Quando falamos em tratamento ronco feminino, é importante reconhecer que o Ronco nas mulheres não é apenas uma versão “mais leve” do ronco masculino. Ele possui características próprias, influenciadas por fatores hormonais, anatômicos e metabólicos.
Embora muitas mulheres hesitem em buscar ajuda — por vergonha ou por achar que o ronco é “coisa de homem” — o ronco feminino pode ser um marcador importante de Apneia do Sono e de risco cardiovascular. Conversar sobre isso abertamente já é um grande passo para iniciar o cuidado.
Por que as mulheres roncam?
O Ronco ocorre quando há estreitamento das vias aéreas superiores, especialmente na região da faringe. Nas mulheres, esse estreitamento muitas vezes está relacionado a:
- Oscilações hormonais (menstruação, gravidez, menopausa).
- Aumento de tecido adiposo no pescoço, mesmo em IMC moderado.
- Alterações respiratórias ligadas ao ciclo menstrual.
- Hipotireoidismo não diagnosticado.
- Insônia crônica, que desorganiza o padrão de sono profundo.
Além disso, a percepção social faz com que mulheres demorem mais para procurar tratamento, resultando em casos mais graves de Apneia do Sono não diagnosticada.
Como a fisiologia da apneia afeta especificamente a mulher?
A apneia obstrutiva do sono (AOS) ocorre quando os músculos da garganta relaxam excessivamente durante o sono, levando ao colapso parcial ou total da via aérea. Esse colapso reduz o fluxo de ar e provoca queda de oxigênio no sangue, chamada hipóxia intermitente.
No corpo feminino, a fisiologia traz nuances importantes:
• Hormonização e controle muscular
O estrogênio e a progesterona ajudam a manter o tônus muscular das vias aéreas. Quando esses hormônios caem — especialmente na menopausa — o risco de apneia aumenta significativamente.
• Resposta ventilatória
Mulheres têm uma sensibilidade ventilatória maior, o que, paradoxalmente, pode gerar despertares mais frequentes diante de pequenas obstruções, fragmentando o sono. Mesmo sem apneias graves, o impacto na qualidade do sono é relevante.
• Distribuição de gordura
A gordura tende a se distribuir mais na região submentoniana (embaixo do queixo) após os 40 anos, contribuindo para o estreitamento da faringe.
Quais são os impactos cardiovasculares do ronco e da apneia na mulher?
Os efeitos cardiovasculares da Apneia do Sono são amplamente estudados, mas em mulheres o risco pode ser ainda maior — especialmente após a menopausa.
A hipóxia intermitente ativa o sistema simpático, liberando adrenalina, elevando a pressão arterial e aumentando a frequência cardíaca. Com o tempo, isso leva a:
- Hipertensão resistente, mais comum em mulheres com AOS não tratada.
- Arritmias, especialmente fibrilação atrial.
- Disfunção endotelial, prejudicando a saúde dos vasos sanguíneos.
- Maior risco de AVC, particularmente após os 50 anos.
Estudos do National Institutes of Health (NIH) mostram que mulheres com apneia apresentam maior inflamação sistêmica e maior risco de doença coronariana quando comparadas a homens com apneia de mesma gravidade.
Como saber se o ronco feminino é apenas incômodo ou sinal de algo mais sério?
Sinais de alerta incluem:
- Ronco alto e frequente, observado por parceiros;
- Pausas respiratórias percebidas durante o sono;
- Acordar sufocando ou com sensação de ar faltando;
- Dor de cabeça matinal;
- Sonolência diurna, mesmo após muitas horas de sono;
- Irritabilidade e lapsos de memória;
- Ganho de peso sem explicação clara;
- Sintomas que pioram na menopausa.
Se você reconhece alguns desses sintomas, é essencial buscar avaliação e realizar polissonografia, o exame mais preciso para diagnosticar apneia.
Quais tratamentos realmente funcionam para o ronco feminino?
O tratamento depende da causa, da gravidade e das características fisiológicas individuais. O ideal é sempre personalizar.
Mudanças de hábitos com impacto comprovado
• Perda de peso controlada
Mesmo pequenas reduções de peso (5 a 10%) já diminuem o colapso da via aérea.
• Higiene do sono
Dormir em horários regulares reduz despertares e melhora o tônus muscular das vias aéreas.
• Evitar álcool e sedativos
Eles aumentam o relaxamento da musculatura faríngea.
• Dormir de lado
Reduz o estreitamento da garganta em pessoas com AOS posicional.
Qual o papel do Aparelho Intraoral no tratamento do ronco feminino?
O Aparelho Intraoral, também chamado de dispositivo de avanço mandibular, mantém a mandíbula levemente avançada, abrindo espaço nas vias aéreas e reduzindo o colapso.
É uma opção eficaz em:
- Ronco primário;
- Apneia leve a moderada;
- Mulheres que não se adaptam ao CPAP;
- Pacientes com ganho de peso recente ou Ronco pós-menopausa.
A literatura da American Academy of Sleep Medicine (AASM) reconhece o Aparelho Intraoral como tratamento de primeira linha para muitos quadros leves e moderados.
O CPAP é recomendado para mulheres?
Sim. O CPAP (pressão positiva contínua das vias aéreas) é o tratamento padrão-ouro para apneia grave.
Ele mantém o fluxo de ar constante, impedindo o colapso da faringe. Em mulheres, os benefícios incluem:
- Redução expressiva da pressão arterial;
- Melhora da cognição e memória;
- Diminuição do risco cardiovascular;
- Melhora significativa da qualidade do sono.
A adesão pode variar, mas ajustes de máscara, conforto e pressão tornam o uso mais fácil.
O que fazer quando o ronco feminino começa na gravidez?
A gestação aumenta naturalmente o ronco devido a:
- retenção de líquidos,
- congestão nasal,
- mudanças hormonais.
Se houver pausas respiratórias, sonolência extrema ou pressão alta, o ideal é avaliação imediata. AOS na gravidez está associada a:
- pré-eclâmpsia,
- diabetes gestacional,
- parto prematuro.
Nesses casos, CPAP pode ser indicado com segurança.
Existe relação entre menopausa e ronco feminino?
Sim. A queda de estrogênio e progesterona reduz o tônus muscular da via aérea, aumentando a probabilidade de roncar.
Estudos mostram que mulheres pós-menopausa têm risco até 3 vezes maior de desenvolver Apneia do Sono
O tratamento pode incluir:
- atividade física,
- controle de peso,
- terapia medicamentosa (quando indicada),
- aparelho intraoral ou CPAP conforme gravidade.
Qual tratamento escolher primeiro?
A escolha depende do diagnóstico preciso. Em geral:
- Ronco primário → Aparelho Intraoral + mudanças de hábitos.
- Apneia leve ou moderada → aparelho intraoral ou CPAP.
- Apneia grave → CPAP como primeira opção.
- Ronco gestacional → avaliação e CPAP quando necessário.
- Ronco pós-menopausa → tratamento combinado (hábitos, aparelho e/ou CPAP).
Tratar o ronco não é apenas eliminar o barulho — é restaurar sua saúde.
FAQs
Sim, principalmente com aparelho intraoral e mudanças de hábitos.
Sim. A queda hormonal aumenta o ronco e exige atenção especial.
Inclui, especialmente em casos moderados e graves.
Sim, pois fatores hormonais e metabólicos influenciam diretamente.
Sim, com avaliação médica e uso adequado de CPAP quando necessário.
Conclusão: cuidar do ronco é cuidar de você
O ronco feminino merece atenção séria e olhar cuidadoso. Ele pode ser um sinal precoce de apneia do sono, um distúrbio que afeta desde a saúde cardiovascular até o bem-estar mental.
Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficaz o tratamento — e maior a chance de recuperar noites de sono tranquilas, energia diária e qualidade de vida.
Seu corpo fala enquanto você dorme. Ouvir esses sinais é o primeiro passo para transformar sua saúde.
Referências internacionais
Edwards BA et al. Gender Differences in Obstructive Sleep Apnea. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/
American Academy of Sleep Medicine (AASM). Guidelines for Oral Appliance Therapy. https://aasm.org
National Institutes of Health (NIH). Sleep Disorders Overview. https://www.nih.gov
Jordan AS, McSharry DG, Malhotra A. Adult Obstructive Sleep Apnea. Lancet. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/
Heinzer R et al. Prevalence of Sleep-Disordered Breathing in Women. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/
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