Ronco e nem sabia até gravarem

Ronco e nem sabia até gravarem… o que isso revela sobre seu sono?

Ronco e nem sabia até gravarem é uma situação muito mais comum do que se imagina. Muitas pessoas descobrem que roncam apenas quando alguém grava durante a noite ou comenta no dia seguinte.

Isso acontece porque, enquanto dormimos, não temos consciência dos sons que produzimos. No entanto, o ronco pode ser um sinal de que a respiração está parcialmente obstruída durante o sono.

Em alguns casos, esse ronco pode ser apenas ocasional. Em outros, pode indicar um distúrbio respiratório mais sério, como a apneia obstrutiva do sono.

O que causa o ronco durante o sono?

O ronco ocorre quando o fluxo de ar encontra resistência ao passar pelas vias aéreas superiores.

Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Se esse relaxamento for excessivo ou se houver estreitamento anatômico, o ar passa com turbulência e faz vibrar estruturas como:

  • palato mole
  • úvula
  • paredes da faringe
  • base da língua

Essa vibração gera o som característico do ronco.

Por que muitas pessoas não percebem que roncam?

Durante o sono profundo, o cérebro reduz a percepção de estímulos externos e internos. Por isso, a pessoa geralmente não percebe o próprio ronco.

Além disso, quem ronca frequentemente apresenta microdespertares associados à respiração irregular, mas esses despertares são tão breves que não são lembrados ao acordar.

Por esse motivo, muitas vezes o diagnóstico começa quando um parceiro, familiar ou gravação revela o problema.

Roncar sempre significa ter apneia do sono?

Nem sempre. Existe diferença entre ronco primário e apneia obstrutiva do sono (AOS).

O ronco primário ocorre sem interrupção significativa da respiração. Já a apneia envolve pausas respiratórias repetidas durante a noite.

Segundo a American Academy of Sleep Medicine, a apneia é caracterizada por episódios de interrupção do fluxo de ar por pelo menos 10 segundos, podendo ocorrer dezenas ou até centenas de vezes por noite.

Essas pausas levam à queda do oxigênio no sangue e fragmentam o sono.

Como a apneia afeta o sistema cardiovascular?

Quando a respiração para repetidamente durante a noite, ocorre hipóxia intermitente, ou seja, redução periódica do oxigênio no sangue.

Isso provoca uma série de reações fisiológicas:

  • ativação do sistema nervoso simpático
  • aumento da pressão arterial
  • liberação de hormônios do estresse
  • inflamação sistêmica

Pesquisas publicadas no PubMed e no National Institutes of Health mostram que a apneia está associada a:

  • hipertensão arterial
  • infarto do miocárdio
  • acidente vascular cerebral (AVC)
  • arritmias cardíacas
  • diabetes tipo 2

Por isso, o ronco frequente nunca deve ser ignorado.

Quais sinais indicam que o ronco pode ser apneia?

Alguns sinais de alerta incluem:

  • ronco alto e frequente
  • pausas respiratórias observadas por outra pessoa
  • engasgos ou sufocamento durante o sono
  • sonolência excessiva durante o dia
  • dor de cabeça ao acordar

Se esses sintomas estiverem presentes, a investigação médica é recomendada.

Como é feito o diagnóstico do ronco e da apneia?

O exame padrão é a polissonografia, que monitora o sono durante a noite.

Esse exame avalia diversos parâmetros, como:

  • fluxo respiratório
  • níveis de oxigênio
  • atividade cerebral
  • frequência cardíaca
  • movimentos respiratórios

Com esses dados é possível determinar se existe apneia e qual sua gravidade.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento depende da causa e da intensidade da apneia.

Mudanças no estilo de vida podem ajudar, como:

  • perda de peso
  • evitar álcool antes de dormir
  • dormir de lado
  • tratar obstruções nasais

Quando a apneia está presente, pode ser necessário tratamento específico.

O CPAP é a única solução?

O CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) é considerado o tratamento padrão para apneia moderada e grave.

Ele mantém as vias respiratórias abertas através de um fluxo contínuo de ar.

No entanto, algumas pessoas têm dificuldade de adaptação ao equipamento.

O aparelho intraoral pode ajudar?

Sim. O aparelho intraoral para ronco e apneia é uma alternativa eficaz em muitos casos, especialmente quando a apneia é leve ou moderada.

Esse dispositivo atua avançando suavemente a mandíbula durante o sono, aumentando o espaço na via aérea e reduzindo o colapso da garganta.

Estudos clínicos mostram melhora significativa do ronco e da respiração noturna quando o aparelho é corretamente indicado e ajustado.

O que acontece se o ronco não for tratado?

Ignorar o ronco pode levar a consequências progressivas.

A longo prazo, a apneia não tratada pode causar:

  • aumento persistente da pressão arterial
  • sobrecarga cardíaca
  • prejuízo cognitivo
  • fadiga crônica
  • piora da qualidade de vida

Além disso, a sonolência diurna aumenta o risco de acidentes e queda de produtividade.

Conclusão: quando o ronco revela algo que você não sabia

Descobrir ronco e nem sabia até gravarem pode parecer apenas uma curiosidade no início, mas muitas vezes é o primeiro alerta de que algo está acontecendo com sua respiração durante o sono.

O ronco frequente pode indicar apneia do sono, uma condição silenciosa que afeta diretamente o coração, o cérebro e o metabolismo.

Buscar avaliação especializada, realizar exames quando necessário e escolher o tratamento adequado são passos fundamentais para proteger sua saúde.

Dormir bem significa mais do que descansar — significa respirar corretamente durante toda a noite.

Referências científicas

American Academy of Sleep Medicine (AASM)
https://aasm.org

National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea

Punjabi NM. Epidemiology of obstructive sleep apnea
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18250205/

Peppard PE et al. Sleep-disordered breathing and cardiovascular disease
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/

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Odontologia do Sono

Dr Paulo Coelho

Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com foco em Distúrbios do Sono e Odontologia do Sono.
Atua de forma integrada no tratamento do ronco, da apneia do sono e das disfunções orofaciais, unindo ciência e abordagem humanizada para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida.

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