Bruxismo doi os dentes

Bruxismo doi os dentes? O que realmente está acontecendo?

Bruxismo doi os dentes? — essa é uma dúvida muito comum entre pessoas que acordam com dor na mandíbula, sensibilidade dentária ou sensação de pressão ao mastigar.

O bruxismo é caracterizado pelo ranger ou apertar involuntário dos dentes, geralmente durante o sono. Embora possa parecer apenas um hábito nervoso, ele está frequentemente ligado a mecanismos neurológicos e respiratórios mais profundos.

O que é bruxismo e por que ele acontece?

O bruxismo do sono é considerado um distúrbio do movimento relacionado ao sono. Ele ocorre principalmente durante microdespertares, quando há ativação súbita do sistema nervoso central.

Esses episódios envolvem:

  • Aumento da frequência cardíaca
  • Ativação muscular intensa
  • Contração da musculatura mastigatória

Segundo estudos disponíveis no PubMed, o bruxismo do sono está frequentemente associado a instabilidade respiratória e microdespertares.

Bruxismo doi os dentes por quê?

A dor ocorre por três principais mecanismos:

1️⃣ Sobrecarga mecânica

O apertamento excessivo gera forças muito superiores às usadas na mastigação normal. Essa pressão causa microfraturas no esmalte e inflamação do ligamento periodontal.

2️⃣ Inflamação muscular

A contração repetitiva dos músculos masseter e temporal provoca fadiga muscular e dor orofacial ao acordar.

3️⃣ Sensibilização neural

A compressão contínua ativa receptores de dor, tornando os dentes mais sensíveis ao frio e à mastigação.

Bruxismo tem relação com apneia do sono?

Sim, e essa relação é cada vez mais estudada.

Durante episódios de apneia obstrutiva do sono (AOS), ocorre queda da oxigenação sanguínea e microdespertares. Esses despertares podem desencadear contrações da musculatura mastigatória.

Pesquisas da American Academy of Sleep Medicine indicam que parte dos casos de bruxismo noturno pode ser uma resposta reflexa à obstrução respiratória.

Ou seja, em alguns pacientes, o bruxismo pode ser um sinal indireto de dificuldade respiratória noturna.

Qual o impacto da apneia no sistema cardiovascular?

A apneia provoca hipóxia intermitente, que ativa o sistema nervoso simpático. Isso leva a:

  • Elevação da pressão arterial
  • Liberação de cortisol
  • Inflamação sistêmica
  • Maior risco de arritmias

De acordo com o National Institutes of Health, a apneia não tratada aumenta o risco de hipertensão, infarto e AVC.

Se o bruxismo estiver associado à apneia, tratar apenas os dentes pode não resolver o problema de fundo.

Bruxismo doi os dentes mesmo sem apneia?

Sim. O bruxismo também pode estar relacionado a:

  • Estresse crônico
  • Ansiedade
  • Uso de certos medicamentos
  • Alterações neurológicas

O sistema nervoso central desempenha papel central no controle dos movimentos involuntários durante o sono.

Quais são as consequências do bruxismo não tratado?

Quando não tratado, o bruxismo pode causar:

  • Desgaste dental severo
  • Trincas e fraturas
  • Retração gengival
  • Disfunção temporomandibular (DTM)
  • Dor crônica na face e cabeça

Além disso, se estiver associado à apneia, os riscos sistêmicos aumentam.

Como é feito o diagnóstico correto?

O diagnóstico envolve avaliação clínica odontológica e, quando há suspeita respiratória, investigação do sono com polissonografia.

A polissonografia avalia:

  • Fluxo respiratório
  • Níveis de oxigênio
  • Atividade muscular
  • Microdespertares

Isso permite identificar se o bruxismo é isolado ou secundário a distúrbios respiratórios.

O tratamento é apenas usar placa de bruxismo?

A placa oclusal protege os dentes contra desgaste, mas não trata a causa neurológica ou respiratória.

Se houver apneia associada, o tratamento pode incluir:

  • CPAP (em casos moderados a graves)
  • Terapias comportamentais
  • Ajustes no estilo de vida

Abordar apenas os sintomas pode deixar o problema principal ativo.

Bruxismo doi os dentes pode indicar algo mais sério?

Sim. Dor persistente, desgaste rápido dos dentes e sintomas de sono não reparador podem indicar um distúrbio sistêmico.

Quando o bruxismo vem acompanhado de ronco alto, pausas respiratórias ou sonolência diurna, a investigação da apneia é essencial.

O estresse influencia no bruxismo?

Muito. O estresse ativa o sistema nervoso simpático e aumenta a tensão muscular. Isso facilita episódios de apertamento dentário.

Técnicas de relaxamento, atividade física e higiene do sono ajudam a reduzir a frequência dos episódios.

Conclusão: bruxismo não é apenas “ranger os dentes”

Bruxismo doi os dentes, mas pode doer muito mais do que imaginamos. Ele pode refletir sobrecarga mecânica, estresse crônico ou até um distúrbio respiratório como a apneia do sono.

Ignorar os sinais pode levar a desgaste dentário irreversível e riscos sistêmicos importantes. O diagnóstico adequado permite tratar não apenas os sintomas, mas a causa real do problema.

Cuidar do sono é cuidar da saúde como um todo.

FAQs – Bruxismo doi os dentes

Bruxismo doi os dentes sempre?

Nem sempre, mas é comum causar dor ao acordar.

Bruxismo doi os dentes pode indicar apneia?

Sim, especialmente se houver ronco associado.

Bruxismo doi os dentes causa fratura?

Pode causar trincas e desgaste severo.

Bruxismo doi os dentes tem cura?

Depende da causa; requer avaliação adequada.

Referências

Peppard PE et al. Sleep-disordered breathing and cardiovascular disease.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/

American Academy of Sleep Medicine (AASM)
https://aasm.org

National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea

Lobbezoo F et al. Sleep bruxism – epidemiology and pathophysiology.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21809372/

Manfredini D et al. Bruxism and sleep disorders.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26605464/

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Dr Paulo Coelho

Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com foco em Distúrbios do Sono e Odontologia do Sono.
Atua de forma integrada no tratamento do ronco, da apneia do sono e das disfunções orofaciais, unindo ciência e abordagem humanizada para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida.

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