Mounjaro e apneia do sono passaram a ser associados com mais frequência após o aumento do uso de medicamentos para perda de peso. Isso acontece porque a obesidade é um dos principais fatores de risco para a apneia obstrutiva do sono, e qualquer intervenção que reduza peso corporal pode influenciar esse distúrbio respiratório.
Mas é importante deixar algo claro desde o início: o Mounjaro não é um tratamento direto para apneia do sono. A relação entre eles é indireta e precisa ser compreendida com base na fisiologia e nas evidências científicas disponíveis.
O que é a apneia do sono e por que ela acontece?
A apneia obstrutiva do sono (AOS) ocorre quando há colapso repetido das vias aéreas superiores durante o sono. Esse colapso impede a passagem adequada do ar, causando pausas respiratórias, queda do oxigênio no sangue e microdespertares.
Os principais fatores envolvidos são:
- Relaxamento excessivo da musculatura da faringe
- Acúmulo de gordura ao redor do pescoço e da língua
- Alterações anatômicas da mandíbula
- Obesidade e sobrepeso
Segundo a American Academy of Sleep Medicine, a apneia está associada a consequências cardiovasculares e metabólicas importantes quando não tratada.
Como a obesidade influencia a apneia do sono?
A obesidade aumenta a pressão sobre as vias aéreas superiores. O tecido adiposo ao redor do pescoço e da língua reduz o espaço disponível para a passagem do ar, facilitando o colapso da faringe durante o sono.
Além disso, a obesidade altera o controle neuromuscular da respiração e aumenta o estado inflamatório sistêmico, agravando a apneia.
Por isso, a perda de peso é considerada um dos pilares no manejo da apneia, especialmente nos casos leves e moderados.
O que é o Mounjaro e como ele age no organismo?
O Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento que atua nos receptores de GIP e GLP-1, hormônios envolvidos na regulação da glicose e do apetite.
Seus principais efeitos incluem:
- Redução do apetite
- Aumento da saciedade
- Perda de peso significativa
- Melhora da resistência à insulina
Esses efeitos explicam por que ele passou a ser discutido no contexto da apneia do sono.
O Mounjaro trata diretamente a apneia do sono?
Não.
O Mounjaro não atua sobre a via aérea, não impede o colapso da faringe e não corrige os mecanismos respiratórios da apneia.
O que a ciência mostra é que a perda de peso induzida pelo medicamento pode reduzir a gravidade da apneia em alguns pacientes, mas isso não equivale a tratar a doença.
Estudos publicados no PubMed indicam que a redução do índice de massa corporal pode diminuir o índice de apneia-hipopneia (IAH), mas raramente elimina completamente o distúrbio.
Quais evidências científicas existem até o momento?
Até agora, não há estudos que indiquem o Mounjaro como tratamento específico para apneia do sono. O que existe são evidências indiretas:
- Perda de peso está associada à melhora do IAH
- Menor circunferência cervical reduz colapso da via aérea
- Melhora metabólica reduz inflamação sistêmica
O National Institutes of Health reforça que, mesmo após emagrecimento significativo, muitos pacientes continuam apresentando apneia residual e necessitam de tratamento específico.
O impacto da apneia do sono no sistema cardiovascular
A apneia provoca hipóxia intermitente, ativando o sistema nervoso simpático e elevando níveis de cortisol e catecolaminas.
Isso leva a:
- Hipertensão arterial resistente
- Arritmias cardíacas
- Infarto do miocárdio
- Acidente vascular cerebral (AVC)
Mesmo que o peso diminua, esses riscos permanecem se a apneia não for diagnosticada e tratada adequadamente.
Emagrecer pode substituir o tratamento da apneia?
Não.
A perda de peso é uma estratégia adjuvante, não substitutiva.
Muitos pacientes emagrecem, reduzem o ronco, mas continuam apresentando pausas respiratórias durante o sono. Por isso, a polissonografia continua sendo essencial, antes e depois de qualquer intervenção para perda de peso.
O CPAP é a única opção de tratamento?
O CPAP é o tratamento padrão para apneia moderada e grave, mas nem todos os pacientes se adaptam ao uso da máscara.
Para esses casos, o aparelho intraoral para ronco e apneia é uma alternativa eficaz, especialmente em apneia leve a moderada.
Ele atua avançando a mandíbula, mantendo a via aérea aberta e reduzindo o colapso da faringe, com respaldo científico internacional.
Mounjaro, apneia e falsa sensação de melhora
Um ponto de atenção importante: a melhora do ronco após perda de peso pode gerar a falsa impressão de que a apneia foi resolvida.
O ronco pode diminuir, mas as pausas respiratórias persistirem silenciosamente. Por isso, qualquer melhora subjetiva deve ser confirmada com exames objetivos.
Quando investigar apneia em quem usa Mounjaro?
A investigação é indicada se houver:
- Ronco persistente
- Sonolência diurna
- Cansaço ao acordar
- Pressão alta
- Histórico de apneia
O emagrecimento não elimina a necessidade de avaliação do sono.
Conclusão: o que a ciência realmente diz
Mounjaro e apneia do sono se relacionam de forma indireta. A perda de peso pode reduzir a gravidade da apneia em alguns casos, mas não substitui o diagnóstico nem o tratamento específico do distúrbio respiratório.
A apneia do sono é uma condição multifatorial, com impacto profundo na saúde cardiovascular e metabólica. Tratar apenas o peso, sem avaliar a respiração durante o sono, é um erro comum.
Dormir bem exige mais do que emagrecer: exige respirar bem durante toda a noite.
FAQs – Mounjaro e apneia do sono
Não. A relação é indireta, via perda de peso.
Não. O tratamento depende da gravidade.
Ainda não há estudos diretos para esse fim.
Não. A apneia pode persistir após emagrecimento.
Sim, antes e após qualquer intervenção.
Referências
Peppard PE et al. Longitudinal study of sleep-disordered breathing and weight change.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/
American Academy of Sleep Medicine (AASM)
https://aasm.org
National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea
Punjabi NM. The epidemiology of adult obstructive sleep apnea.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18250205/
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