Se você treina, sabe: o Protetor Bucal Jiu Jitsu precisa proteger… e também ficar no lugar. No “rola”, a respiração acelera, a mandíbula abre e fecha o tempo todo, e ainda existe pressão no queixo, na face e na boca. Um protetor que solta vira distração — e pode aumentar o risco de trauma.
A boa notícia é que “não sair” não é sorte: é biomecânica + ajuste. E isso muda bastante entre protetor moldável/genérico e personalizado.
Por que no jiu-jitsu o protetor precisa “não sair no rola”?
No jiu-jitsu, o risco não é só um “impacto direto”. Há compressões, empurrões no queixo, quedas, choque acidental de cabeça e muita força aplicada com a boca aberta.
Quando o protetor não tem retenção, ele desloca com a língua, com a respiração forte ou quando a arcada inferior “puxa” o superior durante um ajuste de guarda. Isso pode gerar mordidas na bochecha, pequenas lacerações e até fratura/lasca dental em situações de contato.
Quais são os dois tipos de protetores bucais mais comuns?
Existem basicamente dois tipos:
- Protetor bucal moldável ou genérico: comprado pronto e ajustado em casa, aquecendo em água quente e moldando na boca.
- Protetor bucal personalizado: confeccionado por um dentista (idealmente com atuação em Odontologia do Esporte) a partir de molde/escaneamento, com materiais e técnicas de termoformagem.
Essa diferença não é “detalhe”: muda retenção, espessura real de proteção e estabilidade mandibular.
Como o protetor moldável/genérico funciona e onde costuma falhar?
O moldável (“boil-and-bite”) depende muito da técnica de moldagem e do formato da sua arcada. Na prática, duas falhas aparecem bastante:
- Perda de espessura na mordida: ao morder forte para moldar, você afina o material justamente onde deveria amortecer melhor o choque.
- Retenção instável: ele pode até “encaixar”, mas perde estabilidade com suor, saliva, fala e respiração intensa.
Por isso, em recomendações técnicas, protetores personalizados tendem a ser considerados superiores em ajuste e proteção, enquanto os moldáveis variam muito de pessoa para pessoa.
Como o protetor personalizado é feito e por que “segura” melhor?
No personalizado, o dentista registra sua arcada (molde ou escaneamento) e confecciona o protetor com adaptação precisa às áreas de retenção (as “curvas” naturais dos dentes).
O resultado costuma ser:
- Encaixe firme sem você precisar morder para manter no lugar
- Bordas bem acabadas, menos feridas em gengiva e bochecha
- Espessura mais uniforme nas áreas críticas
- Mais conforto, o que melhora a chance de você usar sempre
Posicionamentos e revisões recentes reforçam que o custom-made é o padrão com melhor combinação de proteção e aceitabilidade.
O que faz um protetor “não sair” durante o rola?
Aqui está o núcleo do problema: retenção não é “força”, é geometria e vedação.
Quais detalhes de design aumentam a retenção?
Um protetor bucal estável geralmente apresenta:
- Cobertura adequada de dentes posteriores (molares), que funcionam como “trava”
- Extensão correta das bordas, sem ficar curto demais (solta) nem longo demais (machuca)
- Adaptação íntima às faces dos dentes (vestibular/palatina), criando um encaixe “por abraçamento”
No personalizado, o profissional consegue controlar esses detalhes com muito mais previsibilidade.
Por que conforto e respiração também influenciam “não sair”?
Se o protetor bucal atrapalha a ventilação, você tende a abrir mais a boca, ajustar com a língua e “empurrar” o protetor sem perceber. Isso favorece deslocamento.
Estudos comparando protetores mostram que os efeitos fisiológicos costumam ser pequenos, mas conforto e “wearability” diferenciam bastante customizados de autoadaptados.
O protetor personalizado protege mesmo a ATM no jiu-jitsu?
De forma simples: o moldável/genérico costuma ter como foco principal os dentes (evitar fratura e cortes). Já o personalizado permite planejar melhor a estabilidade mandibular e a distribuição de forças, o que pode ajudar a reduzir carga sobre a articulação temporomandibular (ATM) em situações de choque e compressão.
A literatura discute esse potencial benefício, especialmente em esportes de contato, embora o efeito exato varie conforme design, ajuste e tipo de trauma.
Como escolher o melhor protetor para o seu perfil no jiu-jitsu?
Você é iniciante e ainda está “se adaptando”?
Se você está começando, até pode usar um moldável como “ponte”, desde que ele não solte, não machuque e não te faça tirar no meio do treino.
Mas se você já percebe que ele sai com facilidade, isso é um sinal de que a retenção não está adequada para a dinâmica do jiu-jitsu.
Você faz rola forte, compete ou treina muitas vezes por semana?
Quanto maior a exposição (frequência/intensidade), mais sentido faz priorizar retenção previsível e proteção consistente. Nessa faixa, o personalizado costuma ser o mais confiável.
Você tem dor na ATM, estalos, travamento ou bruxismo?
Aqui eu seria bem direto e cuidadoso: vale avaliação com dentista. Dor na ATM muda a forma como sua mandíbula “encaixa” e como você reage sob pressão, e isso influencia qual design fica estável e confortável.
Como testar se o protetor realmente não vai sair?
Antes de entrar no rola, faça um “teste rápido”:
- Coloque o protetor bucal e abra a boca: ele deve ficar firme
- Tente falar frases curtas e respirar pelo nariz e pela boca
- Faça movimentos de mandíbula como se estivesse lutando (abrir, fechar, lateralizar)
Se ele cai, gira, “boia” ou exige que você morda o tempo todo para segurar, a retenção está insuficiente para jiu-jitsu.
Como cuidar e quando trocar o protetor?
Lave com água fria ou morna e sabão neutro após o treino, seque e guarde ventilado. Evite calor excessivo (deforma).
Troque se houver rasgos, deformação, perda de encaixe, mau cheiro persistente ou se começou a machucar tecidos. Diretrizes gerais ressaltam que ajuste adequado e integridade do material são essenciais para proteção real.
FAQs
Depende do ajuste; em muitos casos, solta com respiração e rola forte.
Geralmente sim, por encaixe e retenção mais precisos.
O personalizado pode ajudar mais na estabilidade mandibular.
Pode variar; conforto tende a ser melhor no customizado.
Quando perder encaixe, deformar, rasgar ou machucar.
Referências internacionais (links)
Position Statement and Recommendations for Custom-Made Sport Mouthguards (2024) – PMC (NIH)
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12056218/
FSEM (UK) – Mouthguards for the prevention of oro-facial trauma in sport (Position Statement)
https://www.fsem.ac.uk/position-statement/mouthguards-for-the-prevention-of-oro-facial-trauma-in-sport/
Wearability and physiological effects of custom-fitted vs self-adapted mouthguards (2008) – PubMed (NIH)
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18721344/
Effects of boil-and-bite and custom-fit mouthguards on exercise responses (2020) – PubMed (NIH)
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31565911/
The Role of Mouthguards in Preventing Temporomandibular Joint Injuries During Contact Sports (2023) – PMC (NIH)
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10258405/
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