O Protetor bucal é amplamente recomendado em esportes de contato. Mas será que ele sempre oferece proteção real? Ou pode gerar uma falsa sensação de segurança quando mal indicado ou mal adaptado?
Essa é uma pergunta importante — especialmente para atletas que acreditam estar protegidos apenas por “estar usando alguma coisa na boca”.
Vamos entender o que a ciência realmente mostra.
O protetor bucal realmente protege?
Sim — quando corretamente indicado e confeccionado.
O protetor bucal tem como principal função reduzir lesões orofaciais, incluindo:
- Fraturas dentárias
- Avulsões (dentes arrancados)
- Lacerações em lábios e mucosa
- Contusões na mandíbula
- Articulação Temporomandibular – ATM
A American Dental Association reconhece o uso de protetores como estratégia eficaz na prevenção de traumas dentários em esportes de contato.
Mas o nível de proteção depende do tipo e da adaptação.
Quando o protetor bucal pode gerar falsa segurança?
A falsa segurança acontece quando o atleta acredita estar protegido, mas o dispositivo:
- Está mal adaptado
- Se desloca facilmente
- É excessivamente fino
- Não absorve adequadamente o impacto
Nesses casos, o protetor pode reduzir apenas lesões superficiais, mas não proteger estruturas profundas.
Estudos mostram que dispositivos mal ajustados apresentam menor capacidade de dissipação de energia durante impactos.
Quais são os tipos de protetores bucais?
Basicamente, existem dois modelos principais.
O que é o protetor bucal moldável ou genérico?
É o modelo pré-fabricado, conhecido como “boil and bite”.
Você compra pela internet ou loja esportiva, aquece em água quente e molda diretamente na boca.
Ele busca criar um encaixe aproximado, mas não há controle preciso de espessura, adaptação ou estabilidade.
Na maioria das vezes, o objetivo é proteger apenas os dentes contra fraturas.
O que é o protetor bucal personalizado?
O protetor personalizado é confeccionado por dentista com atuação em Odontologia do Esporte.
Ele é produzido a partir de moldagem ou escaneamento digital da arcada, permitindo controle técnico da espessura, retenção e distribuição de forças.
Esse planejamento individualizado permite proteção não apenas dos dentes, mas também da articulação temporomandibular (ATM).
Por que a ATM precisa ser protegida?
A articulação temporomandibular conecta a mandíbula ao crânio.
Durante impactos diretos na região mandibular, a força pode ser transmitida ao côndilo mandibular e à base do crânio.
Sem amortecimento adequado, podem ocorrer:
- Microtraumas repetitivos
- Inflamação articular
- Dor e estalos
- Disfunção temporomandibular (DTM)
Revisões indicam que protetores personalizados ajudam na dissipação das forças e podem reduzir carga transmitida à ATM.
O protetor genérico protege a ATM?
Em geral, não de forma eficiente.
O modelo moldável costuma ter foco primário na cobertura dental.
Como a retenção pode ser limitada, o atleta frequentemente morde para manter o protetor no lugar. Essa contração constante aumenta a compressão articular.
Além disso, a espessura nem sempre é estrategicamente distribuída para absorver impacto mandibular.
A adaptação influencia na eficácia?
Sim, e muito.
Retenção adequada significa que o protetor permanece estável sem necessidade de esforço muscular.
Quando há instabilidade:
- O dispositivo pode se deslocar no impacto
- A energia não é distribuída uniformemente
- O risco de trauma aumenta
Estudos comparativos mostram que protetores customizados apresentam melhor adaptação e conforto que os pré-fabricados.
O material interfere na proteção?
Interfere.
Protetores personalizados utilizam materiais termoplásticos laminados com controle de densidade.
Isso permite combinar:
- Amortecimento
- Resistência
- Espessura estratégica
Já modelos genéricos apresentam espessura padronizada, sem individualização biomecânica.
Existe impacto na respiração e desempenho?
Há pesquisas que indicam que protetores mal ajustados podem interferir na ventilação percebida e aumentar o esforço respiratório.
Por outro lado, protetores personalizados bem confeccionados tendem a minimizar essas alterações.
A diferença está mais relacionada à adaptação do que ao simples fato de usar um protetor.
Então, proteção real ou falsa segurança?
Depende do tipo e da qualidade da adaptação.
O Protetor bucal é uma ferramenta preventiva eficaz quando:
- Está bem adaptado
- Possui espessura adequada
- Apresenta boa retenção
- Distribui corretamente as forças
Pode se tornar falsa segurança quando usado apenas como “acessório obrigatório”, sem avaliação técnica.
Como saber se o seu protetor está realmente protegendo?
Observe sinais práticos:
- Ele permanece estável sem você morder?
- Não causa dor ou pressão na mandíbula?
- Não sai durante movimentos intensos?
- Possui espessura uniforme e confortável?
Se a resposta for negativa, vale reavaliar o tipo de protetor utilizado.
FAQs – Perguntas Frequentes
Protege quando bem adaptado; mal ajustado pode gerar falsa segurança.
Pode proteger dentes, mas tem limitações na proteção articular.
Pode reduzir carga e risco de microtraumas articulares.
Modelos mal ajustados podem aumentar desconforto respiratório.
Não elimina risco, mas reduz significativamente traumas orofaciais.
Referências Internacionais
Karaganeva R. et al. Custom mouthguards and adaptation
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12056218/
American Dental Association – Athletic Mouth Protectors
https://www.ada.org/resources/ada-library/oral-health-topics/athletic-mouth-protectors-mouthguards
Tanaka Y. et al. Influence of mouthguards on impact transmission
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27207582/
Singarapu R. et al. Mouthguards and TMJ protection
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10258405/
Caneppele TMF. et al. Mouthguards and cardiopulmonary performance
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6226078/
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