Tórus Mandibular

Tórus mandibular e bruxismo: sinal de alerta?

O tórus mandibular é um crescimento ósseo benigno (uma exostose) na face interna da mandíbula, bem perto da língua.

Muita gente só percebe ao acaso, no espelho ou em uma consulta odontológica.

A dúvida aparece quando ele surge junto de bruxismo (apertar ou ranger os dentes).
Afinal, isso é coincidência, consequência de sobrecarga, ou um “recado” do corpo?

A resposta mais honesta é: pode ser um sinal indireto, mas não é diagnóstico sozinho.
Vamos destrinchar com profundidade, sem complicar.

O que é tórus mandibular?

O tórus mandibular é uma protuberância óssea dura, geralmente bilateral, localizada na região lingual dos pré-molares/caninos.
Ele costuma ter crescimento lento e formato arredondado ou lobulado.

Na prática, ele é considerado uma variação anatômica comum, não um “tumor” no sentido clássico.
Quando é típico, o diagnóstico é clínico e costuma ser simples.

Por que ele aparece em algumas pessoas e em outras não?

A etiologia é multifatorial.
Os estudos citam uma combinação de genética, fatores ambientais e carga mastigatória ao longo do tempo.

Pense no osso como um tecido vivo: ele se adapta a estímulos mecânicos com remodelação.
Em algumas mandíbulas, esse “reforço” ósseo pode se expressar como tórus.

Tórus mandibular é comum?

Sim, e a prevalência varia bastante conforme população e critérios de avaliação.
Há revisões e relatos que descrevem faixas aproximadas na casa de dezenas de porcento, dependendo do grupo estudado.

O que é bruxismo, do ponto de vista atual?

Hoje, o bruxismo é entendido como atividade dos músculos mastigatórios, não necessariamente uma doença.
Ele pode ocorrer durante o sono (sleep bruxism) ou em vigília (awake bruxism).

Isso é importante porque o foco muda: em vez de “ter ou não ter”, avaliamos intensidade, contexto e consequências.
Em pessoas saudáveis, o bruxismo pode atuar como fator de risco (ou, em alguns cenários, até protetor), dependendo do desfecho analisado.

Quais mecanismos costumam estar por trás do bruxismo?

No bruxismo do sono, há relação com microdespertares e instabilidade do sono em algumas pessoas.
No bruxismo em vigília, entram muito atenção sustentada, estresse, hábitos e padrões motores.

O ponto-chave: força repetida + frequência aumenta a chance de sinais clínicos, como dor muscular, desgaste e fraturas/restaurações soltas.

Qual é a ligação entre tórus mandibular e bruxismo?

A hipótese mais aceita é biomecânica: sobrecarga oclusal/parafunção pode estimular remodelação óssea.
Por isso, muitos trabalhos investigam a associação entre tórus, bruxismo e disfunções temporomandibulares (DTM).

Mas atenção ao detalhe técnico: associação não prova causalidade.
O tórus pode coexistir com bruxismo porque ambos compartilham fatores, como padrões de mastigação, genética e ambiente.

O que os estudos observacionais sugerem?

Há estudos clássicos comparando grupos com DTM e controles, avaliando tórus e atividade parafuncional (apertar/ranger).
De modo geral, eles reforçam que tórus pode aparecer com maior frequência em pessoas com certos perfis de parafunção/DTM.

Também existem pesquisas tentando detalhar subtipos de DTM associados ao tórus mandibular.
Isso ajuda a entender que o tórus pode ser parte de um “pacote” de sinais de sobrecarga, e não um achado isolado.

Tórus mandibular é um “sinal de alerta” de bruxismo?

Eu gosto de pensar assim: ele pode ser uma pista, não uma sentença.
Se você tem tórus mandibular e mais nenhum sintoma, isso pode ser só uma variação anatômica.

Por outro lado, quando o tórus aparece junto de sinais de sobrecarga, ele ganha valor clínico.
A pergunta deixa de ser “o tórus é perigoso?” e passa a ser “o que mais está acontecendo com a sua função mastigatória e seu sono?”.

Quais sinais, junto do tórus, aumentam a suspeita de bruxismo clinicamente relevante?

  • Facetas de desgaste e perda de esmalte além do esperado.
  • Trincas, fraturas ou restaurações que quebram com frequência.
  • Dor/rigidez ao acordar, sobretudo em masseter e temporal.
  • Cefaleia matinal e sensação de cansaço mandibular.
  • Estalos, limitação de abertura ou dor na ATM (quando presente).

Quando o tórus provavelmente NÃO é “alerta”?

  • Quando é um achado antigo, estável, assintomático e sem sinais de sobrecarga dentária.
  • Quando há forte componente familiar (genética) e hábitos mastigatórios normais.

Como diferenciar tórus mandibular de outras alterações ósseas?

Na maioria das vezes, o tórus é duro, imóvel, recoberto por mucosa normal e cresce devagar.
Ele não costuma causar dor por si só, a menos que haja trauma repetido na mucosa.

Quais sinais pedem avaliação mais cuidadosa (e, às vezes, imagem)?

Procure avaliação se houver:

  • Crescimento rápido ou assimétrico.
  • Dor persistente sem trauma aparente.
  • Ulcerações recorrentes que não cicatrizam.
  • Alterações de cor/tecido, sangramento fácil, ou massa “mole”.

Nesses cenários, o profissional pode indicar exames de imagem e, raramente, biópsia para descartar diagnósticos diferenciais.
O objetivo é simples: garantir que estamos diante do que parece ser.

O tórus mandibular pode causar sintomas?

Na maior parte do tempo, não.
Mas ele pode atrapalhar quando o volume é grande ou quando a mucosa sobre ele sofre microtraumas.

Que tipos de incômodo podem aparecer?

  • Feridas por atrito (alimentos duros, escovação, trauma repetido).
  • Dificuldade para adaptação de próteses removíveis.
  • Incômodo na fala ou na acomodação da língua em casos volumosos.

Há também discussões na literatura sobre compressão de estruturas no assoalho bucal em casos extensos, com possíveis impactos em ductos salivares.
Isso é menos comum, mas merece atenção quando há sintomas.

Como investigar bruxismo quando há tórus mandibular?

O caminho mais sólido é clínico e multidimensional: sinais dentários, músculos, ATM e contexto de sono/estresse.
O bruxismo não deve ser “carimbado” só por desgaste dentário, porque desgaste tem várias causas.

O que costuma entrar na avaliação odontológica e funcional?

  • História de apertamento (vigília) e relatos de ranger (sono).
  • Exame de músculos mastigatórios e ATM.
  • Padrões de desgaste e integridade dental.
  • Fatores comportamentais (postura mandibular, hábitos diurnos).

Quando faz sentido olhar para o sono?

Se houver ronco alto, pausas respiratórias percebidas, sonolência excessiva ou despertares frequentes, vale discutir triagem para distúrbios do sono.
Em alguns casos, isso muda completamente a estratégia de manejo e a causa do “aperto noturno”.

Como tratar sem cair em simplificações?

O tórus em si só é tratado se atrapalha função ou provoca trauma recorrente.
Caso contrário, a conduta costuma ser observação e acompanhamento.

Já o bruxismo, quando tem impacto, pede foco em reduzir consequências e entender gatilhos.
Isso pode envolver estratégias comportamentais, cuidado do sono, manejo de estresse, terapias para dor e proteção dentária — sempre individualizando.

Quando a remoção do tórus é considerada?

Em geral, quando há:

  • Interferência protética relevante.
  • Traumas frequentes com feridas.
  • Prejuízo funcional significativo.

É uma decisão técnica, baseada em sintomas e planejamento reabilitador, não no medo do achado.

Conclusão: o que o tórus mandibular pode estar “contando” sobre você?

O tórus mandibular quase sempre é benigno e, sozinho, não deveria assustar.
Mas ele pode funcionar como um marcador de que seu sistema mastigatório passou (ou passa) por cargas repetidas.

Se você reconhece sinais de bruxismo junto do tórus — dor, desgaste acelerado, quebras, tensão ao acordar — encare isso como um convite ao cuidado.
Diagnóstico bom é aquele que integra boca, músculos, articulação e, quando necessário, sono.

No fim, a pergunta mais importante não é “tenho tórus?”.
É: minha função mastigatória e meu sono estão saudáveis o suficiente para os próximos anos?

Quando a resposta é “não sei”, investigar com calma costuma evitar dor, desgaste e tratamentos maiores no futuro.
E isso, no longo prazo, vale muito.

FAQs

Tórus mandibular é câncer?

Não, geralmente é benigno.

Tórus mandibular sempre indica bruxismo?

Não. Pode haver outras causas.

O tórus pode desaparecer sozinho?

É incomum; costuma ser estável.

Bruxismo sempre desgasta os dentes?

Nem sempre; depende do padrão.

Quando remover o tórus é necessário?

Quando há trauma ou prejuízo funcional.

Referências

  1. PubMed (consenso bruxismo, 2018): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29926505/
  2. PubMed (tórus mandibular e DTM): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33836733/
  3. PubMed (tórus, parafunção e DTM): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10858740/
  4. NIH / PMC (Torus mandibularis – visão geral): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3027453/
  5. NIH / NCBI Bookshelf (Bruxism Management – StatPearls): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482466/

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Dr Paulo Coelho

Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com foco em Distúrbios do Sono e Odontologia do Sono.
Atua de forma integrada no tratamento do ronco, da apneia do sono e das disfunções orofaciais, unindo ciência e abordagem humanizada para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida.

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