Se você já se pegou pensando “bruxismo pode quebrar os dentes?”, você não está sozinho.
E a resposta, sem drama, é: pode sim — mas isso não acontece do mesmo jeito em todo mundo. O bruxismo é uma atividade dos músculos mastigatórios. Ele pode aparecer durante o sono (sleep bruxism) ou acordado (awake bruxism).
Nem sempre é “doença”, mas pode virar problema quando causa dor, desgaste ou fraturas.
Bruxismo pode quebrar os dentes de verdade?
Pode. E geralmente não é uma “quebra cinematográfica” de uma vez só.
O que costuma acontecer é mais silencioso: o dente recebe cargas repetidas, pequenas, muitas vezes por meses ou anos.
Isso favorece um processo chamado fadiga do material.
Pense como um clipe de metal dobrado várias vezes: uma hora ele cede.
No dente, a fadiga vira microtrincas que podem crescer até virar fratura.
Que tipo de “quebra” é mais comum no bruxismo?
O padrão frequente é este: trinca → dor ao morder → lasca de cúspide (um pedaço do dente) ou uma rachadura mais profunda.
Existe até um termo bem usado na odontologia: cracked tooth syndrome, quando a trinca dá sintomas típicos, mas nem sempre é fácil de enxergar.
E sim: isso também pode atingir restaurações, coroas, facetas e lentes, além do dente natural.
Por que o bruxismo aumenta o risco de trincas e fraturas?
Porque ele muda a “forma de usar” o sistema.
Na mastigação normal, as forças são intercaladas com pausas e têm um padrão mais previsível.
No bruxismo, pode existir:
- Apertamento sustentado (contração tônica, por mais tempo)
- Ranger com deslizamento (contração fásica, repetitiva)
O problema não é só a força máxima.
É a combinação de intensidade + repetição + tempo de contato.
O bruxismo faz tanta força assim?
Em algumas pessoas, sim.
Mas o detalhe que mais pesa é: força repetida muitas vezes.
E quando a força é mais “de lado” (com deslizamento), ela pode ser mais agressiva para cúspides e bordas.
Isso acelera desgaste e facilita trincas.
Restaurações deixam o dente mais vulnerável?
Podem deixar.
Não porque “restauração é ruim”, e sim porque restaurações grandes geralmente significam menos estrutura dental remanescente.
Cúspides enfraquecidas, dentes com muita perda de tecido, ou dentes com tratamento de canal e grande reconstrução tendem a ter maior risco biomecânico.
Todo mundo que tem bruxismo vai quebrar os dentes?
Não. E eu acho importante dizer isso com clareza.
Muita gente tem bruxismo leve ou moderado e nunca quebra dente nenhum.
O risco aumenta quando o bruxismo encontra um “terreno favorável” para fraturar.
E esse terreno costuma ser uma soma de fatores.
O que aumenta o risco de quebra?
- Restaurações extensas e cúspides finas
- Desgaste acelerado (dente já mais “achatado”)
- Erosão ácida (por refluxo ou dieta) enfraquecendo o esmalte
- Cárie ou trincas antigas
- Hábito de morder coisas duras (gelo, caroço, tampas)
- Dor muscular/ATM que leva a apertar mais, sem perceber
É como uma mochila pesada: nem sempre machuca.
Mas se você carrega todo dia, e ainda por cima já tem uma lesão, o risco sobe.
Como eu percebo que meu bruxismo está virando risco real?
Aqui vale olhar para pistas do dia a dia.
O bruxismo relevante quase sempre deixa sinais.
Quais sinais sugerem maior chance de fratura?
- Lascas pequenas recorrentes (“quebrou um pedacinho de novo”)
- Dor ao morder e ao soltar (bem típico de trinca)
- Sensibilidade “sem motivo claro”, especialmente mastigando
- Trincas visíveis sob luz (nem sempre aparecem em foto)
- Desgaste rápido, dentes mais curtos, bordas “gastinhas”
- Rigidez ao acordar, dor no masseter/temporal, cefaleia matinal
Se algo disso está acontecendo, não é para entrar em pânico.
É para investigar antes que piore.
Quando eu devo procurar avaliação mais rápido?
- Quebra com dor forte e persistente
- Dor ao mastigar que piora em poucos dias
- Sensação de “dente alto” depois de uma lasca
- Dor espontânea (sem mastigar), que pode sugerir envolvimento pulpar
Quanto mais cedo você identifica uma trinca, maior a chance de evitar uma fratura maior.
Bruxismo do sono e em vigília: isso muda o risco?
Muda, porque muda a causa e muda a estratégia.
No bruxismo em vigília, o apertamento costuma ter relação com foco, tensão, postura mandibular e hábitos.
No bruxismo do sono, pode existir ligação com microdespertares e estabilidade do sono em algumas pessoas.
O mais importante é entender: não é “tudo psicológico” e nem “tudo dentário”.
É um comportamento motor que pode ser influenciado por vários fatores.
Precisa de exame do sono para diagnosticar?
Nem sempre.
Muitas vezes, o diagnóstico é clínico: história, sinais na boca, músculos e articulação.
Mas se junto do bruxismo você tem ronco alto, pausas respiratórias percebidas, sonolência diurna ou sono muito fragmentado, faz sentido pensar em investigar o sono com mais carinho.
O que realmente ajuda a reduzir o risco de quebrar dentes?
A meta não é “controlar cada músculo 24 horas”.
A meta é reduzir carga total e proteger pontos vulneráveis.
O que ajuda quando o apertamento é durante o dia?
Aqui vai algo simples e poderoso: criar o hábito de checar a mandíbula.
Em repouso saudável: dentes desencostados, lábios fechados, língua apoiada no palato.
Pausas curtas ao longo do dia fazem diferença.
Porque, no fim, o que importa é a soma das cargas.
E quando o bruxismo acontece à noite?
Entram estratégias voltadas ao sono: rotina mais regular, reduzir estimulantes perto da noite, observar álcool, cuidar de refluxo quando existe.
E, se houver sinais de distúrbio respiratório do sono, vale investigar.
Além disso, quando há risco de fratura, o dentista pode discutir formas de proteção e distribuição de forças, especialmente se você já tem restaurações grandes ou trincas.
Nada disso é “milagre”.
É manejo de risco — do jeito que a saúde funciona na vida real.
Conclusão: por que entender o risco real é um alívio (e não um susto)?
Sim, bruxismo pode quebrar os dentes.
Mas entender o mecanismo muda tudo, porque você sai do medo e entra no controle.
Quando você reconhece sinais como lascas repetidas, dor ao morder, desgaste acelerado ou rigidez matinal, você ganha a chance de agir cedo.
E agir cedo costuma significar tratamentos menores, menos dor e mais preservação de estrutura dental.
No fim, bruxismo não é “culpa” de ninguém.
É um padrão do corpo que merece ser visto com atenção, diagnóstico bem feito e um plano de cuidado coerente com a sua realidade.
FAQs
Pode, mas é menos comum.
Não. Pode ser silenciosa no início.
Geralmente aumentam, por fragilidade estrutural.
Não. Depende de intensidade e consequências.
Pode, se houver trinca evoluindo.
Referências
AASM – ICSD-3-TR (material suplementar): https://aasm.org/wp-content/uploads/2023/05/ICSD-3-Text-Revision-Supplemental-Material.pdf
PubMed – Consenso internacional sobre bruxismo (2018): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29926505/
NIH/NIDCR – Bruxism (visão geral, sinais e complicações): https://www.nidcr.nih.gov/health-info/bruxism
NCBI Bookshelf (NIH) – Bruxism Management (StatPearls): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482466/
PMC (NIH) – Artigo sobre “Cracked Teeth” (revisão): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3870147/
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