bruxismo noturno

Bruxismo Noturno: por que você range os dentes?

Se alguém já te disse “você range os dentes dormindo”, eu imagino a dúvida que vem logo em seguida:
por que isso acontece, se eu estou inconsciente? O bruxismo noturno (sleep bruxism) é uma atividade involuntária dos músculos da mastigação durante o sono.

Pode envolver apertar (clenching) e/ou ranger (grinding).

E aqui vai um ponto que costuma aliviar: isso não significa, automaticamente, que você está doente.
Mas pode ser um problema se começar a gerar dor, desgaste, trincas ou um sono mais fragmentado.

O que é bruxismo noturno, de forma bem clara?

Pensa assim: é como se sua mandíbula “trabalhasse” enquanto você dorme.
Não é um movimento consciente, nem algo que você escolhe fazer.

O consenso internacional descreve o bruxismo como atividade repetitiva dos músculos mastigatórios, que pode acontecer no sono ou acordado.
Quando acontece no sono, muitas vezes a pessoa só percebe por causa do som ou dos sinais no corpo.

Bruxismo noturno é a mesma coisa que apertar os dentes?

Eles estão no mesmo pacote, mas não são idênticos.
Tem gente que aperta forte sem fazer barulho. E tem gente que range com ruído e deslizamento dos dentes.

Durante o sono, os episódios podem ser rítmicos (movimentos repetidos) ou de contração mais sustentada.
O que muda o risco é a combinação de frequência + força + tempo de contato.

Então… por que eu rango os dentes à noite?

Aqui está a parte mais interessante (e mais moderna): o bruxismo noturno costuma aparecer perto de microdespertares.
Não é “acordar de verdade”, mas pequenas ativações do cérebro e do sistema nervoso durante o sono.

É como se o corpo fizesse um “ajuste rápido” de ritmo cardíaco, respiração e tônus muscular.
Em algumas pessoas, a mandíbula entra nesse circuito e o ranger/apertar aparece.

Estresse é o culpado?

Estresse pode influenciar, sim, mas ele raramente explica tudo sozinho.
A NIDCR (NIH) aponta fatores que podem aumentar o bruxismo, como estresse/ansiedade, além de álcool, cafeína, tabaco e alguns medicamentos.

Eu gosto de usar essa imagem: o estresse não é necessariamente a “origem”, mas pode ser o botão que aumenta o volume.
E aí o que era leve vira frequente.

Bruxismo noturno tem relação com apneia do sono?

Pode ter. Às vezes coexistem.
A NIDCR comenta que o bruxismo do sono pode ocorrer junto de apneia e outros distúrbios do sono.

Na prática, isso muda tudo. Se existe ronco alto, pausas respiratórias percebidas, sono não reparador e sonolência diurna, vale olhar o sono com mais carinho.
Porque, em alguns casos, o bruxismo é mais um sinal de instabilidade do sono do que um hábito isolado.

Como eu sei se tenho bruxismo noturno, mesmo sem ninguém ouvir?

Nem sempre dá para contar com o barulho. Muita gente “aperta” em silêncio.
Então a gente procura pistas do corpo.

Quais sinais costumam aparecer?

  • Dor ou cansaço na mandíbula ao acordar.
  • Dor de cabeça matinal, especialmente nas têmporas.
  • Dentes sensíveis ou sensação de “pressão” ao mastigar.
  • Desgaste ou superfícies mais planas e brilhantes (com ressalvas).

E aqui eu preciso ser bem honesto: desgaste sozinho não fecha diagnóstico.
Ácidos (refluxo, dieta), envelhecimento e hábitos alimentares também desgastam dentes.

Bruxismo noturno sempre causa dano?

Não. Tem gente que tem episódios leves e nunca desenvolve complicações.
O risco aumenta quando os episódios são mais frequentes e intensos.

O que pode acontecer quando o bruxismo “pesa a mão”?

  • Trincas e fraturas em dentes e restaurações.
  • Dor muscular (masseter/temporal), com sensação de rigidez.
  • Sintomas na ATM em pessoas predispostas (não é regra).
  • Sono mais fragmentado em casos mais marcantes.

O ponto é: bruxismo não precisa virar um “drama”, mas precisa ser levado a sério quando começa a cobrar um preço.

Como é feito o diagnóstico do bruxismo noturno?

O consenso internacional propõe uma forma bem útil de pensar:
possível (relato), provável (relato + sinais clínicos) e definitivo (registro instrumental, como EMG/polissonografia).

Na vida real, o que mais importa é responder duas perguntas:

  1. ele está causando consequências?
  2. há algo no sono que precisa ser investigado?

Precisa fazer polissonografia?

Nem sempre. A AASM reconhece critérios clínicos e que exames aumentam a confiabilidade, mas não são obrigatórios para todo mundo.

Ela costuma entrar mais quando existem sinais de apneia, movimentos noturnos incomuns ou casos difíceis de explicar.
Caso contrário, uma avaliação clínica bem feita já orienta o caminho.

O que realmente ajuda (sem promessas mágicas)?

Eu prefiro ser direto: o objetivo é reduzir dano e gatilhos, não “controlar o cérebro dormindo” na força bruta.
E isso costuma ser uma combinação de pequenas coisas bem feitas.

O que você pode ajustar com segurança no dia a dia?

  • Rever cafeína (principalmente depois do meio da tarde).
  • Evitar álcool à noite, se você percebe piora do sono ou ranger.
  • Melhorar rotina: hora de dormir mais regular, menos telas e mais desaceleração.
  • Técnicas de relaxamento (respiração, alongamento leve) antes de deitar.

E se houver sinais respiratórios (ronco forte, pausas, sonolência), investigar e tratar o sono pode ser decisivo.

Quando vale procurar ajuda profissional sem adiar?

Quando você tem: dor frequente, quebras, trincas, sensibilidade persistente, limitação de abertura, ou sono ruim.
Esses são sinais de que o bruxismo está deixando de ser “evento” e virando “consequência”.

Conclusão: por que entender o “porquê” muda o cuidado?

O bruxismo noturno não é só “nervoso” nem “falta de força de vontade”.
Ele tem relação com o funcionamento do sono, com microativações do sistema nervoso e com fatores que variam de pessoa para pessoa.

Quando a gente entende isso, o cuidado fica mais humano e mais inteligente:
olhar para o sono quando necessário, reduzir gatilhos, proteger dentes e tratar dor quando ela aparece.

Diagnóstico bem feito não é rótulo. É direção.
E direção certa costuma evitar desgaste acumulado, fraturas e um sofrimento que poderia ter sido prevenido.

FAQs

Bruxismo noturno é sempre grave?

Não. Depende da intensidade e do dano.

Se não faz barulho, pode existir?

Sim. Apertar pode ser silencioso.

Estresse causa bruxismo noturno?

Pode contribuir, mas não explica tudo.

Ranger pode piorar o sono?

Pode, especialmente se for frequente.

Bruxismo e apneia podem coexistir?

Sim. Se houver sinais, vale investigar.

Referências

NCBI Bookshelf (StatPearls – Bruxism Management): https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482466/

PubMed (International consensus on bruxism assessment, 2018): https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29926505/

PMC (texto completo do consenso 2018): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6287494/

AASM – ICSD-3-TR (material suplementar, PDF): https://aasm.org/wp-content/uploads/2023/05/ICSD-3-Text-Revision-Supplemental-Material.pdf

NIH/NIDCR (Bruxism: sinais e fatores associados): https://www.nidcr.nih.gov/health-info/bruxism

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Dr Paulo Coelho

Dr. Paulo Coelho é graduado em Odontologia e Psicanálise, com especialização em Ortodontia, DTM e Dor Orofacial. Possui Mestrado em Ortodontia e Doutorado em Psicanálise, com foco em Distúrbios do Sono e Odontologia do Sono.
Atua de forma integrada no tratamento do ronco, da apneia do sono e das disfunções orofaciais, unindo ciência e abordagem humanizada para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida.

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