instrumentação não cirúrgica tem como principal objetivo controlar a inflamação e estabilizar a doença.

Ela não recompõe automaticamente todo o osso e o ligamento periodontal já perdidos. Em algumas regiões pode ocorrer melhora clínica da inserção, mas defeitos ósseos profundos ou complexos podem exigir procedimentos regenerativos específicos.

Por isso, controlar a periodontite não significa que os tecidos voltarão exatamente à condição que apresentavam antes da doença.

A prioridade é interromper ou reduzir a progressão, preservar os dentes e criar condições para manutenção em longo prazo.

O tratamento não cirúrgico evita a cirurgia periodontal?

Em muitos casos, o controle obtido com higiene adequada e instrumentação subgengival é suficiente para conduzir o paciente à fase de manutenção.

Entretanto, o procedimento possui limitações. Bolsas profundas, defeitos ósseos, envolvimento entre as raízes dos molares e áreas de difícil acesso podem permanecer inflamados.

Segundo as diretrizes da Federação Europeia de Periodontologia, a presença de bolsas residuais com sangramento ou de bolsas profundas após a reavaliação pode justificar:

  • repetição da instrumentação;
  • cirurgia de acesso;
  • cirurgia ressectiva;
  • cirurgia periodontal regenerativa.

Bolsas residuais de 4 a 5 milímetros podem ser novamente instrumentadas de forma não cirúrgica em determinados casos. Regiões com bolsas profundas e defeitos complexos podem exigir tratamento cirúrgico.

Antibióticos fazem parte do tratamento?

Antibióticos não devem ser utilizados rotineiramente em todas as pessoas submetidas à raspagem periodontal.

A base do tratamento continua sendo:

  • controle da placa;
  • instrumentação das raízes;
  • orientação de higiene;
  • controle dos fatores de risco;
  • manutenção periodontal.

As diretrizes europeias não recomendam o uso rotineiro de antibióticos sistêmicos como complemento da instrumentação. Eles podem ser considerados em categorias clínicas específicas, após avaliação criteriosa dos benefícios e riscos.

Enxaguantes com clorexidina também não são obrigatórios para todos. Podem ser utilizados por período limitado em situações selecionadas, sempre conforme orientação profissional.

Não é recomendado utilizar antibióticos guardados em casa ou indicados para outra pessoa.

Laser substitui a raspagem periodontal?

O laser não deve ser apresentado como substituto universal ou necessariamente superior à instrumentação convencional.

A diretriz europeia não sugere o uso rotineiro de lasers ou terapia fotodinâmica como complemento da instrumentação subgengival. A Academia Americana de Periodontologia também informa que estudos controlados encontraram resultados semelhantes aos de opções não cirúrgicas convencionais em determinadas comparações.

A indicação deve considerar o tipo de equipamento, o protocolo utilizado, a experiência profissional, o custo e a qualidade das evidências disponíveis.

Quais cuidados são importantes depois da raspagem?

Após o procedimento, siga as orientações individualizadas recebidas na consulta.

De modo geral, pode ser recomendado:

  • continuar escovando com delicadeza;
  • não interromper a higiene por medo de sangramento;
  • utilizar a escova interdental indicada;
  • evitar pressão excessiva nas regiões sensíveis;
  • utilizar creme dental para sensibilidade quando recomendado;
  • não fumar;
  • controlar o diabetes;
  • comparecer à consulta de reavaliação;
  • comunicar dor intensa, inchaço ou sangramento persistente.

A gengiva sangrando frequentemente está relacionada à inflamação. Abandonar a limpeza da região pode permitir maior acúmulo de placa.

Por que a manutenção periodontal é indispensável?

A conclusão da raspagem não encerra o cuidado periodontal.

Quem apresentou periodontite permanece com maior risco de recorrência ou progressão e precisa ingressar em um programa de manutenção.

Durante essas consultas podem ser realizados:

  • atualização do histórico de saúde;
  • avaliação periodontal;
  • sondagem de áreas selecionadas;
  • controle do biofilme;
  • remoção de novos depósitos;
  • reforço das orientações de higiene;
  • nova instrumentação em regiões específicas;
  • acompanhamento da mobilidade e das recessões;
  • controle dos fatores de risco.

A Federação Europeia de Periodontologia recomenda manutenção individualizada em intervalos entre três e doze meses, conforme o risco do paciente e a condição periodontal alcançada após o tratamento.

Esse acompanhamento é diferente de uma consulta preventiva comum. O histórico de periodontite exige atenção específica às regiões previamente afetadas.

Tabagismo interfere no resultado?

Sim. O tabagismo é um dos principais fatores modificáveis relacionados à periodontite e pode reduzir a resposta ao tratamento.

O cigarro também pode diminuir sinais visíveis, como o sangramento, sem significar que a gengiva esteja saudável.

A interrupção do tabagismo deve fazer parte da abordagem periodontal sempre que possível. Os possíveis efeitos do cigarro eletrônico na saúde bucal também precisam ser considerados, pois a ausência da fumaça convencional não significa ausência de exposição a substâncias potencialmente prejudiciais.

As diretrizes incluem intervenções para cessação do tabagismo entre as medidas recomendadas na primeira etapa do tratamento periodontal.

Quem tem diabetes pode realizar o tratamento?

Sim. Pessoas com diabetes podem e devem receber avaliação e tratamento periodontal quando indicados.

O controle glicêmico precisa ser considerado no planejamento porque pode influenciar a resposta inflamatória, a cicatrização e o risco de progressão da periodontite.

A relação entre Saúde Bucal e Diabetes é bidirecional: o diabetes mal controlado pode aumentar o risco e a gravidade da periodontite, enquanto a inflamação periodontal pode dificultar o controle metabólico em algumas pessoas.

O tratamento deve ser planejado em conjunto com o acompanhamento médico quando houver necessidade. O controle do diabetes é incluído pelas diretrizes entre as intervenções necessárias durante a terapia periodontal.

Tratamento periodontal e tratamento da gengivite são iguais?

Não necessariamente.

A gengivite está limitada à gengiva e não apresenta perda dos tecidos de sustentação dos dentes.

Seu tratamento geralmente envolve:

  • melhora da higiene;
  • remoção profissional da placa e do tártaro;
  • controle dos fatores locais;
  • reavaliação.

Já a periodontite envolve perda de inserção e de suporte ósseo, podendo exigir instrumentação subgengival mais extensa, manutenção periodontal e, em determinadas situações, cirurgia.

Por isso, toda gengiva inflamada precisa ser avaliada para diferenciar um quadro gengival superficial de uma doença periodontal mais profunda.

Quando procurar avaliação periodontal?

Procure atendimento quando perceber:

  • sangramento frequente;
  • retração da gengiva;
  • dentes aparentemente mais longos;
  • mau hálito persistente;
  • mobilidade;
  • mudança na posição dos dentes;
  • secreção próxima à gengiva;
  • tártaro visível;
  • sensibilidade nas raízes;
  • dificuldade para mastigar;
  • histórico familiar de perda dentária por doença gengival;
  • diagnóstico de diabetes associado a sinais gengivais.

A ausência de dor não exclui a presença de periodontite.

Atendimento periodontal em Campinas e Valinhos

A avaliação da Saúde da Gengiva e a indicação do tratamento periodontal devem ser individualizadas.

O atendimento é realizado nas unidades de Campinas e Valinhos. Durante a consulta, são avaliados dentes, gengivas, profundidade das bolsas, sangramento, higiene, exames disponíveis e condições gerais de saúde.

Quando houver indicação, o plano pode incluir instrumentação não cirúrgica, reavaliações e manutenção periodontal.

Conheça outros cuidados de Saúde Bucal Preventiva

O tratamento periodontal faz parte de uma abordagem mais ampla de Saúde Bucal Preventiva.

Uma rotina adequada de higiene ajuda a controlar a placa bacteriana, enquanto a remoção profissional do tártaro nos dentes reduz fatores capazes de manter a inflamação.

Depois da fase ativa, o Acompanhamento Preventivo da Saúde Bucal deve ser adaptado ao histórico periodontal e às necessidades de cada paciente.

Perguntas frequentes sobre tratamento periodontal não cirúrgico

Raspagem periodontal e raspagem subgengival são a mesma coisa?

Em geral, os termos são utilizados para descrever a instrumentação das superfícies dentárias localizadas abaixo da gengiva. O procedimento também pode ser chamado de raspagem e alisamento radicular ou instrumentação subgengival.

A raspagem periodontal faz o dente ficar mole?

A raspagem não destrói o suporte do dente.

Em alguns casos, o tártaro volumoso e a inflamação podem mascarar uma mobilidade que já existia devido à perda óssea. Depois da remoção dos depósitos e da diminuição do inchaço, o paciente pode perceber melhor a condição real do dente.

A gengiva cresce novamente depois do tratamento?

A gengiva pode diminuir de volume conforme a inflamação melhora e se adaptar à superfície do dente.

Isso não significa necessariamente que o osso e os tecidos perdidos serão regenerados. A recuperação depende da extensão da doença e das características de cada região.

O tratamento precisa de anestesia?

Nem sempre, mas a anestesia local pode ser utilizada quando existem bolsas profundas, sensibilidade ou necessidade de instrumentação mais extensa.

Posso trabalhar depois da raspagem periodontal?

Muitas pessoas retomam suas atividades normalmente. Pode ocorrer sensibilidade ou desconforto leve, especialmente quando várias regiões são tratadas. A orientação depende da extensão do procedimento e da resposta individual.

A periodontite tem cura?

O tratamento pode controlar a doença e interromper sua progressão. Entretanto, quem apresentou periodontite precisa de manutenção porque permanece com risco de recorrência.

É possível tratar toda a boca no mesmo dia?

Em determinados casos, sim. A instrumentação pode ser realizada por quadrantes ou em um protocolo concentrado. A escolha depende da extensão da doença, das condições clínicas e do planejamento profissional.

Antibiótico elimina a necessidade de raspagem?

Não. Antibióticos não removem mecanicamente o tártaro e o biofilme aderidos às raízes. Quando utilizados, são apenas complementos para situações selecionadas.

O tratamento precisa ser repetido?

Algumas regiões podem precisar de nova instrumentação durante a reavaliação ou nas consultas de manutenção. Isso depende da resposta dos tecidos e da presença de bolsas residuais.

Quando a cirurgia periodontal é indicada?

Pode ser considerada quando permanecem bolsas profundas, sangramento, defeitos ósseos ou áreas de difícil acesso após a fase não cirúrgica. A decisão deve ser baseada na reavaliação periodontal.

Conclusão

O tratamento periodontal não cirúrgico é geralmente a primeira abordagem para controlar a periodontite.

Ele não consiste apenas em remover tártaro. O tratamento combina diagnóstico, orientação de higiene, controle de fatores de risco, instrumentação das superfícies localizadas abaixo da gengiva e avaliação da cicatrização.

Em muitos pacientes, essa abordagem reduz a inflamação, o sangramento e a profundidade das bolsas, permitindo a entrada na fase de manutenção. Entretanto, regiões profundas ou complexas podem exigir nova instrumentação ou cirurgia periodontal.

O resultado em longo prazo depende tanto do tratamento profissional quanto do controle diário da placa, da interrupção do tabagismo, do acompanhamento de condições como o diabetes e da regularidade das consultas de manutenção.

Referências científicas

  • Sanz M, Herrera D, Kebschull M, et al. Treatment of stage I–III periodontitis: The EFP S3-level clinical practice guideline. Journal of Clinical Periodontology.
  • European Federation of Periodontology. Treatment of stage I–III periodontitis: clinical guideline and treatment steps.
  • American Dental Association. Nonsurgical Treatment of Chronic Periodontitis Clinical Practice Guideline.
  • American Academy of Periodontology. Non-Surgical Periodontal Treatments.
  • National Institute of Dental and Craniofacial Research. Periodontal Disease: causes, diagnosis and treatment.