O que é a apneia do sono e por que ela está relacionada ao ronco?
O ronco é frequentemente tratado como algo inofensivo — um simples incômodo para quem divide a cama ou o quarto. Mas, na prática, ele pode ser o primeiro sinal de um distúrbio respiratório sério. Logo no início, é importante compreender que existe tratamento para ronco, e que tratar precocemente esse sintoma é essencial para prevenir complicações cardiovasculares, metabólicas e cognitivas.
A apneia do sono, especialmente a apneia obstrutiva, é uma condição silenciosa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Muitos sequer têm consciência de que sofrem com ela, pois os episódios de interrupção respiratória ocorrem durante o sono. O impacto, porém, repercute ao longo de todo o dia e, a longo prazo, compromete a saúde de forma significativa.
Este guia completo foi elaborado para oferecer uma referência abrangente e tecnicamente precisa sobre o tema, com explicações acessíveis, baseadas em evidências internacionais e organizadas em parágrafos curtos para facilitar a leitura.
O que é apneia do sono e por que o ronco é um sinal de alerta?
A apneia do sono é uma condição na qual a respiração é repetidamente interrompida durante o sono. Essas interrupções podem durar de 10 segundos a 1 minuto ou mais, ocorrendo dezenas ou até centenas de vezes por noite, dependendo da gravidade.
O ronco, embora nem sempre indique apneia, costuma ser um marcador importante de obstrução das vias aéreas. Ele surge quando o fluxo de ar encontra resistência ao passar pela garganta — e essa resistência, quando intensa, pode levar ao colapso total da via aérea, arquitetando as pausas respiratórias da apneia obstrutiva.
Por isso, tratamentos para o ronco e a apneia frequentemente caminham juntos. Em muitos casos, ao investigar o ronco, o paciente descobre um distúrbio mais sério que exige intervenção.
Quais os tipos de apneia do sono?
Existem três tipos principais, cada um com mecanismos fisiopatológicos distintos:
1. Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)
É a forma mais comum. Ocorre quando as vias aéreas superiores colapsam física e mecanicamente durante o sono. O ar não passa, mesmo que o corpo tente respirar. O ronco é característico desse tipo.
2. Apneia Central do Sono
Nesta forma, o cérebro deixa temporariamente de enviar sinais ao diafragma e músculos respiratórios. Aqui, não há obstrução física — há falha neurológica no controle da respiração.
3. Apneia Mista ou Complexa
Combina padrões centrais e obstrutivos. É mais rara e exige acompanhamento altamente especializado.
A apneia obstrutiva (AOS) representa mais de 80% dos casos diagnosticados globalmente (AASM, NIH).
Por que a apneia do sono acontece?
A apneia é resultado de uma interação entre fatores anatômicos, neuromusculares e comportamentais. Durante o sono, a musculatura que mantém a garganta aberta relaxa. Quando esse relaxamento é excessivo — somado a estruturas anatômicas desfavoráveis — a passagem do ar é reduzida ou obstruída.
Entre os principais elementos envolvidos no colapso da via aérea estão:
- Base da língua aumentada
- Palato mole alongado
- Tônus muscular reduzido
- Amígdalas hipertrofiadas
- Aumento de gordura cervical
- Retrognatismo ou micrognatia
- Redução do espaço retrofaríngeo
Em muitos pacientes, esses fatores coexistem, tornando o diagnóstico multidimensional.
Quais são os principais sintomas da apneia do sono?
Os sintomas podem ser divididos em noturnos e diurnos.
Sintomas Noturnos
- Ronco alto e irregular
- Pausas respiratórias observadas por terceiros
- Engasgos e sufocamentos durante o sono
- Boca seca ao acordar
- Sono fragmentado
- Pesadelos frequentes
- Sensação de asfixia
Sintomas Diurnos
- Sonolência excessiva
- Dificuldade de concentração
- Problemas de memória
- Irritabilidade e alterações de humor
- Dores de cabeça
- Baixa produtividade
- Dificuldade em dirigir com segurança
A sonolência diurna é tão intensa em alguns casos que pacientes adormecem facilmente em momentos inadequados, aumentando risco de acidentes.
Como é feito o diagnóstico da apneia do sono?
O padrão-ouro é a polissonografia, que pode ser feita em laboratório ou em casa (polissonografia domiciliar). Este exame registra uma série de parâmetros fisiológicos:
- Fluxo de ar nasal e oral
- Movimentos respiratórios
- Níveis de oxigênio
- Frequência cardíaca
- Arquitetura do sono
- Ronco
- Posição corporal
O índice principal utilizado para classificar a apneia é o IAH — Índice de Apneia-Hipopneia:
- Leve: 5–15 eventos/hora
- Moderada: 15–30 eventos/hora
- Grave: mais de 30 eventos/hora
É comum que pacientes com apneia grave tenham IAH acima de 60, indicando mais de um episódio de pausa respiratória por minuto.
Quais são os fatores de risco?
Os estudos mais recentes indicam como principais fatores:
- Obesidade
- Idade avançada
- Sexo masculino
- Menopausa em mulheres
- Retrognatismo
- Uso de álcool e sedativos
- Tabagismo
- Histórico familiar
- Alergias respiratórias
- Desvio de septo
É importante destacar que mesmo pessoas magras podem ter apneia se apresentarem alterações anatômicas significativas.
Como a apneia do sono afeta o coração?
A apneia tem impacto profundo no sistema cardiovascular. A cada pausa respiratória, ocorre:
- Hipóxia intermitente — quedas repetidas de oxigênio.
- Despertares breves — fragmentação do sono.
- Ativação simpática — liberação de adrenalina e noradrenalina.
Esses estímulos crônicos causam:
- Hipertensão arterial resistente
- Arritmias
- Aumento do risco de fibrilação atrial
- Infarto do miocárdio
- Acidente vascular cerebral
De acordo com a American Heart Association, a apneia aumenta o risco de morte cardiovascular em até 140% quando não tratada.
Como a apneia afeta o cérebro e a cognição?
A hipóxia repetida prejudica áreas cerebrais responsáveis por:
- Atenção
- Velocidade de processamento
- Memória
- Funções executivas
Em estudos publicados na Sleep Medicine Reviews, pacientes com apneia apresentam maior risco de desenvolver demência, Alzheimer e declínio cognitivo acelerado.
Os microdespertares impedem que o cérebro entre nas fases profundas do sono, como o sono REM, crucial para consolidar memórias.
Existe tratamento para ronco e apneia?
Sim. E o tratamento deve considerar não apenas o ronco, mas a causa subjacente — especialmente quando há apneia. Por isso a expressão existe tratamento para ronco precisa ser interpretada dentro de um contexto clínico completo.
Há diversas abordagens, que incluem mudanças comportamentais, intervenções odontológicas, terapias respiratórias e até cirurgias.
Tratamentos não invasivos para ronco e apneia
1. Mudanças de hábitos
- Perda de peso
- Evitar álcool à noite
- Parar de fumar
- Tratar congestão nasal
- Dormir de lado
- Higiene do sono
Perder 10% do peso corporal pode reduzir o IAH em até 30%.
2. Terapia miofuncional orofacial
Fortalece língua, palato e músculos da faringe. Estudos mostram redução significativa do ronco em casos leves.
Aparelho intraoral (Avanço Mandibular)
O dispositivo oral atua avançando a mandíbula para frente, abrindo espaço na via aérea. É considerado extremamente eficaz em:
- Ronco primário
- Apneia leve
- Apneia moderada
- Pacientes intolerantes ao CPAP
Estudos da AASM confirmam melhora da oxigenação e redução do IAH.
Tratamento com CPAP
O CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é o tratamento padrão-ouro para apneia moderada e grave. Ele evita o colapso da via aérea através de fluxo de ar pressurizado.
Benefícios:
- Eliminação do ronco
- Normalização da oxigenação
- Redução da pressão arterial
- Melhora cognitiva
O CPAP reduz risco de morte cardiovascular em até 30%.
Tratamentos cirúrgicos para ronco e apneia
1. Uvulopalatofaringoplastia (UPPP)
Remove excesso de tecido do palato e úvula.
2. Septoplastia e turbinectomia
Corrigem obstruções nasais.
3. Cirurgia ortognática
Avança mandíbula e maxila, ampliando drasticamente as vias aéreas.
4. Estimulação do nervo hipoglosso
Um dispositivo implantado move a língua para frente durante o sono, evitando obstrução.
Impacto social da apneia e do ronco
O ronco não afeta apenas o paciente — afeta relacionamentos, convivência e atmosfera familiar. Casais relatam:
- Dormir separados
- Perda de intimidade
- Irritabilidade
- Conflitos devido ao cansaço
Além disso, a sonolência diurna aumenta risco de acidentes, reduz produtividade e afeta humor.
Apneia em crianças: o que muda?
Os sintomas infantis são diferentes dos de adultos:
- Irritabilidade
- Hiperatividade
- Déficit escolar
- Atrasos no desenvolvimento
- Ronco constante
O tratamento costuma envolver remoção das amígdalas e adenoides.
Apneia em gestantes
A gravidez aumenta risco de apneia devido a:
- Ganho de peso
- Edema das vias respiratórias
- Aumento das demandas metabólicas
É essencial diagnosticar, pois apneia na gestação está ligada a:
- Pré-eclâmpsia
- Diabetes gestacional
- Parto prematuro
Conclusão: cuidar do sono é cuidar da vida
A apneia do sono é uma condição séria, prevalente e frequentemente subdiagnosticada. O ronco — um dos seus principais sinais — não deve ser ignorado.
Ao entender que existe tratamento para ronco, abrimos caminho para intervenções que não apenas eliminam o barulho, mas que salvam vidas, restauram energia, protegem o coração e permitem que o cérebro funcione plenamente.
Diagnosticar e tratar precocemente é uma das decisões mais importantes que uma pessoa pode tomar para sua saúde a longo prazo.
FAQ sobre apneia do sono
Não. Mas ronco frequente e alto pode ser um sinal de alerta.
Sim, principalmente devido a amígdalas ou adenoides aumentadas.
Não cura, mas controla de forma eficaz enquanto é utilizado.
Sim. Pode causar leve desconforto no início, mas a adaptação costuma ser rápida.
Depende da causa. Em alguns casos, mudanças de hábitos ou cirurgias podem resolver.
Sim. Mudanças de hábitos, aparelhos intraorais e CPAP são opções eficazes.
Sim. Avaliação completa pode indicar cirurgia, terapia miofuncional ou CPAP.
Sim. A apneia tem terapias específicas, como CPAP ou aparelhos orais.
Sim. O tratamento deve considerar comorbidades e anatomia individual.
Sim. Geralmente envolve adenoamigdalectomia ou correção de obstruções nasais.
Referências Bibliográficas
Cistulli PA, Sutherland K. “Oral Appliance Therapy in OSA.”
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31883791/
AASM – American Academy of Sleep Medicine
https://aasm.org
NIH – National Institutes of Health
https://www.nih.gov
PubMed – National Library of Medicine
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
Punjabi NM. “The Epidemiology of Adult Obstructive Sleep Apnea.” Proc Am Thorac Soc.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18250205/
Peppard PE et al. “Increased Prevalence of Sleep-Disordered Breathing in Adults.”
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23589584/
Nossas Unidades
Unidade Campinas – R. Antonio Lapa, 1020 – Bairro: Cambuí – WhatsApp (19) 99813-7019
Unidade Brooklin – São Paulo – R. Alcides Ricardini Neves,12 – WhatsApp (11) 94164-5052
Unidade Tatuapé – São Paulo – R. Cantagalo, 692 Conj 618 – WhatsApp (11) 94164-5052
Unidade Valinhos – Av. Joaquim Alves Correa, 4480 – Sala 1 – WhatsApp (19) 99813-7019
- American Academy of Sleep Medicine (AASM). www.aasm.org
- Mayo Clinic. Sleep apnea: Symptoms and causes. www.mayoclinic.org
- National Sleep Foundation. Snoring and Sleep Apnea. www.sleepfoundation.org
- Johns Hopkins Medicine. The Dangers of Snoring. www.hopkinsmedicine.org
- National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI). “What Is Sleep Apnea?” www.nhlbi.nih.gov
Leia mais sobre:
- Polissonografia Domiciliar
- Blog Bora Dormir
- Bruxismo do Sono
- Aparelho Anti Ronco
- Aparelho para Ronco
- Placa Anti Ronco
- Tratamento para Ronco
- Cirurgia do Ronco
- Como Parar de Roncar
- Placa Anti Ronco
- Aparelho para Parar de Roncar
- Aparelho para Apneia do Sono
- Tratamento para Apneia do Sono
- Odontologia do Sono
- Placa de Bruxismo
- Bruxismo e Zumbido no Ouvido
- ATM – Articulação Temporomandibular
- DTM – Disfunção Temporomandibular
