Sim. Ganhar peso pode fazer uma pessoa que não roncava começar a roncar ou aumentar um ronco que antes era discreto.
Isso não significa que todo ganho de peso obrigatoriamente provoque ronco. Porém, estudos de acompanhamento encontraram associação entre aumento do peso corporal e desenvolvimento de ronco habitual.
O peso é apenas uma das possíveis causas. Anatomia da mandíbula, língua, nariz, posição de dormir, álcool e outras características também podem participar. Quando o problema começa a se repetir, vale conhecer as possibilidades de tratamento para ronco.
Resposta rápida
Ganhar peso pode favorecer o ronco porque mudanças na distribuição de gordura corporal podem contribuir para o estreitamento das vias respiratórias e aumentar sua tendência ao fechamento durante o sono. Estudos longitudinais mostram que ganho de peso está associado ao aparecimento do ronco habitual e à piora de distúrbios respiratórios do sono. Entretanto, o peso não é a única causa e pessoas magras também podem roncar.
Assista à explicação
O aparelho para ronco funciona mesmo?
Neste vídeo, o Dr. Paulo Coelho explica como o aparelho intraoral para ronco atua durante o sono e por que o tratamento deve ser planejado de acordo com as características de cada paciente.
Quer saber se o aparelho intraoral para ronco e apneia do sono sob medida pode ser uma opção para o seu caso? Agende uma avaliação individualizada.
Agende sua avaliação pelo WhatsApp →Por que o aumento de peso pode favorecer o ronco?
O ronco aparece quando o ar encontra uma região estreitada das vias respiratórias superiores e provoca vibração dos tecidos.
Quando há aumento de peso, podem ocorrer mudanças nos tecidos ao redor do pescoço e da garganta que tornam esse espaço respiratório menos favorável durante o sono.
Além disso, a obesidade pode influenciar a mecânica respiratória de outras maneiras, aumentando a predisposição para distúrbios respiratórios do sono.
Isso ajuda a explicar por que alguém pode dizer:
“Eu nunca roncava. Ganhei peso e agora minha esposa diz que ronco todas as noites.”
Essa relação é possível e merece ser considerada.
Existem estudos mostrando que pessoas começam a roncar depois de ganhar peso?
Sim.
Um estudo acompanhou homens durante dez anos e observou que o ganho de peso foi um fator de risco para o desenvolvimento de ronco habitual em diferentes faixas etárias.
Outro estudo longitudinal, o Busselton Health Study, acompanhou adultos ao longo de aproximadamente 14 anos. A mudança no índice de massa corporal esteve independentemente associada ao desenvolvimento de ronco habitual.
Esses estudos demonstram associação, não significam que o ganho de peso seja a única explicação para todos os novos casos de ronco.
Preciso ganhar muito peso para começar a roncar?
Não existe uma quantidade universal.
A influência de alguns quilos pode ser diferente de pessoa para pessoa porque as vias respiratórias não possuem a mesma anatomia.
Uma pessoa já pode ter:
- mandíbula posicionada mais para trás;
- pouco espaço para a língua;
- garganta mais estreita;
- obstrução nasal;
- tendência a dormir de barriga para cima.
Nesse cenário, o aumento de peso pode funcionar como mais um fator sobre uma via respiratória que já possuía predisposição ao estreitamento.
Por isso, não existe um número de quilos a partir do qual alguém necessariamente começará a roncar.
O ganho de peso também pode piorar a apneia do sono?
Sim, e aqui a evidência é particularmente importante.
Um estudo longitudinal publicado no JAMA encontrou que uma elevação de 10% do peso corporal esteve associada, naquela população, a aproximadamente 32% de aumento no índice de apneia e hipopneia. Também houve aumento da probabilidade de desenvolvimento de distúrbio respiratório moderado a grave.
Isso não significa que esses números possam ser aplicados exatamente a qualquer indivíduo.
O estudo demonstra que mudanças de peso e mudanças na gravidade dos distúrbios respiratórios do sono estão relacionadas em nível populacional.
Outro acompanhamento de pacientes com ronco e apneia encontrou que a progressão dos eventos respiratórios ao longo do tempo dependia principalmente do aumento do peso.
Então emagrecer faz o ronco desaparecer?
Não necessariamente.
Quando o excesso de peso participa do problema, a redução de peso pode contribuir para melhorar a respiração durante o sono.
Mas ronco é multifatorial.
Mesmo depois de perder peso, algumas pessoas continuam roncando devido à anatomia da mandíbula, posição da língua, palato, nariz ou outros fatores.
Da mesma forma, existem pessoas magras que roncam. Isso é importante porque evita a ideia equivocada de que ronco seja simplesmente “um problema de quem está acima do peso”.
Para conhecer outros fatores, consulte o que causa o ronco.
Como saber se meu ganho de peso está relacionado ao ronco?
Observe a sequência dos acontecimentos.
Pergunte a si mesmo:
- eu roncava antes?
- quando meu parceiro começou a perceber o ronco?
- houve aumento de peso nesse período?
- o ronco ficou progressivamente mais frequente?
- surgiram cansaço ou sonolência?
- alguém percebe pausas na minha respiração?
Essas informações não fazem diagnóstico, mas ajudam bastante durante uma avaliação.
Se o ronco começou aproximadamente no mesmo período de um ganho significativo de peso, essa relação merece ser considerada — principalmente quando o problema persiste.
Entenda as diferenças
Neste vídeo, o Dr. Paulo Coelho explica as diferenças entre o CPAP e o aparelho intraoral individualizado no tratamento do ronco e da apneia do sono, incluindo indicações, adaptação e acompanhamento.
Está em dúvida sobre qual tratamento pode ser mais adequado para o seu caso? Agende uma avaliação individualizada.
Agende sua avaliação pelo WhatsApp →A escolha entre o CPAP e o aparelho intraoral depende do diagnóstico, da gravidade da apneia, das características das vias aéreas e da adaptação de cada paciente.
Quando o novo ronco merece mais atenção?
O aparecimento de ronco depois do ganho de peso merece atenção principalmente quando também existem:
- pausas respiratórias;
- engasgos durante a noite;
- despertares com falta de ar;
- ronco quase todas as noites;
- sono pouco reparador;
- dor de cabeça pela manhã;
- cansaço persistente;
- sonolência durante o dia.
Nessas situações, não é adequado concluir simplesmente que “é porque engordei”.
É importante verificar se existe apneia obstrutiva do sono.
Quando procurar avaliação odontológica?
Uma avaliação em Odontologia do Sono pode ajudar quando o ronco se torna persistente.
Além do peso, podem ser observadas características da mandíbula, mordida, língua, dentes, gengivas e outras estruturas que influenciam a passagem do ar.
Em casos corretamente selecionados, um aparelho para ronco pode fazer parte do tratamento.
Se houver suspeita de apneia, entretanto, a investigação da respiração durante o sono também é necessária. O tratamento não deve ter como único objetivo diminuir o barulho.
Onde realizar uma avaliação do ronco?
O Prof. Dr. Paulo Coelho realiza avaliação odontológica das estruturas bucais, da mordida e das condições necessárias para o uso de aparelho intraoral individualizado em casos selecionados de ronco e apneia obstrutiva do sono.
Os atendimentos são realizados em São Paulo, Campinas e Valinhos.
Tratamento do ronco e da apneia em Campinas
Tratamento do ronco e da apneia em Valinhos
Tratamento do ronco e da apneia no Brooklin
Tratamento do ronco e da apneia no Tatuapé
Perguntas frequentes
É possível que uma mudança relativamente pequena contribua em uma pessoa predisposta, mas não existe uma quantidade fixa capaz de prever quando o ronco começará.
O aumento de tecido ao redor das vias respiratórias pode contribuir para seu estreitamento, mas o mecanismo do ronco envolve também anatomia, musculatura, posição e outros fatores.
Sim. Peso adequado não exclui ronco nem apneia. Características craniofaciais e das vias respiratórias também são importantes.
Quando existe excesso de peso, seu controle pode fazer parte da estratégia. A indicação deve considerar saúde geral e avaliação individual, evitando dietas extremas ou perda de peso sem orientação.
Não é possível afirmar que isso acontecerá com determinada pessoa, mas ganho de peso está associado à progressão dos distúrbios respiratórios do sono e ao aumento de sua gravidade em estudos longitudinais.
Conclusão
Ganhar peso pode contribuir para que uma pessoa comece a roncar, principalmente quando já existe predisposição anatômica ao estreitamento das vias respiratórias.
Mas o peso é apenas uma parte da história.
Se o ronco apareceu depois de um aumento de peso, observar essa relação é importante. Se ele se tornou frequente ou está acompanhado de pausas respiratórias, engasgos, cansaço ou sonolência, vale investigar.
Para conhecer as diferentes possibilidades de avaliação e tratamento para ronco, consulte a página central do cluster.
Download gratuito e sem necessidade de cadastro.
Referências científicas
Lindberg E et al. A 10-year follow-up of snoring in men. Chest. 1998.
PubMed – Ganho de peso e desenvolvimento de ronco habitual
Marshall NS et al. Longitudinal study of risk factors for habitual snoring in a general adult population: the Busselton Health Study. Sleep Medicine. 2007.
PubMed – Fatores de risco para desenvolvimento de ronco habitual
Peppard PE et al. Longitudinal study of moderate weight change and sleep-disordered breathing. JAMA. 2000.
PubMed – Mudança de peso e distúrbios respiratórios do sono
Berger G, Berger R, Oksenberg A. Progression of snoring and obstructive sleep apnoea: the role of increasing weight and time. European Respiratory Journal. 2009.
PubMed – Progressão do ronco, apneia e ganho de peso
Hamilton GS, Joosten SA. Obstructive sleep apnoea and obesity. Australian Family Physician. 2017.
PubMed – Apneia obstrutiva do sono e obesidade
