Periodontite

Periodontite: sintomas, causas, tratamento, cura e como prevenir a perda dos dentes

A periodontite é uma doença inflamatória que afeta os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes. Quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode provocar perda óssea, retração gengival, mobilidade dentária e, em casos mais avançados, levar à perda dos dentes.

Embora muitas pessoas acreditem que a periodontite surja de forma repentina, ela geralmente representa a evolução de uma gengivite que permaneceu ativa durante um longo período. A presença contínua da placa bacteriana desencadeia uma resposta inflamatória que, em indivíduos suscetíveis, ultrapassa a gengiva e alcança estruturas mais profundas, como o ligamento periodontal e o osso alveolar.

Nas últimas décadas, a pesquisa científica também demonstrou que as doenças periodontais apresentam associação com diversas condições sistêmicas, como diabetes e doenças cardiovasculares. Por esse motivo, cuidar da saúde periodontal vai além da preservação dos dentes e faz parte da promoção da saúde geral.

Neste artigo você entenderá como a periodontite se desenvolve, quais são seus sintomas, como é feito o diagnóstico, quais tratamentos estão disponíveis e quais medidas ajudam a controlar a doença e preservar seus dentes por muitos anos.

O que é periodontite?

A periodontite é uma doença inflamatória crônica que compromete os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes.

Esses tecidos formam o chamado periodonto, composto por:

  • gengiva;
  • ligamento periodontal;
  • cemento radicular;
  • osso alveolar.

Quando a inflamação permanece limitada à gengiva, recebe o nome de gengivite.

Entretanto, quando o processo inflamatório ultrapassa essa região e começa a destruir o ligamento periodontal e o osso que sustentam os dentes, o diagnóstico passa a ser periodontite.

Essa destruição ocorre de forma gradual e pode permanecer silenciosa durante muito tempo, motivo pelo qual muitas pessoas só descobrem a doença quando já existe perda óssea significativa.

Sua última consulta preventiva foi há quanto tempo?

A prevenção é uma das formas mais simples e eficientes de manter dentes e gengivas saudáveis. Mesmo sem dor, alterações como cáries iniciais, gengivite e acúmulo de tártaro podem evoluir silenciosamente.

Uma avaliação preventiva ajuda a identificar essas alterações precocemente, orientar os cuidados mais adequados e preservar seu sorriso ao longo do tempo.

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Como o periodonto mantém os dentes firmes?

Para entender a periodontite, é importante conhecer a função do periodonto.

Muitas pessoas imaginam que os dentes estejam “colados” diretamente ao osso. Na realidade, existe um sofisticado sistema de sustentação formado por tecidos especializados.

A gengiva protege a entrada desse sistema.

O ligamento periodontal funciona como um conjunto de fibras microscópicas que liga a raiz do dente ao osso, absorvendo parte das forças da mastigação.

O cemento reveste a superfície da raiz e serve de ponto de inserção para essas fibras.

Já o osso alveolar forma a estrutura que sustenta todo esse conjunto.

Quando esses tecidos permanecem íntegros, os dentes permanecem estáveis durante a mastigação.

Na periodontite, entretanto, a inflamação destrói progressivamente essas estruturas.

Como a periodontite se desenvolve?

Na maioria dos casos, a doença segue uma sequência relativamente previsível.

Inicialmente ocorre o acúmulo de placa bacteriana ao redor dos dentes.

Se essa placa não for removida diariamente, desenvolve-se a gengivite.

Enquanto a inflamação permanece restrita à gengiva, ainda não existe destruição óssea.

Entretanto, em algumas pessoas, fatores como predisposição genética, tabagismo, diabetes e alterações da resposta imunológica favorecem a progressão da inflamação para tecidos mais profundos.

Nesse momento inicia-se a destruição das fibras do ligamento periodontal e do osso alveolar.

À medida que essa perda de sustentação aumenta, surgem bolsas periodontais, retração gengival e, posteriormente, mobilidade dentária.

De forma simplificada, a evolução costuma seguir a seguinte sequência:

Placa bacteriana → Gengivite → Periodontite → Perda óssea → Mobilidade dentária → Perda do dente (quando não tratada).

É importante destacar que nem toda gengivite evolui para periodontite. O tratamento precoce interrompe esse processo na maioria dos casos.

Por que ocorre perda óssea?

Uma dúvida frequente dos pacientes é entender por que o osso começa a desaparecer.

Curiosamente, não são as bactérias que “consomem” diretamente o osso.

A destruição ocorre principalmente devido à resposta inflamatória do próprio organismo.

Na tentativa de combater as bactérias presentes na placa, o sistema imunológico libera diversas substâncias inflamatórias.

Quando essa resposta permanece ativa durante muito tempo, essas substâncias acabam estimulando células responsáveis pela reabsorção óssea, chamadas osteoclastos.

Como consequência, ocorre perda gradual do osso que sustenta os dentes.

Esse processo costuma ser lento e silencioso, razão pela qual a periodontite pode evoluir durante anos sem provocar dor significativa.

Quais são os sintomas da periodontite?

Nos estágios iniciais, a periodontite pode apresentar poucos sintomas.

À medida que a doença progride, os sinais tornam-se mais evidentes.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • sangramento durante a escovação;
  • sangramento ao usar fio dental;
  • gengiva avermelhada;
  • retração gengival;
  • dentes aparentando estar mais longos;
  • mau hálito persistente;
  • gosto desagradável na boca;
  • mobilidade dentária;
  • formação de espaços entre os dentes;
  • sensibilidade radicular;
  • saída de secreção pela gengiva em alguns casos.

A dor costuma aparecer apenas em situações específicas, como durante episódios de abscesso periodontal.

Por esse motivo, a ausência de dor não significa que a doença esteja controlada.

Quais são os fatores de risco para a periodontite?

Embora a placa bacteriana seja o principal fator relacionado ao desenvolvimento da periodontite, ela não explica sozinha por que algumas pessoas desenvolvem formas graves da doença enquanto outras apresentam apenas gengivite.

Isso acontece porque a periodontite resulta da interação entre bactérias, resposta imunológica e fatores individuais.

Conhecer esses fatores ajuda tanto na prevenção quanto no planejamento do tratamento.

Placa bacteriana

A placa bacteriana continua sendo o fator desencadeante mais importante.

Quando esse biofilme permanece acumulado sobre os dentes durante muito tempo, ocorre uma resposta inflamatória contínua.

Se essa inflamação não for controlada, pode atingir os tecidos de sustentação dos dentes e iniciar a perda óssea característica da periodontite.

Por isso, controlar a placa bacteriana diariamente continua sendo a medida preventiva mais importante.

https://drpaulocoelho.com.br/o-que-e-placa-bacteriana-e-como-funciona-o-tratamento

Tártaro

O tártaro não é a causa direta da periodontite.

Entretanto, sua superfície áspera facilita o acúmulo contínuo de placa bacteriana e dificulta a higiene bucal.

Além disso, quando o tártaro se localiza abaixo da gengiva, favorece a permanência da inflamação e dificulta a cicatrização dos tecidos.

Por esse motivo, sua remoção faz parte do tratamento periodontal.

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Tabagismo

O cigarro é considerado um dos principais fatores de risco para a periodontite.

Substâncias presentes na fumaça alteram o funcionamento do sistema imunológico, reduzem a circulação sanguínea da gengiva e dificultam a cicatrização.

Curiosamente, muitos fumantes apresentam menos sangramento gengival do que pessoas não fumantes.

Isso ocorre porque a nicotina provoca contração dos vasos sanguíneos, mascarando um dos principais sinais da doença.

Como consequência, a periodontite pode evoluir silenciosamente durante anos.

Além disso, fumantes apresentam:

  • maior perda óssea;
  • maior risco de perda dentária;
  • pior resposta ao tratamento periodontal;
  • maior risco de recidiva da doença.

Parar de fumar representa uma das medidas mais importantes para melhorar o prognóstico periodontal.

O cigarro convencional e o cigarro eletrônico também podem interferir na saúde da gengiva, na cicatrização e na manutenção dos implantes.

Diabetes

A relação entre diabetes e periodontite é considerada uma das mais bem estabelecidas na Odontologia.

Pacientes com diabetes mal controlado apresentam maior risco de desenvolver formas mais graves da doença periodontal.

Ao mesmo tempo, a inflamação periodontal dificulta o controle da glicemia.

Essa interação é conhecida como relação bidirecional.

Por isso, o tratamento periodontal também faz parte do cuidado integral da pessoa com diabetes.

Predisposição genética

Algumas pessoas apresentam maior susceptibilidade às doenças periodontais devido a fatores genéticos.

Isso não significa que a periodontite seja hereditária no sentido clássico.

Na prática, a genética influencia principalmente a forma como o sistema imunológico responde às bactérias presentes na placa bacteriana.

Assim, duas pessoas com níveis semelhantes de placa podem apresentar evolução completamente diferente.

A predisposição genética aumenta o risco, mas não determina que a doença irá ocorrer.

Envelhecimento

O envelhecimento, por si só, não causa periodontite.

Entretanto, com o passar dos anos ocorre maior tempo de exposição aos fatores de risco e aumento da probabilidade de acúmulo de placa bacteriana, restaurações antigas, retrações gengivais e doenças sistêmicas.

Esses fatores ajudam a explicar por que a periodontite é mais frequente em adultos do que em crianças.

Estresse

Diversos estudos sugerem que o estresse crônico pode influenciar o desenvolvimento e a progressão das doenças periodontais.

O estresse pode alterar a resposta imunológica, aumentar hábitos prejudiciais, como tabagismo e negligência da higiene bucal, além de dificultar a cicatrização.

Embora não seja considerado uma causa direta da periodontite, representa um fator que merece atenção durante o tratamento.

Obesidade

A obesidade está associada a um estado inflamatório sistêmico de baixa intensidade.

Pesquisas sugerem que esse ambiente inflamatório pode contribuir para maior susceptibilidade às doenças periodontais.

Além disso, obesidade frequentemente está associada ao diabetes e outras condições metabólicas que também influenciam a saúde periodontal.

Alguns medicamentos

Determinados medicamentos podem modificar a resposta da gengiva ou favorecer aumento do tecido gengival, dificultando a higiene.

Entre eles destacam-se alguns:

  • anticonvulsivantes;
  • imunossupressores;
  • bloqueadores dos canais de cálcio.

Quando necessário, o dentista trabalha em conjunto com o médico responsável pelo tratamento.

A periodontite pode ocorrer em pessoas jovens?

Sim.

Embora seja mais frequente em adultos, algumas formas podem surgir ainda na adolescência ou no início da vida adulta.

Nesses casos, costuma existir importante participação de fatores genéticos e imunológicos.

Por isso, jovens com perda óssea precoce ou mobilidade dentária devem ser avaliados rapidamente.

O diagnóstico precoce melhora significativamente o prognóstico.

Como a periodontite é classificada?

Desde 2018, especialistas da American Academy of Periodontology (AAP) e da European Federation of Periodontology (EFP) adotam um novo sistema internacional de classificação.

Em vez de utilizar apenas termos como “leve”, “moderada” ou “grave”, a doença passou a ser classificada de acordo com:

  • Estágio, que indica a gravidade da destruição periodontal.
  • Grau, que estima a velocidade de progressão da doença e os fatores de risco.

Essa classificação auxilia o profissional na definição do prognóstico e do tratamento mais adequado.

De forma simplificada:

Estágio I

Perda de inserção inicial.

A destruição periodontal ainda é pequena e o prognóstico costuma ser excelente.

Estágio II

Existe perda moderada de inserção periodontal, mas a maior parte da estrutura de sustentação ainda está preservada.

Estágio III

Já existe perda óssea significativa, bolsas periodontais profundas e maior risco de perda dentária.

O tratamento torna-se mais complexo.

Estágio IV

Representa a forma mais avançada da doença.

Além da perda óssea importante, podem existir alterações da mastigação, migração dos dentes e necessidade de reabilitação complexa.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da periodontite combina informações obtidas durante o exame clínico e exames complementares.

O objetivo não é apenas confirmar a doença, mas também determinar sua gravidade, identificar fatores de risco e planejar o tratamento.

A avaliação normalmente inclui:

  • histórico médico e odontológico;
  • exame clínico completo;
  • sondagem periodontal;
  • avaliação da mobilidade dentária;
  • análise da higiene bucal;
  • radiografias quando indicadas.

Esses dados permitem classificar corretamente a doença e acompanhar sua evolução ao longo do tratamento.

Como é feito o diagnóstico da periodontite?

O diagnóstico da periodontite não é baseado apenas na presença de sangramento da gengiva ou de tártaro.

O cirurgião-dentista realiza uma avaliação completa para identificar se houve destruição dos tecidos que sustentam os dentes, qual a extensão dessa perda e quais fatores podem estar contribuindo para a progressão da doença.

Essa avaliação permite estabelecer o diagnóstico, definir o prognóstico e elaborar um plano de tratamento individualizado.

Exame clínico

O exame clínico é o primeiro passo.

Durante a consulta, o dentista observa diversos aspectos da saúde periodontal, como:

  • presença de placa bacteriana;
  • quantidade de tártaro;
  • vermelhidão da gengiva;
  • sangramento durante o exame;
  • retração gengival;
  • exposição das raízes;
  • mobilidade dos dentes;
  • presença de secreção (pus), quando existe infecção ativa;
  • alterações na mordida.

Além disso, o profissional avalia a higiene bucal e identifica regiões onde a limpeza está sendo dificultada.

O que é a sondagem periodontal?

A sondagem periodontal é um dos exames mais importantes para o diagnóstico da periodontite.

Ela é realizada com uma sonda milimetrada extremamente fina que é introduzida cuidadosamente entre a gengiva e o dente.

O objetivo é medir a profundidade desse espaço.

Em uma gengiva saudável, esse sulco costuma medir até cerca de 3 milímetros.

Quando ocorre destruição do ligamento periodontal e do osso, esse espaço aumenta, formando as chamadas bolsas periodontais.

Essas bolsas favorecem ainda mais o acúmulo de bactérias e tornam a higiene mais difícil.

Por isso, a profundidade da sondagem é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar a evolução da doença.

O que são bolsas periodontais?

As bolsas periodontais representam espaços aumentados entre a gengiva e a raiz do dente, resultantes da destruição dos tecidos de sustentação.

Essas bolsas criam um ambiente com pouco oxigênio, favorecendo o crescimento de bactérias associadas às formas mais avançadas da doença periodontal.

Quanto maior a profundidade da bolsa, maior tende a ser a dificuldade de limpeza pelo próprio paciente.

Por isso, em muitos casos, torna-se necessária a intervenção profissional.

Como a perda óssea é avaliada?

Além do exame clínico, o dentista utiliza radiografias para avaliar o osso que sustenta os dentes.

Enquanto a gengiva pode ser observada diretamente durante a consulta, o osso permanece escondido.

As radiografias permitem identificar:

  • perda da altura óssea;
  • defeitos ósseos localizados;
  • comprometimento entre as raízes;
  • presença de cálculo abaixo da gengiva;
  • alterações ao redor de implantes.

Essas informações são fundamentais para definir o estágio da doença.

Saúde Bucal Preventiva

A prevenção começa antes da dor.

Muitas pessoas só procuram o dentista quando sentem dor ou percebem algum problema. Porém, diversas doenças bucais começam de forma silenciosa e podem evoluir sem causar sintomas nos estágios iniciais.

A limpeza dental profilática vai muito além de deixar os dentes mais brancos. Ela ajuda a controlar a placa bacteriana, remover o tártaro, acompanhar a saúde da gengiva e identificar alterações que precisam de atenção.

Quando a prevenção faz parte da rotina, é possível preservar os dentes, reduzir o risco de gengivite e periodontite e evitar que pequenos problemas se tornem tratamentos mais complexos.

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A tomografia é sempre necessária?

Não.

Na maioria dos pacientes, radiografias periapicais e panorâmicas fornecem informações suficientes para o diagnóstico e planejamento do tratamento.

A tomografia computadorizada costuma ser indicada em situações específicas, como:

  • planejamento cirúrgico;
  • defeitos ósseos complexos;
  • avaliação de implantes;
  • regenerações ósseas;
  • casos de difícil interpretação radiográfica.

Seu uso deve ser individualizado.

A mobilidade dos dentes sempre significa periodontite?

Não.

Embora a mobilidade possa ocorrer na periodontite avançada, ela também pode estar relacionada a outras condições, como:

  • trauma oclusal;
  • bruxismo;
  • traumatismos;
  • tratamentos ortodônticos recentes;
  • alterações temporárias após cirurgias periodontais.

Por isso, dentes móveis devem sempre ser avaliados clinicamente antes de se concluir que existe perda óssea causada pela periodontite.

Qual é o prognóstico da periodontite?

O prognóstico depende de diversos fatores.

Entre os mais importantes estão:

  • quantidade de perda óssea já existente;
  • controle da placa bacteriana;
  • tabagismo;
  • controle do diabetes;
  • frequência das consultas de manutenção;
  • resposta individual ao tratamento.

Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, melhores costumam ser os resultados.

Mesmo quando já existe perda óssea, é possível controlar a doença e preservar os dentes durante muitos anos.

Como é feito o tratamento da periodontite?

O tratamento da periodontite tem como principal objetivo interromper a progressão da doença.

É importante compreender que o tratamento não busca apenas eliminar bactérias.

Seu objetivo é controlar a inflamação, estabilizar os tecidos periodontais e preservar os dentes pelo maior tempo possível.

O plano de tratamento depende da gravidade da doença, mas geralmente envolve várias etapas.

Primeira etapa: controle da placa bacteriana

A primeira abordagem geralmente envolve o tratamento periodontal não cirúrgico, com orientação de higiene e instrumentação das superfícies localizadas abaixo da gengiva.

O paciente recebe orientações individualizadas sobre:

  • técnica correta de escovação;
  • uso diário do fio dental;
  • utilização de escovas interdentais quando indicadas;
  • limpeza da língua;
  • cuidados específicos para implantes, próteses ou aparelhos ortodônticos.

Sem essa participação ativa do paciente, nenhum tratamento periodontal apresenta bons resultados a longo prazo.

Segunda etapa: raspagem periodontal

A raspagem periodontal é considerada o tratamento básico da periodontite.

Seu objetivo é remover:

  • placa bacteriana;
  • tártaro;
  • toxinas aderidas às raízes.

Dependendo da profundidade das bolsas, pode ser realizada sob anestesia local.

Após a remoção desses depósitos, a gengiva tende a cicatrizar e a inflamação diminui progressivamente.

Em muitos pacientes, essa etapa já é suficiente para controlar a doença.

Terceira etapa: reavaliação

Após algumas semanas, o dentista realiza uma nova avaliação.

Nessa consulta são analisados:

  • redução do sangramento;
  • melhora da higiene bucal;
  • diminuição das bolsas periodontais;
  • estabilização da inflamação.

Caso ainda existam bolsas profundas, novas intervenções podem ser necessárias.

Quando a cirurgia periodontal é indicada?

Nem todos os pacientes precisam de cirurgia.

Ela costuma ser indicada quando permanecem bolsas profundas que dificultam a higienização ou quando existe necessidade de acesso para remover depósitos localizados abaixo da gengiva.

Dependendo do caso, a cirurgia também pode ser utilizada para:

  • remodelar o contorno gengival;
  • corrigir defeitos ósseos;
  • favorecer a regeneração dos tecidos periodontais.

O objetivo não é apenas tratar a doença existente, mas criar condições para facilitar a manutenção da saúde periodontal.

É possível regenerar o osso perdido?

Em alguns casos, sim.

A regeneração periodontal é uma área bastante desenvolvida da Periodontia moderna.

Dependendo do tipo de defeito ósseo, podem ser utilizados procedimentos regenerativos envolvendo:

  • biomateriais;
  • membranas especiais;
  • enxertos ósseos;
  • proteínas derivadas da matriz do esmalte.

Entretanto, nem toda perda óssea pode ser completamente recuperada.

Por isso, prevenir continua sendo muito mais simples e previsível do que tentar reconstruir estruturas já destruídas.

A manutenção periodontal é realmente necessária?

Sim.

A manutenção periodontal é considerada uma das etapas mais importantes do tratamento.

Mesmo após o controle da doença, as bactérias voltam a se acumular naturalmente sobre os dentes.

Sem acompanhamento periódico, aumenta o risco de recidiva.

A frequência das consultas depende das características individuais de cada paciente.

Alguns necessitam de retornos a cada três ou quatro meses, enquanto outros podem apresentar intervalos maiores.

Essa decisão deve ser tomada pelo cirurgião-dentista com base no risco individual e na estabilidade da doença.

Periodontite tem cura?

Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório odontológico.

A resposta depende do significado atribuído à palavra cura.

A periodontite é uma doença inflamatória crônica. Isso significa que a perda óssea e a destruição dos tecidos de sustentação que já ocorreram nem sempre podem ser completamente revertidas.

Entretanto, isso não significa que a doença esteja fora de controle.

Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento periódico, é possível interromper a progressão da periodontite, controlar a inflamação e preservar os dentes por muitos anos.

Na prática, o objetivo do tratamento é colocar a doença em estabilidade, reduzindo ao máximo o risco de novas perdas ósseas.

Por isso, muitos especialistas preferem utilizar o termo controle da periodontite em vez de cura definitiva.

É possível recuperar o osso perdido?

Depende.

A perda óssea causada pela periodontite varia muito de um paciente para outro.

Em algumas situações, principalmente quando os defeitos ósseos apresentam características favoráveis, técnicas regenerativas podem estimular a formação de novo tecido de suporte.

Esses procedimentos podem envolver:

  • enxertos ósseos;
  • biomateriais;
  • membranas para regeneração tecidual guiada;
  • proteínas derivadas da matriz do esmalte.

Entretanto, nem toda perda óssea pode ser totalmente recuperada.

Por esse motivo, o diagnóstico precoce continua sendo a estratégia mais eficaz para preservar o periodonto.

É possível salvar um dente com periodontite?

Na maioria das vezes, sim.

Muitos pacientes acreditam que o diagnóstico de periodontite significa que inevitavelmente perderão os dentes.

Felizmente, isso não corresponde à realidade.

Mesmo dentes que apresentam perda óssea significativa podem permanecer em função durante muitos anos quando:

  • a doença é controlada;
  • a higiene bucal é adequada;
  • o paciente comparece às consultas de manutenção;
  • fatores como tabagismo e diabetes são controlados.

A decisão entre preservar ou extrair um dente depende de uma avaliação individualizada realizada pelo cirurgião-dentista.

Sempre que houver possibilidade previsível de manter o dente saudável e funcional, essa costuma ser a primeira opção.

Quando a extração pode ser necessária?

Apesar dos avanços da Periodontia, alguns dentes apresentam destruição tão extensa que sua manutenção deixa de ser previsível.

Entre as situações que podem indicar extração estão:

  • perda óssea extremamente avançada;
  • mobilidade severa;
  • fraturas radiculares;
  • infecções recorrentes sem possibilidade de controle;
  • comprometimento estrutural que inviabiliza a restauração.

Mesmo nesses casos, a decisão deve considerar o planejamento global da reabilitação do paciente.

Quem já teve periodontite pode fazer implantes?

Sim.

Ter histórico de periodontite não impede a realização de implantes dentários.

Entretanto, esses pacientes apresentam maior risco de desenvolver peri-implantite, uma doença inflamatória que afeta os tecidos ao redor dos implantes.

Por isso, antes da instalação dos implantes, é fundamental que a periodontite esteja controlada.

Após a reabilitação, o acompanhamento periódico torna-se ainda mais importante.

O implante pode desenvolver uma doença semelhante?

Sim.

Essa condição recebe o nome de peri-implantite.

Assim como ocorre na periodontite, existe inflamação dos tecidos ao redor do implante acompanhada de perda óssea.

A principal diferença é que a doença ocorre em torno de um implante dentário e não da raiz natural do dente.

A prevenção baseia-se nos mesmos princípios:

  • controle da placa bacteriana;
  • higiene adequada;
  • consultas periódicas;
  • acompanhamento profissional.

A periodontite pode afetar a saúde geral?

Nas últimas décadas, diversas pesquisas demonstraram que as doenças periodontais apresentam associação com diferentes condições sistêmicas.

É importante esclarecer que, em muitos casos, essas pesquisas demonstram associações, e não necessariamente relações de causa e efeito.

Mesmo assim, controlar a saúde periodontal faz parte de uma abordagem integrada da saúde.

Periodontite e diabetes

A relação entre diabetes e periodontite é uma das mais bem estabelecidas pela literatura científica.

Pacientes com diabetes mal controlado apresentam maior risco de desenvolver periodontite.

Ao mesmo tempo, a inflamação periodontal pode dificultar o controle dos níveis de glicose.

Essa interação bidirecional reforça a importância do acompanhamento odontológico em pessoas com diabetes.

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Periodontite e doenças cardiovasculares

Diversos estudos investigam a associação entre doença periodontal e doenças cardiovasculares.

Acredita-se que a inflamação sistêmica e determinados microrganismos possam contribuir para processos inflamatórios presentes nos vasos sanguíneos.

Entretanto, as evidências atuais indicam principalmente uma associação entre essas condições.

Ainda não é possível afirmar que tratar a periodontite, isoladamente, previna infartos ou acidentes vasculares cerebrais.

Mesmo assim, manter boa saúde bucal faz parte das recomendações gerais para promoção da saúde.

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Periodontite e doença de Alzheimer

Pesquisadores também estudam a possível relação entre doenças periodontais e doenças neurodegenerativas.

Alguns trabalhos identificaram associação entre periodontite e maior risco de comprometimento cognitivo.

Entretanto, ainda não existem evidências suficientes para afirmar que a periodontite seja uma causa direta da doença de Alzheimer.

Novos estudos continuam sendo realizados nessa área.

Periodontite e artrite reumatoide

A artrite reumatoide e a periodontite compartilham mecanismos inflamatórios semelhantes.

Embora a relação ainda esteja sendo estudada, pacientes com artrite reumatoide podem apresentar maior prevalência de doença periodontal.

O acompanhamento odontológico regular faz parte dos cuidados integrais desses pacientes.

Periodontite e doenças respiratórias

Em idosos, pacientes hospitalizados e pessoas com dificuldade de higiene oral, bactérias presentes na boca podem ser aspiradas para os pulmões.

Por esse motivo, a higiene bucal é considerada importante na prevenção de algumas pneumonias aspirativas em populações de maior risco.

Como prevenir a periodontite?

A melhor forma de tratar a periodontite continua sendo evitar que ela se desenvolva.

As principais recomendações incluem:

  • escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia utilizando técnica adequada;
  • utilizar fio dental diariamente;
  • limpar a língua;
  • realizar limpezas profissionais conforme orientação do dentista;
  • controlar a placa bacteriana diariamente;
  • evitar o tabagismo;
  • controlar doenças sistêmicas, especialmente diabetes;
  • comparecer às consultas preventivas regularmente.

Quando essas medidas são mantidas ao longo da vida, o risco de desenvolver periodontite diminui significativamente.

Mitos e verdades sobre a periodontite

Periodontite sempre leva à perda dos dentes.

Mito. Com tratamento e manutenção adequados, muitos pacientes preservam seus dentes por décadas.

Periodontite provoca dor.

Mito. Na maioria dos casos, a doença evolui lentamente e com pouca dor.

Sangramento gengival é normal.

Mito. Sangramento costuma indicar inflamação e merece avaliação.

A periodontite pode voltar.

Verdade. Sem controle da placa bacteriana e manutenção periódica, a doença pode ser reativada.

O cigarro piora a periodontite.

Verdade. O tabagismo está entre os principais fatores de risco para progressão da doença.

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Cuidar da Saúde Bucal Preventiva envolve muito mais do que tratar problemas depois que eles aparecem. O Acompanhamento Preventivo da Saúde Bucal permite avaliar as necessidades de cada pessoa e definir a frequência mais adequada das consultas.

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Também é importante observar a Saúde da Gengiva, especialmente diante de sangramento, inflamação ou retração, além de compreender como a Saúde Bucal e a Saúde Geral podem estar relacionadas em diferentes fases e condições do organismo.

Perguntas frequentes

A periodontite é contagiosa?

Não. As bactérias podem ser compartilhadas pela saliva, mas o desenvolvimento da doença depende da resposta do organismo e dos hábitos de higiene.

A periodontite tem cura?

O objetivo principal é controlar a doença e impedir sua progressão. Em muitos casos, as perdas já ocorridas não podem ser totalmente revertidas.

É possível recuperar dentes moles?

Depende da quantidade de osso remanescente e da resposta ao tratamento.

Quem perdeu um dente por periodontite pode colocar implante?

Sim, desde que a doença esteja controlada e haja condições adequadas para a reabilitação.

A periodontite causa mau hálito?

Pode contribuir significativamente, principalmente quando existem bolsas periodontais profundas.

Quanto antes iniciar o tratamento, melhores são os resultados?

Sim. O diagnóstico precoce aumenta as chances de preservar o osso e os dentes.

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Conclusão

A periodontite é uma doença inflamatória crônica que pode comprometer a sustentação dos dentes e afetar significativamente a saúde bucal quando não tratada. Apesar de poder causar perda óssea e, em casos avançados, levar à perda dentária, seu diagnóstico não significa que os dentes estejam condenados.

Os avanços da Periodontia permitem controlar a doença, interromper sua progressão e preservar muitos dentes por décadas, desde que o paciente participe ativamente do tratamento e mantenha um programa de manutenção periodontal.

Além de proteger o sorriso, cuidar da saúde periodontal faz parte de uma visão mais ampla da saúde, contribuindo para o controle de fatores inflamatórios e para a qualidade de vida.

Se você percebe sangramento gengival, retração, mobilidade dos dentes ou mau hálito persistente, procure uma avaliação odontológica. O tratamento precoce continua sendo a melhor estratégia para preservar seus dentes e sua saúde periodontal.

Referências Científicas

  1. Papapanou PN, Sanz M, Buduneli N, et al. Periodontitis: Consensus report of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions. Journal of Clinical Periodontology. 2018.
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  3. Sanz M, Herrera D, Kebschull M, et al. Treatment of Stage I–III Periodontitis: The EFP S3 Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Periodontology. 2020.
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  7. European Federation of Periodontology (EFP). Clinical Practice Guidelines.
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Dr Paulo Coelho

Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com ênfase em Distúrbios do Sono, integrando conhecimentos da saúde bucal e emocional para uma abordagem mais completa do paciente.

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