Quando se fala em tratamento contra ronco, a maioria das pessoas pensa em soluções rápidas: sprays, fitas nasais ou mudanças improvisadas na posição de dormir. Logo no primeiro parágrafo é importante ser claro: o ronco não é uma doença isolada, mas um sintoma. E tratar apenas o som, sem entender a causa, é o principal erro.
O ronco surge quando há estreitamento das vias aéreas superiores durante o sono. Em muitos casos, esse estreitamento é progressivo e silencioso, evoluindo para a apneia obstrutiva do sono, uma condição com impacto direto na saúde cardiovascular, metabólica e neurológica.
O que realmente causa o ronco durante o sono?
O ronco acontece quando os tecidos moles da garganta vibram com a passagem do ar. Durante o sono, especialmente no sono profundo, ocorre um relaxamento natural da musculatura da língua, do palato mole e da faringe.
Quais fatores favorecem essa obstrução?
- relaxamento excessivo da musculatura orofaríngea;
- queda da língua para trás;
- excesso de tecido adiposo no pescoço;
- alterações anatômicas (amígdalas, úvula, mandíbula);
- consumo de álcool ou sedativos à noite;
- dormir de barriga para cima.
Quanto maior a obstrução, mais intenso o ronco — e maior o risco de apneia.
Qual é a diferença entre ronco simples e apneia do sono?
Nem todo ronco é apneia, mas quase toda apneia ronca.
A diferença está no que acontece com a respiração.
O que ocorre na apneia obstrutiva do sono?
Na apneia, a via aérea fecha parcial ou totalmente por pelo menos 10 segundos. Isso provoca:
- queda do oxigênio no sangue (hipóxia);
- aumento da frequência cardíaca;
- microdespertares cerebrais para retomar a respiração.
Esses eventos podem acontecer dezenas ou centenas de vezes por noite, mesmo sem a pessoa perceber.
Como a fisiologia da apneia afeta o corpo?
A apneia desencadeia uma cascata de respostas fisiológicas importantes:
1. Ativação do sistema nervoso simpático
Cada pausa respiratória ativa mecanismos de “luta ou fuga”, liberando adrenalina e noradrenalina. O corpo entra em estado de alerta repetidamente durante a noite.
2. Hipóxia intermitente
A alternância entre falta e retorno do oxigênio gera inflamação sistêmica e estresse oxidativo.
3. Fragmentação do sono
Os microdespertares impedem o sono profundo e o sono REM, fundamentais para recuperação física, memória e equilíbrio emocional.
Qual é o impacto do ronco e da apneia no sistema cardiovascular?
O impacto cardiovascular é um dos pontos menos explicados no tratamento contra ronco. A ciência mostra que a apneia não tratada aumenta significativamente o risco de:
- hipertensão arterial resistente;
- arritmias cardíacas;
- fibrilação atrial;
- infarto do miocárdio;
- acidente vascular cerebral (AVC).
A hipóxia repetida prejudica o endotélio dos vasos sanguíneos, altera a regulação da pressão arterial e sobrecarrega o coração. Estudos publicados pelo National Institutes of Health confirmam essa associação direta.
Por que tratar apenas o ronco não é suficiente?
Porque o ronco é o efeito, não a causa.
Eliminar o som sem restaurar a respiração não reduz os riscos sistêmicos.
Por isso, o tratamento correto precisa:
- avaliar a anatomia da via aérea;
- identificar se há apneia;
- medir a gravidade do distúrbio;
- considerar o impacto clínico individual.
Esse processo começa com a polissonografia, exame padrão para análise do sono.
Quais são as opções reais de tratamento contra ronco?
Mudanças comportamentais funcionam sozinhas?
Em casos leves, ajudam, mas raramente resolvem sozinhas:
- controle de peso;
- evitar álcool à noite;
- dormir de lado;
- higiene do sono adequada.
Essas medidas reduzem fatores agravantes, mas não corrigem colapso estrutural da via aérea.
O CPAP é sempre a melhor opção?
O CPAP mantém a via aérea aberta por pressão positiva contínua. É altamente eficaz, especialmente na apneia grave. No entanto, muitos pacientes não se adaptam ao uso prolongado por desconforto, ruído ou sensação de claustrofobia.
A adesão ao CPAP é um dos maiores desafios no tratamento da apneia.
O aparelho para ronco e apneia pode substituir o CPAP?
Sim, em muitos casos.
O aparelho intraoral para ronco e apneia é uma alternativa validada cientificamente, especialmente para:
- ronco primário;
- apneia leve;
- apneia moderada;
- pacientes que não toleram CPAP.
Ele atua avançando levemente a mandíbula, o que:
- traciona a língua para frente;
- reduz o colapso da faringe;
- melhora o fluxo de ar durante o sono.
A American Academy of Sleep Medicine reconhece os aparelhos intraorais como opção terapêutica eficaz em casos selecionados.
Como saber qual tratamento contra ronco é o mais indicado?
A escolha depende de três pilares:
- Diagnóstico correto (com polissonografia);
- Gravidade da apneia, quando presente;
- Adaptação do paciente ao tratamento proposto.
Não existe solução única. O melhor tratamento é aquele que o paciente consegue usar todas as noites, de forma consistente e segura.
O ronco pode voltar mesmo após o tratamento?
Pode, se fatores de risco não forem controlados:
- ganho de peso;
- envelhecimento natural da musculatura;
- retorno do consumo de álcool noturno;
- abandono do tratamento.
Por isso, o acompanhamento contínuo é essencial.
FAQs – Tratamento contra ronco
Depende da causa e da gravidade. Em muitos casos, sim.
Sim, especialmente com aparelhos intraorais bem indicados.
Pode melhorar significativamente ao restaurar a respiração noturna.
É eficaz, mas exige acompanhamento e manutenção.
Sim. O exame é fundamental para segurança e eficácia.
Conclusão: tratar o ronco é tratar a saúde como um todo
O tratamento contra ronco vai muito além de silenciar um som incômodo. Ele envolve restaurar a respiração, proteger o coração, preservar o cérebro e melhorar a qualidade de vida — individual e familiar.
Ignorar o ronco é ignorar um sinal do corpo.
Buscar diagnóstico, entender a causa e seguir o tratamento adequado é um passo essencial para envelhecer com saúde, energia e equilíbrio.
Dormir bem não é luxo. É fisiologia básica.
Referências
Sleep Medicine Reviews – Physiological Consequences of Sleep Apnea.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32359921/
American Academy of Sleep Medicine
https://aasm.org
National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health-topics/sleep-apnea
Punjabi NM. The Epidemiology of Adult Obstructive Sleep Apnea.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18250205/
Peppard PE et al. Sleep-Disordered Breathing and Cardiovascular Risk.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/
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