O tórus mandibular é uma formação óssea benigna que aparece na parte interna da mandíbula, geralmente abaixo da língua e próxima aos dentes inferiores.
Em muitos casos, essa alteração não causa dor, não é perigosa e pode ser descoberta por acaso durante uma consulta odontológica. Mesmo assim, quando aparece junto com sinais de bruxismo, apertamento dentário ou dor na mandíbula, merece avaliação cuidadosa.
Resposta direta: o tórus mandibular pode estar associado ao bruxismo e à sobrecarga mastigatória em algumas pessoas, mas nem sempre é causado por isso. Ele também pode ter influência genética, anatômica e funcional. Por isso, o mais importante é avaliar o tamanho, os sintomas, a evolução e a presença de apertamento ou ranger dos dentes.
O que é tórus mandibular?
O tórus mandibular é um crescimento ósseo não cancerígeno que se forma na face interna da mandíbula.
Ele costuma aparecer como uma elevação dura, coberta por mucosa normal, geralmente em um ou nos dois lados da boca. Muitas pessoas só percebem sua presença ao passar a língua na região ou durante uma avaliação odontológica.
A Cleveland Clinic descreve o tórus mandibular como uma formação óssea benigna localizada no assoalho da boca, abaixo da língua, geralmente sem necessidade de remoção quando não causa incômodo ou dificuldade funcional. Cleveland Clinic

Tórus mandibular é perigoso?
Na maioria dos casos, não.
O tórus mandibular não é câncer, não é infecção e não costuma representar risco grave à saúde. Porém, ele pode causar incômodos dependendo do tamanho, da localização e da relação com outras estruturas da boca.
Ele pode merecer atenção quando:
- aumenta de tamanho;
- machuca com alimentos duros;
- dificulta a fala;
- atrapalha a mastigação;
- interfere na higiene;
- dificulta o uso de próteses ou placas;
- causa feridas recorrentes;
- gera dúvida diagnóstica.
Qual é a relação entre tórus mandibular e bruxismo?
A relação entre tórus mandibular e bruxismo ainda não deve ser entendida como uma regra simples de causa e efeito.
O bruxismo envolve apertar ou ranger os dentes. Esse hábito pode gerar maior carga sobre dentes, osso, músculos e articulações. Em algumas pessoas, essa sobrecarga pode estar associada a adaptações ósseas, incluindo exostoses e tórus.
No entanto, nem toda pessoa com bruxismo desenvolve tórus mandibular. E nem toda pessoa com tórus mandibular tem bruxismo.
Um estudo publicado na BMC Oral Health avaliou associações entre tórus mandibular, tipos de disfunção temporomandibular e uso de placa temporária para verificar bruxismo, reforçando que essas relações podem existir, mas precisam ser interpretadas dentro do contexto clínico individual. PubMed
Há revisões e relatos que descrevem faixas aproximadas na casa de dezenas de porcento, dependendo do grupo estudado.
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Bruxismo pode causar tórus mandibular?
Pode estar associado, mas não é correto afirmar que sempre causa.
O mais adequado é dizer que o bruxismo pode ser um dos fatores relacionados à presença ou desenvolvimento do tórus mandibular em algumas pessoas.
Outros fatores também podem participar, como:
- genética;
- anatomia mandibular;
- padrão de mordida;
- força muscular;
- hábitos parafuncionais;
- idade;
- características individuais do osso;
- histórico familiar.
Por isso, a avaliação clínica é importante. O dentista analisa se há sinais de bruxismo, desgaste dentário, dor muscular, fraturas, sensibilidade, apertamento e alterações na articulação temporomandibular.
Quais sinais sugerem bruxismo junto com tórus mandibular?
Alguns sinais podem indicar que há sobrecarga na mordida ou atividade muscular excessiva.
| Sinal | O que pode indicar |
|---|---|
| Dentes desgastados | Possível ranger ou apertamento |
| Dor ao acordar | Sobrecarga muscular durante o sono |
| Mandíbula cansada | Tensão nos músculos mastigatórios |
| Dor de cabeça ao acordar | Possível relação com apertamento |
| Dentes sensíveis | Excesso de carga ou desgaste |
| Estalos na mandíbula | Possível envolvimento da ATM |
| Placa quebrada ou muito marcada | Força intensa durante o uso |
| Tórus machucando com frequência | Necessidade de avaliação local |
Tórus mandibular precisa ser removido?
Nem sempre.
Na maioria dos casos, o tórus mandibular não precisa ser removido. A remoção costuma ser considerada quando ele interfere em alguma função ou tratamento.
A cirurgia pode ser indicada em situações como:
- dificuldade para adaptar prótese;
- trauma frequente na mucosa;
- feridas repetidas;
- dificuldade importante na fala ou mastigação;
- acúmulo de alimento e higiene prejudicada;
- necessidade de cirurgia pré-protética;
- crescimento que exige investigação.
Se o tórus é pequeno, assintomático e não atrapalha a função, muitas vezes apenas o acompanhamento é suficiente.
Como é feita a avaliação odontológica?
A avaliação começa pelo exame clínico.
O dentista observa o tamanho, a localização, o formato e a consistência da formação óssea. Também verifica se há feridas, desconforto, dificuldade de higienização ou interferência em aparelhos e próteses.
Em alguns casos, podem ser solicitados exames de imagem para confirmar a natureza óssea da alteração e descartar outras condições.
A avaliação também pode incluir:
- análise da mordida;
- sinais de bruxismo;
- desgaste dos dentes;
- palpação muscular;
- avaliação da ATM;
- histórico de dor;
- uso de placas;
- hábitos de apertamento durante o dia;
- qualidade do sono.
Qual é o tratamento quando há bruxismo?
Se houver sinais de bruxismo, o tratamento deve ser individualizado.
Entre as possibilidades estão:
- placa interoclusal individualizada;
- orientação sobre apertamento durante o dia;
- controle de hábitos parafuncionais;
- avaliação da mordida;
- manejo do estresse;
- fisioterapia em casos de dor muscular;
- avaliação de DTM;
- investigação de distúrbios do sono quando necessário.
A placa pode proteger os dentes e ajudar no controle de sobrecarga, mas não remove o tórus mandibular. O tórus é tecido ósseo; quando há indicação de remoção, o tratamento é cirúrgico.
O tórus mandibular pode atrapalhar a placa de bruxismo?
Pode.
Quando o tórus é volumoso, ele pode dificultar a adaptação de placas, próteses ou outros dispositivos odontológicos.
Por isso, a presença do tórus deve ser considerada no planejamento. Em muitos casos, é possível adaptar a placa respeitando a anatomia do paciente. Em outros, quando há grande interferência, pode ser necessário discutir outras abordagens.
Quando procurar avaliação?
Procure avaliação odontológica se você perceber:
- crescimento ósseo dentro da boca;
- feridas frequentes na região;
- dor ou desconforto;
- dificuldade para comer;
- dificuldade para falar;
- sangramento ou alteração de cor;
- aumento rápido de volume;
- uso difícil de prótese ou placa;
- sinais de bruxismo associados.
Também é importante avaliar se houver dor na mandíbula, estalos, travamento, dor de cabeça ao acordar ou desgaste dentário.
Conclusão
O tórus mandibular é uma formação óssea benigna que, na maioria das vezes, não representa perigo e não precisa ser removida.
A relação com o bruxismo existe em alguns casos, especialmente quando há sobrecarga mastigatória, apertamento dentário ou sinais de DTM. Porém, essa relação não deve ser tratada como causa única ou obrigatória.
O mais importante é observar sintomas, evolução, impacto na função e sinais associados de bruxismo. A avaliação odontológica permite definir se o caso precisa apenas de acompanhamento, controle de sobrecarga ou tratamento específico.
Perguntas frequentes sobre tórus mandibular e bruxismo
Não. Na maioria dos casos, é uma formação óssea benigna e não cancerígena.
Não. O bruxismo pode estar associado, mas o tórus também pode ter influência genética, anatômica e individual.
Nem sempre. A remoção só costuma ser indicada quando há dor, trauma, dificuldade funcional ou interferência em próteses e aparelhos.
Não. A placa pode proteger os dentes e reduzir sobrecargas, mas não faz o osso desaparecer.
Quando o tórus cresce rápido, machuca, sangra, muda de cor, dificulta funções ou causa dúvida diagnóstica.
Referências internacionais
- Cleveland Clinic. Torus Mandibularis: Causes, Symptoms & Removal.
https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/24830-mandibular-tori - Lee HM, Kang DW, Yun PY, Kim IH, Kim YK. Associations between mandibular torus and types of temporomandibular disorders, and the clinical usefulness of temporary splint for checking bruxism. BMC Oral Health.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33836733/ - Mayo Clinic. Bruxism: Symptoms and causes.
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/bruxism/symptoms-causes/syc-20356095
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Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com ênfase em Distúrbios do Sono, integrando conhecimentos da saúde bucal e emocional para uma abordagem mais completa do paciente.
