Prognatismo Mandibular Precisa Sempre de Cirurgia?

Não. Ter prognatismo mandibular não significa automaticamente que será necessária uma cirurgia. A decisão depende principalmente da origem e da intensidade da alteração, da mordida, da idade, do crescimento facial, da posição dos dentes e do impacto funcional e estético para o paciente.

Em alguns casos mais leves ou limítrofes, principalmente quando existe uma compensação dentária possível, o tratamento pode ser realizado apenas com Ortodontia. Em discrepâncias esqueléticas importantes em adultos, porém, a cirurgia ortognática associada ao tratamento ortodôntico pode ser a alternativa mais adequada. PubMed

O que é prognatismo mandibular?

O prognatismo mandibular ocorre quando a mandíbula apresenta uma posição ou dimensão mais anterior em relação ao restante da face.

Visualmente, o paciente pode apresentar o queixo mais projetado para frente e, em alguns casos, os dentes inferiores ficam à frente dos superiores.

Essa situação frequentemente está relacionada à chamada má oclusão de Classe III.

Mas existe uma diferença importante.

Nem toda Classe III acontece porque a mandíbula cresceu demais. O problema também pode estar associado a:

  • deficiência de crescimento da maxila;
  • excesso mandibular;
  • combinação das duas alterações;
  • posição inadequada dos dentes sem grande alteração óssea.

Por isso, observar apenas o queixo ou a mordida não é suficiente para determinar o tratamento.

Como saber se o prognatismo é dentário ou esquelético?

Essa é uma das perguntas mais importantes antes de decidir entre aparelho e cirurgia.

Em uma alteração predominantemente dentária, o posicionamento dos dentes contribui significativamente para a mordida de Classe III.

Em uma alteração esquelética, existe uma discrepância entre os ossos da maxila e da mandíbula.

O diagnóstico pode envolver exame clínico, fotografias, radiografias, análise cefalométrica, escaneamento e avaliação das proporções faciais.

Também é necessário observar a posição das raízes e o grau de compensação que os dentes já apresentam.

Essa diferença é fundamental porque a Ortodontia movimenta os dentes, enquanto a cirurgia ortognática permite reposicionar os ossos da face.

Prognatismo mandibular pode ser corrigido apenas com aparelho?

Em determinados casos, sim.

Adultos com Classe III esquelética leve ou moderada, estética facial aceitável e condições dentárias favoráveis podem ser candidatos à chamada camuflagem ortodôntica.

Nesse tipo de tratamento, os dentes são movimentados para compensar parcialmente a discrepância existente entre maxila e mandíbula.

A literatura mostra que a camuflagem ortodôntica pode ser uma alternativa para casos selecionados de Classe III, especialmente os considerados limítrofes. PubMed

Isso, entretanto, não significa que o aparelho diminua o tamanho da mandíbula de um adulto.

O objetivo é melhorar a relação dentária utilizando os limites biológicos disponíveis.

O aparelho muda o formato do rosto?

Em adultos que já terminaram o crescimento, o tratamento ortodôntico pode provocar algumas mudanças no perfil por meio da movimentação dos dentes e da alteração da posição dos lábios.

Mas ele não produz o mesmo tipo de mudança esquelética que uma cirurgia ortognática.

Estudos comparando camuflagem e cirurgia mostram que o tratamento cirúrgico produz modificações maiores na relação entre as bases ósseas e no perfil facial, enquanto a camuflagem depende principalmente de alterações dentoalveolares. PubMed

Por isso, é importante saber qual resultado o paciente espera obter.

Corrigir a mordida e mudar significativamente a estrutura facial são objetivos diferentes.

Quando a cirurgia ortognática pode ser indicada?

A cirurgia passa a ser considerada principalmente quando a discrepância entre os ossos é importante e não pode ser compensada adequadamente apenas movimentando os dentes.

Isso pode acontecer quando existe:

  • Classe III esquelética acentuada;
  • grande projeção mandibular;
  • deficiência importante da maxila;
  • assimetria facial;
  • mordida funcionalmente comprometida;
  • limitação para realizar uma compensação dentária segura;
  • impacto facial significativo para o paciente.

Nos adultos com deformidades esqueléticas importantes, o tratamento combinado de Ortodontia e cirurgia permite corrigir a posição dos dentes e também a relação entre os ossos da face. PubMed

A indicação, porém, não deve ser baseada em uma única medida radiográfica.

A análise precisa reunir face, esqueleto, dentes, tecidos de suporte, função e expectativas do paciente.

Crianças com prognatismo mandibular precisam de cirurgia?

Não necessariamente.

Em crianças e adolescentes ainda em crescimento, a abordagem é diferente porque o desenvolvimento facial ainda não terminou.

Dependendo da origem da Classe III, da idade e do estágio de crescimento, tratamentos ortopédicos podem ser utilizados para tentar modificar a relação entre maxila e mandíbula.

A resposta varia bastante entre os pacientes e o padrão de crescimento precisa ser acompanhado ao longo do tempo.

Por isso, identificar uma Classe III precocemente pode ser importante.

Mesmo assim, tratamentos realizados durante o crescimento não garantem que um paciente com uma discrepância esquelética progressiva nunca precisará de cirurgia no futuro.

Adultos com prognatismo sempre precisam operar?

Não.

Essa é justamente a razão pela qual existem casos considerados borderline ou limítrofes.

Alguns adultos apresentam uma discrepância pequena ou moderada e podem atingir um resultado funcional satisfatório por meio da compensação ortodôntica.

Outros apresentam uma alteração esquelética tão acentuada que tentar resolver tudo apenas movimentando os dentes pode exigir posições dentárias desfavoráveis ou não proporcionar a mudança facial desejada.

Estudos que analisaram pacientes Classe III demonstram que os casos submetidos à cirurgia tendem a apresentar inicialmente discrepâncias esqueléticas mais importantes do que aqueles tratados somente por camuflagem. PubMed

Aparelho invisível pode ser utilizado em pacientes com prognatismo?

Em alguns casos, sim.

Os aparelhos invisíveis e, particularmente, os alinhadores transparentes são ferramentas ortodônticas.

Portanto, podem ser utilizados para realizar determinados movimentos dentários em pacientes com Classe III quando esses movimentos fazem parte de um planejamento adequado.

O ponto principal é que ser transparente, removível ou praticamente invisível não aumenta o limite biológico do tratamento ortodôntico.

Se o problema é predominantemente esquelético e exige reposicionamento dos ossos, trocar um aparelho convencional por um alinhador não elimina essa necessidade.

Da mesma forma, o aparelho lingual pode permitir movimentação dentária mantendo o aparelho praticamente escondido atrás dos dentes, mas continua sendo uma ferramenta ortodôntica.

O que é camuflagem ortodôntica?

Camuflar significa utilizar a movimentação dos dentes para compensar uma discrepância esquelética que permanece presente.

Em uma Classe III, por exemplo, determinadas movimentações dos incisivos superiores e inferiores podem melhorar a relação entre os dentes.

Esse recurso pode produzir bons resultados em pacientes corretamente selecionados.

Entretanto, existe um limite.

Quando os dentes já estão muito inclinados como uma compensação natural da discrepância esquelética, pode não haver espaço biológico suficiente para movimentá-los ainda mais.

A literatura também mostra diferenças claras entre os efeitos da camuflagem e do tratamento ortodôntico-cirúrgico sobre dentes, ossos e tecidos moles. PubMed

Como decidir entre aparelho e cirurgia?

Não existe uma regra baseada apenas em frases como:

“Meu queixo é para frente.”

“Meus dentes de baixo passam dos de cima.”

“Tenho Classe III.”

A decisão exige diagnóstico.

Entre os aspectos que precisam ser avaliados estão:

  • intensidade da discrepância esquelética;
  • posição da maxila e da mandíbula;
  • posição dos incisivos;
  • espaço disponível para movimentação;
  • condição das raízes;
  • gengiva e suporte ósseo;
  • assimetria;
  • crescimento facial;
  • perfil;
  • função mastigatória;
  • expectativa estética do paciente.

Alguns estudos propõem medidas cefalométricas capazes de ajudar a diferenciar casos com maior possibilidade de camuflagem daqueles mais indicados para cirurgia, mas esses valores não devem ser utilizados isoladamente como uma regra universal. PubMed

Qual é a principal diferença entre os dois tratamentos?

Uma forma simples de entender é:

Ortodontia movimenta dentes.

Cirurgia ortognática reposiciona os ossos da face.

Quando o problema pode ser resolvido dentro dos limites da movimentação dentária, a cirurgia pode não ser necessária.

Quando a discrepância esquelética é importante, tentar resolver um problema ósseo exclusivamente movimentando dentes pode não proporcionar o resultado funcional ou facial desejado.

Essa avaliação é especialmente importante na Ortodontia para Adultos, porque o crescimento facial já está essencialmente concluído.

Prognatismo mandibular precisa sempre de cirurgia?

Não.

Casos leves, moderados ou predominantemente dentários podem, em determinadas situações, ser tratados por meio da Ortodontia e da camuflagem ortodôntica.

Já discrepâncias esqueléticas importantes em pacientes adultos podem exigir tratamento ortodôntico associado à cirurgia ortognática para que seja possível modificar efetivamente a relação entre maxila e mandíbula.

Por isso, a pergunta mais importante não é simplesmente “preciso operar?”.

A pergunta deve ser:

“Meu problema está principalmente nos dentes, nos ossos da face ou nos dois?”

A partir dessa resposta é possível discutir os limites, benefícios e objetivos de cada alternativa e definir um tratamento individualizado dentro da Ortodontia.

Prognatismo mandibular sempre precisa de cirurgia?

Não. Casos leves, moderados ou predominantemente dentários podem, em algumas situações, ser tratados apenas com Ortodontia. A cirurgia ortognática costuma ser considerada quando existe uma discrepância esquelética importante entre maxila e mandíbula.

Aparelho ortodôntico pode corrigir prognatismo mandibular?

Pode ajudar em casos selecionados por meio da movimentação dos dentes e da chamada camuflagem ortodôntica. Entretanto, em adultos, o aparelho não reduz o tamanho da mandíbula nem reposiciona os ossos da face.

Como saber se meu prognatismo é dentário ou esquelético?

É necessária uma avaliação ortodôntica com exame clínico e, quando indicado, fotografias, radiografias e análise cefalométrica. O objetivo é identificar se a alteração está principalmente na posição dos dentes, nos ossos da face ou em ambos.

Aparelho invisível pode tratar prognatismo mandibular?

Em alguns casos, sim. Aparelhos invisíveis, como alinhadores transparentes ou aparelho lingual, podem realizar movimentos dentários planejados. Porém, se a discrepância óssea for importante, o fato de o aparelho ser invisível não elimina uma eventual indicação cirúrgica.

Crianças com prognatismo mandibular precisam operar?

Nem sempre. Como crianças e adolescentes ainda estão em crescimento, determinadas alterações de Classe III podem ser tratadas ou acompanhadas com recursos ortodônticos e ortopédicos. A resposta depende da causa da alteração e do padrão de crescimento facial.

Referências científicas

Alhammadi MS et al. Orthodontic camouflage versus orthodontic-orthognathic surgical treatment in borderline class III malocclusion: a systematic review. Clinical Oral Investigations. 2022.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36098813/ PubMed

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https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34524381/ PubMed

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https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21511553/ PubMed

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