A GUNA — gengivite ulcerativa necrosante aguda — é uma denominação tradicional para a condição atualmente classificada principalmente como gengivite necrosante.
Trata-se de uma doença periodontal de início geralmente rápido, caracterizada principalmente por dor, sangramento e necrose ou ulceração das papilas da gengiva, que são as pequenas regiões triangulares localizadas entre os dentes.
Outros sinais podem incluir mau hálito intenso, uma camada esbranquiçada ou acinzentada sobre as áreas lesionadas, gosto desagradável, dificuldade para escovar e, em casos mais importantes, febre, mal-estar ou aumento dos linfonodos.
A classificação periodontal contemporânea considera as doenças periodontais necrosantes um grupo próprio, no qual a necrose dos tecidos é uma característica marcante. Os três sinais clínicos mais típicos são necrose das papilas, sangramento e dor.
Embora muitas pessoas ainda pesquisem por “GUNA”, “gengivite ulcerativa necrosante aguda” ou “ANUG”, nesta página utilizaremos também o termo atual gengivite necrosante.
Resposta rápida
A GUNA, atualmente chamada principalmente de gengivite necrosante, é uma doença aguda da gengiva que costuma provocar dor, sangramento e áreas de necrose ou ulceração entre os dentes. Está associada ao biofilme bucal e a fatores que reduzem temporária ou persistentemente a capacidade de defesa do organismo, como estresse intenso, tabagismo, desnutrição e determinadas formas de imunossupressão. O tratamento deve ser realizado pelo dentista e geralmente começa com limpeza cuidadosa da região e controle da infecção e dos fatores predisponentes.
Uma revisão publicada em 2025 reforçou que as doenças periodontais necrosantes são condições oportunistas relacionadas ao biofilme em pessoas predispostas, e não simplesmente uma “gengivite comum mais forte”.
A prevenção é uma das formas mais simples e eficientes de manter dentes e gengivas saudáveis. Mesmo sem dor, alterações como cáries iniciais, gengivite e acúmulo de tártaro podem evoluir silenciosamente.
Uma avaliação preventiva ajuda a identificar essas alterações precocemente, orientar os cuidados mais adequados e preservar seu sorriso ao longo do tempo.
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O que significa GUNA?
A sigla GUNA significa:
Gengivite Ulcerativa Necrosante Aguda.
Durante muitos anos esse foi um dos principais nomes utilizados na literatura odontológica.
Na classificação periodontal contemporânea, a condição é geralmente denominada gengivite necrosante.
Essa mudança ajuda a organizar as doenças necrosantes conforme os tecidos comprometidos:
- gengivite necrosante;
- periodontite necrosante;
- estomatite necrosante.
A palavra “necrosante” significa que ocorre destruição e morte de pequenas áreas do tecido gengival.
Isso explica o aspecto característico que pode aparecer principalmente nas papilas localizadas entre os dentes.
GUNA é a mesma coisa que gengivite?
Não.
A gengivite comum relacionada ao acúmulo de placa costuma provocar:
- sangramento;
- vermelhidão;
- inchaço;
- sensibilidade;
- alteração no contorno da gengiva.
A gengivite necrosante apresenta características diferentes.
Além da inflamação, podem surgir:
- dor significativa;
- ulceração;
- necrose das papilas;
- sangramento espontâneo;
- aspecto crateriforme entre os dentes;
- pseudomembrana esbranquiçada ou acinzentada;
- mau hálito intenso.
Essa combinação de dor, sangramento e necrose é muito mais característica das doenças periodontais necrosantes.
Quais são os principais sintomas da GUNA?
Os sintomas podem aparecer rapidamente.
Os mais característicos são:
Dor na gengiva
A dor costuma ser um dos sinais mais importantes.
Ela pode dificultar:
- escovação;
- mastigação;
- alimentação;
- limpeza entre os dentes.
Como escovar passa a doer, algumas pessoas reduzem a higiene justamente quando o controle da placa se torna ainda mais necessário.
Sangramento
A gengiva pode sangrar facilmente ao toque, durante a escovação ou até espontaneamente.
Veja também: Gengiva Sangrando.
Necrose das papilas
As papilas são as pequenas porções da gengiva que ocupam o espaço entre os dentes.
Na gengivite necrosante, essas regiões podem ficar ulceradas e perder parte de seu formato normal, criando uma aparência conhecida como “papila em cratera” ou punched-out.
Essa é uma característica clínica importante da doença.
Mau hálito
O mau hálito pode ser intenso devido à combinação entre biofilme, necrose, sangramento e dificuldade para realizar a higiene.
Pseudomembrana
Algumas lesões podem apresentar uma camada esbranquiçada ou acinzentada sobre a região ulcerada.
Essa aparência não deve ser removida agressivamente em casa.
Febre e mal-estar
Casos mais extensos podem estar acompanhados por:
- febre;
- mal-estar;
- cansaço;
- aumento dos linfonodos próximos ao pescoço.
Esses sinais aumentam a necessidade de avaliação rápida.
GUNA aparece de repente?
Frequentemente, sim.
As doenças periodontais necrosantes estão entre as condições periodontais que podem apresentar início rápido, dor e destruição acelerada dos tecidos.
Por isso, diferentemente de várias formas de periodontite que podem evoluir silenciosamente, a pessoa com gengivite necrosante geralmente percebe que algo mudou rapidamente.
Isso também explica por que a doença não deve ser tratada apenas com receitas caseiras e observação por vários dias.
O que causa GUNA?
Não existe uma única causa isolada.
A doença envolve interação entre:
- biofilme bacteriano;
- inflamação gengival;
- capacidade de defesa do organismo;
- fatores comportamentais;
- fatores sistêmicos.
Uma revisão publicada em 2025 descreveu as doenças periodontais necrosantes como infecções oportunistas associadas ao biofilme, nas quais fatores predisponentes aumentam consideravelmente a possibilidade de desenvolvimento da doença.
Isso significa que as bactérias da boca participam do processo, mas o estado do paciente também possui papel fundamental.
Quais são os principais fatores de risco?
Entre os fatores mais estudados estão:
- estresse psicológico intenso;
- tabagismo;
- higiene bucal inadequada;
- inflamação gengival prévia;
- privação de sono;
- desnutrição importante;
- consumo excessivo de álcool;
- diabetes descontrolado;
- imunossupressão;
- HIV não controlado;
- determinadas doenças hematológicas;
- tratamentos que comprometem a resposta imunológica.
A revisão epidemiológica publicada em 2025 destacou especialmente imunossupressão, estresse psicológico grave, desnutrição severa, tabagismo intenso, consumo elevado de álcool, diabetes não controlado e infecção pelo HIV entre os fatores associados.
Isso não significa que toda pessoa com algum desses fatores desenvolverá GUNA.
Também é possível ocorrer doença necrosante sem imunodeficiência grave.
Estresse pode causar GUNA?
O estresse intenso aparece há décadas associado às doenças periodontais necrosantes.
Entretanto, é mais adequado considerá-lo um fator predisponente, e não a única causa da doença.
Períodos de grande estresse podem estar acompanhados por:
- sono insuficiente;
- alimentação inadequada;
- aumento do tabagismo;
- redução da higiene;
- alterações na resposta imunológica.
Essa combinação pode tornar o ambiente mais favorável ao desenvolvimento da doença em uma pessoa suscetível.
A classificação periodontal reconhece inclusive indivíduos temporária ou moderadamente comprometidos — como fumantes ou pessoas sob intenso estresse psicossocial — entre os grupos em que doenças necrosantes podem ocorrer.
Cigarro aumenta o risco?
Pode aumentar.
O tabagismo está entre os fatores predisponentes mais consistentemente relacionados às doenças periodontais necrosantes.
Além da GUNA, fumar está associado a maior risco e pior evolução de outras doenças periodontais.
O cigarro pode alterar:
- resposta imunológica;
- circulação dos tecidos gengivais;
- microbiota;
- cicatrização;
- resposta ao tratamento.
Veja também: Cigarro Eletrônico, Tabagismo e Saúde Bucal.
GUNA pode estar relacionada à imunidade?
Sim.
As doenças periodontais necrosantes apresentam associação importante com alterações da resposta imunológica.
Elas podem ocorrer tanto em pessoas com comprometimento intenso e prolongado das defesas quanto em situações temporárias ou moderadas de vulnerabilidade.
Por isso, em determinadas apresentações — especialmente quando a doença é extensa, recorrente ou acompanhada por outros sinais clínicos — pode ser necessário investigar a saúde geral.
Veja também: Saúde Bucal e Sistema Imunológico.
Existe relação entre GUNA e HIV?
Existe associação, mas GUNA não significa que a pessoa tenha HIV.
Historicamente, as doenças periodontais necrosantes foram observadas com maior frequência em pessoas com imunossupressão importante, incluindo alguns pacientes com infecção pelo HIV sem controle adequado.
Atualmente, com diagnóstico precoce e terapia antirretroviral eficaz, muitas pessoas vivendo com HIV mantêm boa saúde bucal.
Quando existe suspeita clínica de imunossupressão, o dentista pode recomendar investigação médica. O diagnóstico de HIV não pode ser feito apenas pela aparência da gengiva.
A prevenção começa antes da dor.
Muitas pessoas só procuram o dentista quando sentem dor ou percebem algum problema. Porém, diversas doenças bucais começam de forma silenciosa e podem evoluir sem causar sintomas nos estágios iniciais.
A limpeza dental profilática vai muito além de deixar os dentes mais brancos. Ela ajuda a controlar a placa bacteriana, remover o tártaro, acompanhar a saúde da gengiva e identificar alterações que precisam de atenção.
Quando a prevenção faz parte da rotina, é possível preservar os dentes, reduzir o risco de gengivite e periodontite e evitar que pequenos problemas se tornem tratamentos mais complexos.
GUNA é contagiosa?
Ela não é considerada uma doença contagiosa comum, como gripe ou resfriado.
Os microrganismos envolvidos fazem parte de comunidades bacterianas encontradas na boca, enquanto o desenvolvimento da doença depende fortemente das condições do hospedeiro e de fatores predisponentes.
Assim, não se deve interpretar GUNA como uma infecção que simplesmente “passa” de uma pessoa para outra pelo contato cotidiano.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é predominantemente clínico.
O dentista avalia:
- localização das lesões;
- necrose das papilas;
- dor;
- sangramento;
- presença de pseudomembrana;
- mau hálito;
- quantidade de placa e tártaro;
- condição periodontal;
- perda de inserção;
- histórico de início dos sintomas;
- tabagismo;
- estresse;
- medicamentos;
- doenças sistêmicas.
A presença conjunta de dor de início rápido, sangramento e necrose ou ulceração das papilas é altamente característica.
Nem sempre são necessários exames microbiológicos.
Em casos selecionados, exames laboratoriais ou avaliação médica podem ser solicitados para investigar fatores sistêmicos.
Precisa fazer radiografia?
Nem toda gengivite necrosante exige radiografias para confirmar o diagnóstico.
Elas se tornam especialmente importantes quando existe suspeita de:
- perda óssea;
- periodontite prévia;
- mobilidade dentária;
- periodontite necrosante;
- comprometimento periodontal mais profundo.
A presença de perda óssea rápida muda a classificação e o planejamento do tratamento.
Qual é a diferença entre gengivite necrosante e periodontite necrosante?
Essa diferença é fundamental.
Gengivite necrosante
A necrose e a inflamação estão principalmente limitadas aos tecidos gengivais.
Os sinais característicos são:
- necrose ou ulceração das papilas;
- sangramento;
- dor.
Periodontite necrosante
Na periodontite necrosante, além da necrose, dor e sangramento, ocorre destruição dos tecidos de sustentação, incluindo perda rápida de inserção e de osso alveolar.
Por isso, a periodontite necrosante é mais destrutiva.
Ela também não deve ser confundida com a forma mais comum de periodontite.
GUNA pode virar periodontite necrosante?
Pode haver progressão quando a destruição deixa de estar restrita à gengiva e passa a comprometer os tecidos periodontais de sustentação.
Essa possibilidade é uma das razões pelas quais o diagnóstico e o tratamento precoces são importantes.
As doenças necrosantes podem apresentar destruição rápida dos tecidos quando não são adequadamente controladas.
Isso não significa que todo caso de gengivite necrosante obrigatoriamente evoluirá para periodontite.
GUNA pode causar perda dos dentes?
A gengivite necrosante restrita à gengiva não apresenta a mesma perda de suporte típica da periodontite.
Entretanto, se houver progressão para periodontite necrosante, pode ocorrer rápida perda de inserção e osso.
Em situações avançadas, isso pode comprometer o suporte dos dentes.
O objetivo do atendimento rápido é justamente controlar a fase aguda e impedir maior destruição periodontal.
Quais doenças podem parecer GUNA?
Nem toda ferida ou área branca na gengiva representa gengivite necrosante.
O diagnóstico diferencial pode envolver outras condições, como:
- gengivite relacionada à placa;
- infecções virais;
- lesões traumáticas;
- doenças ulcerativas das mucosas;
- alterações hematológicas;
- manifestações relacionadas a medicamentos;
- abscessos periodontais;
- estomatites;
- outras doenças imunológicas.
Por isso, fotos enviadas pela internet não são suficientes para confirmar GUNA.
O exame presencial é importante principalmente quando existe dor intensa, necrose ou sangramento espontâneo.
GUNA precisa de tratamento urgente?
A avaliação deve ser feita rapidamente.
As doenças periodontais necrosantes apresentam início e progressão que podem ser rápidos, e o tratamento precoce ajuda a controlar a dor, o sangramento e a destruição dos tecidos.
Procure atendimento especialmente quando houver:
- dor forte;
- necrose visível na gengiva;
- sangramento espontâneo;
- mau hálito intenso com feridas;
- febre;
- mal-estar;
- dificuldade para se alimentar;
- aumento de linfonodos;
- piora rápida das lesões.
Como é feito o tratamento da GUNA?
O tratamento costuma acontecer em etapas.
O primeiro objetivo é controlar a fase aguda, reduzir a carga microbiana e permitir que a gengiva comece a cicatrizar.
Uma revisão sistemática publicada em março de 2026, que avaliou 35 estudos sobre doenças periodontais necrosantes, concluiu que o tratamento se apoia principalmente em debridamento mecânico e antissépticos, enquanto antimicrobianos sistêmicos ficam reservados principalmente para situações com comprometimento sistêmico. A revisão também destacou que a qualidade das evidências disponíveis ainda apresenta limitações.
1. Limpeza cuidadosa das áreas afetadas
Durante a fase aguda, o dentista pode remover delicadamente:
- placa;
- resíduos;
- depósitos superficiais;
- tecido necrótico solto;
- fatores que dificultam a higiene.
Como a região pode estar extremamente dolorida, o atendimento precisa ser cuidadoso e pode ser realizado progressivamente.
2. Controle químico temporário do biofilme
Antissépticos podem ser indicados durante a fase inicial, principalmente quando a dor impede uma escovação adequada.
A clorexidina é um dos produtos estudados nesse contexto.
Entretanto, ela deve ser utilizada conforme indicação profissional e pelo período necessário.
Ela não substitui o tratamento mecânico.
3. Retorno e reavaliação
Depois que a dor diminui, torna-se possível realizar uma limpeza mais completa e avaliar melhor a condição periodontal.
Podem ser necessários novos atendimentos para:
- remover depósitos restantes;
- reavaliar a cicatrização;
- medir bolsas;
- controlar gengivite prévia;
- verificar perda óssea;
- melhorar a higiene.
4. Controle dos fatores predisponentes
Sem controlar os fatores associados, o risco de recorrência pode permanecer maior.
O plano pode incluir:
- parar de fumar;
- melhorar higiene;
- regularizar alimentação;
- recuperar o sono;
- controlar doenças sistêmicas;
- reduzir situações de estresse quando possível;
- realizar acompanhamento médico quando indicado.
GUNA precisa de antibiótico?
Nem sempre.
Esse é um ponto importante.
O antibiótico não deve ser considerado tratamento automático para toda gengivite necrosante.
A revisão sistemática de 2026 concluiu que o tratamento inicial se baseia principalmente no debridamento mecânico associado ao controle antisséptico, enquanto antimicrobianos sistêmicos são reservados principalmente para casos com sinais sistêmicos ou apresentações específicas.
O dentista pode considerar antibióticos quando houver, por exemplo:
- febre;
- mal-estar;
- comprometimento sistêmico;
- doença extensa;
- resposta inadequada ao tratamento local;
- determinadas condições de imunossupressão.
A escolha do medicamento precisa considerar histórico médico, alergias, interações e condição clínica.
Não utilize antibióticos por conta própria nem sobras de tratamentos anteriores.
Clorexidina trata GUNA?
A clorexidina pode ser utilizada como coadjuvante temporário, mas não deve ser considerada uma solução isolada.
O principal tratamento continua envolvendo:
- diagnóstico;
- debridamento;
- controle do biofilme;
- melhora da higiene;
- reavaliação;
- controle dos fatores predisponentes.
Antissépticos não removem tártaro nem substituem o atendimento profissional.
Veja também: Enxaguante Bucal.
Posso usar água com sal ou receitas caseiras?
Bochechos caseiros não tratam a causa da gengivite necrosante.
Uma melhora momentânea do desconforto também não significa que a doença esteja controlada.
O maior problema das receitas caseiras é atrasar a avaliação de uma condição que pode apresentar rápida evolução.
Evite aplicar diretamente sobre a gengiva substâncias irritantes ou produtos não destinados ao uso bucal.
O tratamento deve ser definido após o diagnóstico.
Posso escovar os dentes durante uma crise de GUNA?
A higiene continua importante, mas precisa ser adaptada à dor e ao estágio da doença.
Nos primeiros dias, determinadas áreas podem estar muito sensíveis.
O dentista pode orientar:
- escova macia;
- movimentos delicados;
- limpeza progressiva;
- uso temporário de antisséptico;
- retorno precoce para remoção profissional dos depósitos.
Interromper completamente a higiene pode aumentar ainda mais o acúmulo de biofilme.
Veja também: Escovação dos Dentes.
Quanto tempo demora para melhorar?
Quando o diagnóstico é correto e o tratamento é iniciado rapidamente, dor, sangramento e ulceração podem começar a melhorar em poucos dias.
Entretanto, isso não significa que todo o tratamento esteja concluído.
A revisão sistemática de 2026 encontrou redução de dor, sangramento e resolução das ulcerações em períodos curtos nas diferentes intervenções estudadas, mas ressaltou a heterogeneidade e limitações da literatura disponível.
Depois da fase aguda ainda pode ser necessário tratar:
- gengivite;
- tártaro;
- periodontite;
- alterações da anatomia gengival;
- fatores predisponentes.
A gengiva volta ao normal?
Em muitos casos, a inflamação e a dor podem apresentar grande melhora após o tratamento.
Entretanto, quando houve perda de tecido, podem permanecer pequenas alterações na forma das papilas ou “crateras” entre os dentes.
Depois que a doença estiver controlada, o periodontista pode avaliar se essas alterações:
- dificultam a higiene;
- acumulam alimentos;
- necessitam apenas de acompanhamento;
- justificam algum tratamento adicional.
A evidência científica sobre reconstrução e prevenção de recorrências após doenças necrosantes ainda é limitada, conforme mostrou a revisão sistemática publicada em 2026.
GUNA pode voltar?
Pode.
O risco de recorrência aumenta quando permanecem fatores como:
- tabagismo;
- higiene insuficiente;
- inflamação gengival;
- estresse intenso;
- privação de sono;
- doenças sistêmicas sem controle;
- falta de acompanhamento periodontal.
Depois da resolução da fase aguda, o objetivo é restabelecer uma rotina de prevenção e tratar qualquer problema periodontal preexistente.
Limpeza dental é suficiente para tratar GUNA?
Não necessariamente.
Uma Limpeza Dental preventiva é realizada em uma pessoa que não apresenta necessariamente uma doença periodontal necrosante ativa.
Na GUNA existe uma condição aguda que precisa de:
- diagnóstico;
- controle da dor;
- debridamento adequado;
- avaliação periodontal;
- possível uso de antissépticos;
- investigação dos fatores predisponentes;
- reavaliação.
Depois que a fase aguda estiver controlada, pode ser realizado o tratamento necessário para remover tártaro e estabilizar a gengiva.
Quando é necessário tratamento periodontal?
Se o exame mostrar:
- bolsas periodontais;
- perda de inserção;
- tártaro abaixo da gengiva;
- perda óssea;
- periodontite prévia;
pode ser necessário um tratamento diferente da profilaxia preventiva.
Veja: Tratamento Periodontal Não Cirúrgico.
Quando existe perda óssea rápida associada ao quadro necrosante, deve-se considerar a possibilidade de periodontite necrosante.
GUNA tem cura?
A fase ativa pode ser controlada e as lesões podem cicatrizar.
Entretanto, é importante corrigir a pergunta: mais importante do que simplesmente declarar “cura” é identificar por que a doença apareceu e reduzir o risco de recorrência.
Isso envolve:
- controlar a fase aguda;
- remover o biofilme e os depósitos;
- restabelecer a higiene;
- avaliar a condição periodontal;
- tratar doenças associadas;
- controlar fatores de risco;
- realizar manutenção.
Quando procurar atendimento imediatamente?
Não espere uma consulta preventiva de rotina quando existir:
- dor intensa;
- sangramento espontâneo;
- necrose que esteja aumentando rapidamente;
- febre;
- mal-estar importante;
- dificuldade para engolir;
- dificuldade para se alimentar;
- inchaço no rosto;
- comprometimento extenso da boca;
- piora rápida do estado geral.
Dificuldade para respirar, inchaço importante do pescoço ou comprometimento significativo do estado geral exigem avaliação médica imediata.
Atendimento para gengivite necrosante em Campinas e Valinhos
A avaliação periodontal permite diferenciar gengivite necrosante de gengivite comum, periodontite, abscessos e outras lesões que podem apresentar sintomas semelhantes.
Durante o atendimento, são avaliados:
- gengiva;
- papilas;
- sangramento;
- dor;
- placa;
- tártaro;
- bolsas periodontais;
- mobilidade;
- perda de inserção;
- histórico médico;
- medicamentos;
- fatores de risco.
O atendimento odontológico em Campinas é realizado no Cambuí, na Rua Antônio Lapa, 1020.
Também há atendimento em Valinhos, na Avenida Joaquim Alves Corrêa, 4480 — Sala 1.
Quando o quadro agudo estiver controlado, o acompanhamento passa a ter como objetivo recuperar e manter a Saúde da Gengiva.
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Perguntas frequentes sobre GUNA
GUNA é a sigla para gengivite ulcerativa necrosante aguda, denominação histórica da condição atualmente chamada principalmente de gengivite necrosante.
Os três sinais mais característicos são dor, sangramento e necrose ou ulceração das papilas interdentais.
É melhor considerá-la uma forma específica de doença periodontal necrosante, e não simplesmente uma gengivite comum em estágio avançado.
Pode causar dor significativa e de início rápido, sendo essa uma das características que a diferencia de muitas outras doenças periodontais.
Pode. O mau hálito é frequentemente associado ao quadro por causa da necrose, do biofilme, do sangramento e da dificuldade para higienizar.
Pode ocorrer febre e mal-estar principalmente em apresentações mais extensas, mas esses sinais não estão presentes em todos os casos.
Não é considerada uma doença contagiosa comum. Seu desenvolvimento depende fortemente da interação entre biofilme e fatores individuais predisponentes.
Estresse psicológico intenso é reconhecido como um fator predisponente, mas não é considerado a única causa.
Sim. O tabagismo é um dos principais fatores associados às doenças periodontais necrosantes.
Não necessariamente. A doença pode estar relacionada a comprometimento da resposta imunológica, mas também ocorre em pessoas sem imunodeficiência grave.
Não. Existe associação histórica entre doenças necrosantes e imunossupressão por HIV, mas a presença de GUNA não permite diagnosticar a infecção.
Nem sempre. O tratamento se baseia principalmente no debridamento e no controle local. Antibióticos podem ser utilizados em situações específicas, principalmente quando existem sinais sistêmicos.
Não. Antissépticos podem complementar o tratamento, mas não substituem o debridamento, o diagnóstico e o controle dos fatores de risco.
Não existe evidência de que bochechos caseiros eliminem a doença. Eles não substituem o atendimento odontológico.
A higiene geralmente precisa ser mantida de forma adaptada e delicada. O dentista pode orientar como higienizar durante a fase aguda.
Pode ocorrer progressão para periodontite necrosante quando há destruição dos tecidos de sustentação e perda óssea.
Na gengivite necrosante, o comprometimento está concentrado na gengiva. A perda óssea rápida caracteriza a evolução para periodontite necrosante.
Dor e sangramento podem apresentar melhora em poucos dias após o início do tratamento adequado, embora sejam necessários reavaliação e controle posterior.
Pode, principalmente quando fatores predisponentes permanecem sem controle.
O dentista pode diagnosticar e iniciar o tratamento. Quando existe comprometimento periodontal mais profundo ou recorrente, a avaliação por um periodontista é especialmente importante.
Conclusão
A GUNA, atualmente denominada principalmente gengivite necrosante, é uma doença periodontal aguda que não deve ser confundida com uma gengivite comum.
Seus sinais mais característicos são dor, sangramento e necrose ou ulceração das papilas entre os dentes.
A doença ocorre a partir da interação entre o biofilme bucal e fatores predisponentes. Tabagismo, estresse intenso, desnutrição, higiene inadequada e alterações da resposta imunológica estão entre os fatores mais estudados.
O tratamento não deve ser resumido ao uso de antibióticos.
A evidência mais recente indica que debridamento mecânico e controle antisséptico constituem a base do tratamento, enquanto antibióticos sistêmicos são utilizados principalmente quando há comprometimento sistêmico ou indicações específicas.
Depois da fase aguda, é importante tratar qualquer gengivite ou periodontite preexistente, melhorar a higiene e controlar os fatores que favoreceram o desenvolvimento da doença.
Dor intensa, necrose, sangramento espontâneo ou rápida piora da gengiva justificam avaliação odontológica precoce.
Referências científicas
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