Ronco e insônia costumam ser tratados como problemas diferentes, mas na prática eles estão profundamente conectados. Muitas pessoas que roncam relatam dificuldade para dormir, despertares frequentes ou sensação de sono não reparador — mesmo após várias horas na cama.
Essa relação não é coincidência. Em muitos casos, o ronco é o primeiro sinal de um distúrbio respiratório do sono que fragmenta o descanso e favorece o desenvolvimento da insônia crônica.
O que acontece no corpo quando há ronco durante o sono?
O ronco ocorre quando o ar encontra resistência ao passar pelas vias aéreas superiores, especialmente na região da faringe. Durante o sono, os músculos da língua e da garganta relaxam naturalmente.
Quando esse relaxamento é excessivo, a via aérea se estreita, os tecidos vibram e o som do ronco aparece. Quanto maior a obstrução, maior o esforço respiratório e maior a chance de microdespertares.
Esses despertares muitas vezes não são percebidos conscientemente, mas quebram o ciclo normal do sono.
Ronco e apneia do sono são a mesma coisa?
Não exatamente, mas estão intimamente ligados.
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é caracterizada por pausas repetidas da respiração durante o sono, com queda dos níveis de oxigênio no sangue. O ronco intenso e frequente é um dos principais sintomas da apneia.
Segundo a American Academy of Sleep Medicine, a maioria das pessoas com apneia ronca, mas nem todo roncador tem apneia. Ainda assim, todo ronco persistente merece investigação.
Como o ronco pode causar insônia?
A conexão entre ronco e insônia acontece por vários mecanismos:
- Microdespertares frequentes: o cérebro “acorda” para restabelecer a respiração
- Sono fragmentado: redução do sono profundo e do sono REM
- Hipervigilância noturna: o corpo permanece em estado de alerta
- Ansiedade antecipatória: medo de não conseguir dormir ou de acordar cansado
Com o tempo, o cérebro passa a associar a cama a um sono ruim, perpetuando a insônia.
A insônia pode piorar o ronco?
Sim. A relação é bidirecional.
A privação de sono aumenta o relaxamento muscular excessivo na noite seguinte, favorecendo o colapso das vias aéreas. Além disso, o aumento do cortisol — hormônio do estresse — piora a qualidade do sono e a estabilidade respiratória.
Assim, ronco e insônia passam a se alimentar mutuamente, criando um ciclo difícil de quebrar sem tratamento adequado.
Qual o impacto de ronco e insônia no sistema cardiovascular?
A apneia associada ao ronco provoca hipóxia intermitente, ou seja, quedas repetidas de oxigênio durante a noite. Isso ativa o sistema nervoso simpático e aumenta a pressão arterial.
Estudos do National Institutes of Health e do PubMed demonstram associação entre ronco, apneia e:
- Hipertensão arterial
- Arritmias cardíacas
- Infarto do miocárdio
- Acidente vascular cerebral (AVC)
A insônia crônica potencializa esses riscos ao manter o organismo em estado inflamatório contínuo.
Ronco, insônia e cérebro: o que a ciência mostra?
O sono fragmentado compromete áreas cerebrais ligadas à memória, atenção e regulação emocional. Pessoas com ronco e insônia frequentemente relatam:
- Falhas de memória
- Dificuldade de concentração
- Irritabilidade
- Ansiedade e sintomas depressivos
Pesquisas indicam que a combinação de apneia e insônia acelera o declínio cognitivo quando não tratada adequadamente.
Como diferenciar insônia primária de insônia causada pelo ronco?
Alguns sinais sugerem que a insônia pode estar relacionada ao ronco ou à apneia:
- Ronco alto e frequente
- Sensação de sufocamento ao dormir
- Despertares repentinos
- Sonolência excessiva durante o dia
- Dor de cabeça matinal
Nesses casos, o exame indicado é a polissonografia, que avalia simultaneamente sono e respiração.
Tratar o ronco melhora a insônia?
Na maioria dos casos, sim.
Quando a causa respiratória é tratada, o sono se torna mais contínuo, profundo e restaurador. Muitos pacientes relatam melhora significativa da insônia após o tratamento do ronco ou da apneia.
Isso reforça a importância de investigar a respiração antes de tratar a insônia apenas com medicamentos.
O CPAP é a única opção para ronco e insônia?
Não. O CPAP é o tratamento padrão para apneia moderada a grave, mas nem todos conseguem se adaptar ao uso contínuo da máscara.
Para esses pacientes, o aparelho intraoral para ronco e apneia é uma alternativa eficaz, especialmente em casos leves e moderados.
Ele atua avançando a mandíbula, mantendo a via aérea aberta, reduzindo o ronco e melhorando a oxigenação — o que impacta positivamente a qualidade do sono e a insônia associada.
Mudanças de hábitos ajudam a quebrar o ciclo ronco–insônia?
Sim, e são fundamentais:
- Dormir de lado
- Evitar álcool à noite
- Manter peso saudável
- Tratar obstruções nasais
- Manter horários regulares de sono
Essas medidas potencializam os resultados do tratamento clínico.
Conclusão: ronco e insônia não devem ser ignorados
Ronco e insônia não são apenas problemas isolados de sono ruim. Juntos, eles indicam desequilíbrio respiratório, neurológico e cardiovascular.
Ignorar essa conexão pode levar a consequências importantes para a saúde física e mental. O diagnóstico correto e o tratamento adequado não apenas melhoram o sono, mas protegem o coração, o cérebro e a qualidade de vida.
Dormir bem começa por respirar bem durante o sono.
FAQs – Ronco e insônia
Não sempre, mas frequentemente coexistem.
Podem indicar, especialmente se forem persistentes.
Sim, principalmente quando associados à apneia.
Na maioria dos casos, sim.
Sim, quando há suspeita de distúrbio respiratório.
Referências
Sweetman A et al. Co-morbid insomnia and sleep apnea.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30528567/
American Academy of Sleep Medicine (AASM)
https://aasm.org
National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea
Punjabi NM. The epidemiology of adult obstructive sleep apnea.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18250205/
Peppard PE et al. Sleep-disordered breathing and cardiovascular disease.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/
Nossas Unidades
Unidade Campinas – R. Antonio Lapa, 1020 – Bairro: Cambuí – WhatsApp (19) 99813-7019
Unidade Brooklin – São Paulo – R. Alcides Ricardini Neves,12 – WhatsApp (11) 94164-5052
Unidade Tatuapé – São Paulo – R. Cantagalo, 692 Conj 618 – WhatsApp (11) 94164-5052
Unidade Valinhos – Av. Joaquim Alves Correa, 4480 – Sala 1 – WhatsApp (19) 99813-7019
Polissonografia Domiciliar – Campinas e Valinhos – WhatsApp (19) 99813-7019

