Apneia do sono pode causar AVC? Essa é uma pergunta extremamente relevante — e a resposta, baseada em evidências científicas, é sim, pode aumentar significativamente o risco, inclusive de AVC silencioso.
A apneia obstrutiva do sono (AOS) provoca pausas repetidas na respiração durante a noite, levando à queda dos níveis de oxigênio no sangue. Essas interrupções, chamadas de apneias, podem ocorrer dezenas ou até centenas de vezes por noite.
Com o tempo, esse estresse fisiológico afeta diretamente o cérebro e o sistema cardiovascular.
O que é um AVC silencioso?
O AVC silencioso é um tipo de acidente vascular cerebral que ocorre sem sintomas evidentes imediatos.
Diferente do AVC clássico, que pode causar paralisia, dificuldade para falar ou perda de visão, o AVC silencioso produz pequenas lesões cerebrais detectadas apenas por exames de imagem, como a ressonância magnética.
Apesar de “silencioso”, ele não é inofensivo. Essas lesões acumuladas aumentam o risco de demência, declínio cognitivo e AVCs maiores no futuro.
Como a apneia do sono afeta o cérebro?
Durante cada episódio de apneia ocorre hipóxia intermitente, ou seja, o cérebro recebe menos oxigênio por alguns segundos.
Esse processo desencadeia:
- Ativação do sistema nervoso simpático
- Elevação da pressão arterial
- Inflamação sistêmica
- Estresse oxidativo
- Disfunção endotelial (alteração na parede dos vasos)
Com o tempo, esses mecanismos danificam os pequenos vasos cerebrais, favorecendo microinfartos — base do chamado AVC silencioso.
Qual é a relação entre apneia do sono e sistema cardiovascular?
A apneia não é apenas um distúrbio respiratório; ela é uma condição sistêmica.
Segundo a American Academy of Sleep Medicine, a AOS está associada a:
- Hipertensão arterial resistente
- Fibrilação atrial
- Doença coronariana
- Insuficiência cardíaca
- AVC
A cada pausa respiratória, ocorre uma descarga de adrenalina que aumenta a pressão e a frequência cardíaca. Esse ciclo repetido todas as noites sobrecarrega o coração e os vasos sanguíneos.
O que dizem as evidências científicas?
Estudos publicados no PubMed demonstram que pacientes com apneia moderada a grave têm risco até 2 a 3 vezes maior de AVC.
O National Institutes of Health também reconhece a apneia do sono como fator de risco independente para eventos cerebrovasculares.
Além disso, pesquisas mostram maior prevalência de lesões cerebrais silenciosas em pacientes com AOS não tratada.
Por que o AVC silencioso é perigoso?
Porque ele evolui sem sintomas evidentes.
A pessoa pode não perceber nada inicialmente, mas as lesões acumuladas comprometem áreas responsáveis pela memória, atenção e funções executivas.
Com o tempo, isso pode resultar em:
- Dificuldade de concentração
- Alterações cognitivas
- Maior risco de demência vascular
- Maior probabilidade de um AVC incapacitante
Quais são os sinais de alerta da apneia do sono?
Alguns sintomas merecem atenção:
- Ronco alto e frequente
- Pausas respiratórias observadas
- Engasgos durante o sono
- Sonolência excessiva diurna
- Dor de cabeça ao acordar
- Pressão alta difícil de controlar
Se esses sinais estão presentes, é fundamental realizar avaliação médica.
Como é feito o diagnóstico?
O exame padrão é a polissonografia, que monitora respiração, oxigenação, frequência cardíaca e atividade cerebral durante o sono.
A partir desse exame, é possível classificar a gravidade da apneia e definir o tratamento adequado.
Diagnosticar cedo significa reduzir o risco de complicações cardiovasculares e neurológicas.
O tratamento reduz o risco de AVC?
Sim. O tratamento adequado reduz significativamente o risco cardiovascular.
O CPAP é sempre necessário?
O CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) é o padrão-ouro para apneia moderada e grave.
Ele mantém a via aérea aberta durante o sono, prevenindo a hipóxia e reduzindo a ativação simpática noturna.
E para quem não se adapta ao CPAP?
Nem todos toleram o uso do CPAP. Nesses casos, o aparelho intraoral para ronco e apneia é uma alternativa eficaz em casos leves e moderados.
Esse dispositivo posiciona a mandíbula levemente para frente, ampliando o espaço da via aérea e reduzindo o colapso da faringe.
Estudos mostram melhora na oxigenação e redução do índice de apneia quando bem indicado.
Mudanças no estilo de vida ajudam?
Sim, e muito.
- Perda de peso
- Atividade física regular
- Evitar álcool à noite
- Parar de fumar
- Dormir de lado
Essas medidas reduzem a obstrução da via aérea e melhoram o padrão respiratório noturno.
Conclusão: ignorar a apneia é ignorar um risco real
Apneia do sono pode causar AVC — inclusive o silencioso. Essa relação é sustentada por evidências robustas.
O ronco persistente e a sonolência excessiva não devem ser vistos como algo normal. Eles podem ser sinais de um distúrbio que afeta o cérebro e o coração de forma progressiva.
Buscar diagnóstico, tratar adequadamente e acompanhar a saúde do sono é uma decisão que protege sua memória, sua qualidade de vida e sua longevidade.
Dormir bem não é luxo. É prevenção.
FAQs – Apneia do sono pode causar AVC
Sim, aumenta o risco de microlesões cerebrais.
Sim, o AVC silencioso pode ocorrer sem sinais evidentes.
Pode, especialmente com fatores de risco associados.
Sim, o risco aumenta progressivamente.
O risco depende da gravidade da apneia, não apenas do ronco.
Referências
Punjabi NM. The epidemiology of adult obstructive sleep apnea.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18250205/
American Academy of Sleep Medicine (AASM)
https://aasm.org
National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea
Yaggi HK et al. Obstructive sleep apnea as a risk factor for stroke.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16087884/
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