Apneia do sono pode causar convulsão é uma pergunta legítima — e cada vez mais comum — entre pacientes e familiares. Embora a apneia não seja, por si só, uma epilepsia, há evidências científicas de que ela pode aumentar o risco de crises convulsivas, especialmente quando não é diagnosticada ou tratada adequadamente.
Para entender essa relação, é preciso olhar com atenção para o que acontece no cérebro e no coração durante a apneia do sono.
O que é a apneia do sono e o que ocorre no organismo?
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um distúrbio respiratório caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante o sono. Essas pausas acontecem quando a via aérea superior colapsa, impedindo a passagem do ar.
Cada evento de apneia provoca:
- Queda da oxigenação sanguínea (hipóxia)
- Aumento do gás carbônico
- Microdespertares cerebrais
- Ativação intensa do sistema nervoso simpático
Esses episódios podem ocorrer dezenas ou centenas de vezes por noite.
Como a falta de oxigênio afeta o cérebro?
O cérebro é extremamente sensível à oxigenação. Durante a apneia, ocorre a chamada hipóxia intermitente, ou seja, quedas repetidas e bruscas do oxigênio no sangue.
Esse processo gera:
- Instabilidade elétrica cerebral
- Aumento da excitabilidade neuronal
- Alterações no equilíbrio de neurotransmissores
Em pessoas predispostas, esse cenário pode reduzir o limiar convulsivo, facilitando o surgimento de crises.
Apneia do sono pode causar convulsão em quem nunca teve epilepsia?
Pode, embora não seja comum.
A apneia do sono não é considerada causa primária de epilepsia, mas pode atuar como fator desencadeante de crises convulsivas isoladas, principalmente em situações como:
- Hipóxia grave e prolongada
- Distúrbios metabólicos associados
- Uso concomitante de álcool ou sedativos
- Privação crônica de sono
Esses fatores aumentam a instabilidade elétrica do cérebro.
Qual a relação entre apneia do sono e epilepsia?
A relação entre apneia do sono e epilepsia é bem documentada. Estudos mostram que pessoas com epilepsia têm maior prevalência de apneia do sono — e o inverso também pode ocorrer.
Segundo a American Academy of Sleep Medicine, tratar a apneia em pacientes epilépticos pode:
- Reduzir a frequência das crises
- Melhorar o controle medicamentoso
- Diminuir a sonolência diurna
- Melhorar a qualidade de vida
Isso reforça o papel da apneia como agravante neurológico.
A apneia do sono noturna pode simular uma convulsão?
Sim. Esse é um ponto importante.
Alguns episódios de apneia grave podem cursar com:
- Movimentos bruscos
- Contrações musculares
- Confusão ao despertar
- Sensação de sufocamento
Esses eventos podem ser confundidos com crises convulsivas, mas são chamados de pseudo-crises relacionadas ao sono. A diferenciação correta exige investigação médica cuidadosa.
Qual o impacto cardiovascular nessa relação?
A apneia do sono provoca picos repetidos de pressão arterial, arritmias e inflamação sistêmica. Esse estresse cardiovascular afeta diretamente o cérebro.
De acordo com o National Institutes of Health e dados do PubMed, a apneia está associada a:
- AVC isquêmico e hemorrágico
- Alterações da perfusão cerebral
- Maior risco de morte súbita noturna
Essas condições também aumentam o risco de crises neurológicas.
A privação de sono causada pela apneia influencia convulsões?
De forma significativa.
A fragmentação do sono reduz o sono profundo e o sono REM, fases essenciais para o equilíbrio neurológico. A privação de sono é um dos principais gatilhos conhecidos para crises convulsivas.
Assim, a apneia contribui indiretamente ao:
- Impedir o descanso cerebral adequado
- Manter o cérebro em estado de alerta constante
- Aumentar a instabilidade elétrica cortical
Como é feito o diagnóstico correto?
A investigação envolve dois pilares:
- Polissonografia para diagnosticar a apneia do sono
- Avaliação neurológica (eletroencefalograma quando indicado)
Muitas vezes, crises noturnas só são corretamente interpretadas após a identificação da apneia.
Tratar a apneia reduz o risco de convulsão?
Sim, e esse é um ponto central.
O tratamento da apneia melhora:
- A oxigenação cerebral
- A estabilidade elétrica do cérebro
- A qualidade do sono
- O controle de crises em pacientes epilépticos
O CPAP é o tratamento padrão para apneia moderada a grave, mas nem todos se adaptam ao uso da máscara.
O aparelho intraoral é uma alternativa segura?
Sim. Para casos leves e moderados — ou para quem não se adapta ao CPAP — o aparelho intraoral para ronco e apneia é uma alternativa eficaz e respaldada pela literatura científica.
Ele atua:
- Avançando a mandíbula
- Mantendo a via aérea aberta
- Reduzindo eventos de apneia
- Melhorando a oxigenação noturna
Isso contribui diretamente para a proteção neurológica.
Quando suspeitar que a apneia está envolvida?
Alguns sinais de alerta:
- Ronco alto e frequente
- Pausas respiratórias observadas
- Sonolência excessiva diurna
- Crises noturnas sem causa definida
- Dificuldade de controle de epilepsia
Nesses casos, investigar o sono é fundamental.
Conclusão: apneia do sono e convulsão exigem atenção conjunta
Apneia do sono pode causar convulsão em situações específicas, principalmente quando há hipóxia, privação de sono e vulnerabilidade neurológica.
Ignorar a apneia é ignorar um fator de risco real para o cérebro e o coração. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado não apenas melhoram o sono, mas protegem a função neurológica e reduzem riscos graves.
Dormir bem é mais do que descansar — é preservar a saúde do cérebro.
FAQs – Apneia do sono pode causar convulsão
Pode aumentar o risco, mas não é causa primária.
Pode, em situações de hipóxia grave.
Sim, especialmente crises relacionadas ao sono fragmentado.
O risco cai muito com tratamento adequado.
Pode influenciar crises em crianças predispostas.
Referências internacionais
Peppard PE et al. Sleep-disordered breathing and cardiovascular disease.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/
American Academy of Sleep Medicine (AASM)
https://aasm.org
National Institutes of Health – Sleep Apnea
https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea
Malow BA et al. Obstructive sleep apnea and epilepsy.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15827245/
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